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Problemas no transporte e nas comunicações atrasam agronegócio

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Sem precisar avançar um centímetro em áreas mantidas sob preservação, que atualmente somam 66% do território nacional, o Brasil tem condições de agregar à sua produção atual mais 100 milhões de toneladas de grãos e 100 milhões de cabeças de gado. Para tanto, basta aumentar a eficiência e a eficácia do campo por meio do uso correto das tecnologias já disponíveis.

Foi o que garantiu Paulo Herrmann, presidente da John Deere do Brasil, durante a habitual reunião-almoço de segunda-feira realizada pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul. O dirigente destacou que, atualmente, as plantações agrícolas e as florestas plantadas ocupam em torno de 9% da área territorial, algo como 62 milhões de hectares, com safras anuais de 229 milhões de toneladas de grãos. As pastagens nativas e plantadas destinadas para animais somam 21%, cerca de 180 milhões de hectares, com plantel 220 milhões de cabeças. “O Brasil agrícola é uma potência. E só não dará certo se os brasileiros não quiserem”, afirmou.

De acordo com o dirigente, existem alguns desafios que precisam ser superados para que o país mantenha-se como o grande provedor de alimentos para o mundo. Citou, por exemplo, que é preciso estimular a volta de trabalhadores ao campo. “Temos cada vez menos gente e com mais idade”, detalhou. Um dos incentivos é o investimento na conectividade para que as tecnologias disponíveis possam ser usadas. “Algo terá de ser feito para levar sinal ao campo. Tarefa que pode ser assumida por novas empresas, por estrangeiras ou pelas que já operam as telecomunicações”, enfatizou.

Outro desafio, segundo Herrmann, é com a qualificação de quem trabalha no campo. Assinalou que as tecnologias avançaram muito, mas a qualificação não acompanhou na mesma velocidade. Defende ser necessária uma revisão da grade curricular, que ainda traz conteúdos dos anos 80 e 90. “A formação atual do pessoal do campo está obsoleta”, reforçou.

O presidente da multinacional frisou que também é preciso melhorar a logística interna das propriedades e a externa para a movimentação dos produtos. “Temos, sim, ainda muita ineficiência dentro da propriedade, que precisam ser redesenhadas para aproveitar plenamente os benefícios das tecnologias que os equipamentos oferecem”, manifestou.

Externamente, o principal problema é o custo logístico do transporte de cargas até os portos. Segundo Herrmann, enquanto nos Estados Unidos o custo da tonelada transportada, por hidrovias, é de US$ 20, na Argentina, é de US$ 40 por meio rodoviário e, no Brasil, chega a US$ 90. Por isso, ele destaca que uma das prioridades para mudar este quadro é o investimento na infraestrutura no Centro-Oeste do país, citando como saída marítima os postos do Arco Norte.

Para tanto, seria preciso investir R$ 32 bilhões em cinco obras, o que criaria redução potencial de 50% no custo rodoviário. Uma delas é a ferrovia Norte-Sul, que será privatizada. “A competitividade da agricultura brasileira depende do equacionamento do sistema logístico”, reiterou. Em termos marítimos, segundo Herrmann, o custo da tonelada transportada a partir do Brasil para a China, na ordem de US$ 45, é semelhante ao dos Estados Unidos e da Argentina.

 

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