InícioGeralGramado e CanelaSuperação, conduta e trabalho na colônia

Superação, conduta e trabalho na colônia

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CANELA – “Quem não vive da agricultura familiar, depende dela para sobreviver”. A frase estampada na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais identificaduas realidades distintas, mas que precisam uma da outra.

Os colonos são os responsáveis por abastecer mercados, escolas e instituições com diversos produtos provenientes da mão de obra no interior. A população da zona urbana é o cliente, que faz a engrenagem girar e gerar renda aos produtores, a peça principal da máquina.

Em alusão ao Dia do Colono, a reportagem do Jornal Integração foi até a Linha São Paulo, na zona rural de Canela, para contar a história da família Berti: Jocelito, Gorete, Fernando e Marlon. Os agricultoressão especializados na produção de verduras, que são destinadas ao município.

Os Berti moram na localidade há 28 anos, mesmo período em que foram introduzidos ao Hortifruti, por Alex e Cleusa Port, antigos patrões e, atualmente, parceiros da família.

Jocelitoe a esposa Gorete são naturais do interior de Três Coroas e São Francisco de Paula, respectivamente. Ele conta que, no princípio, foram contratados para serem caseiros na propriedade e auxiliar nas plantações e transportes dos insumos. Mas, após 14 anos, o ‘padrinho’ sugeriu que o casal se tornasse independente, dando seguimento ao trabalho.

O casal aceitou o desafio e colhe os frutos desta empreitada até hoje. “Sempre tive muita vontade de trabalhar com agricultura, mas antigamente era mais difícil. Não tinha recurso. A primeira coisa que tentamos cultivar foi milho, mas não era nossa área. Eu queria plantar verdura, começamos e estamos há mais de 25 anos fazendo isto. Depois de ficar independente, foi um pouco difícil por conta da falta de dinheiro e nós precisávamos comprar um caminhão. Ele [ex-patrão] falou: começa a partir deste mês sozinho e me diz quanto pode me pagar no fim do mês. Assim, em três anos pagamos o caminhão”, destacou.

O casal possui dois filhos, Fernando, 26, e Marlon, 16, que auxiliam no negócio da família. O mais velho fica na cidade e busca insumos em atacado no Ceasa. O mais novo ajuda os pais em diversos serviços nas hortas, incluindo plantação, cultivo e colheita. A família produz seis tipos de alface, tomate, rúcula, rabanete, couve-flor, couve chinesa, brócolis, aipim, beterraba, cenoura, pimentão, abobrinha, repolho e temperos.

Estes produtos são destinados para a merenda escolar das creches e escolas municipais pela Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP).A família também executa serviços por meio do CNPJ para os educandários. O trabalho consiste em recolher insumos do Ceasa e distribuir para as instituições. O trabalho é feito por licitação.

Dois locais são utilizados para a plantação pelos produtores. Um na Linha São Paulo e outro no Canastra Alta, em Três Coroas. O primeiro é arrendado e o segundo pertence à família. O trabalho diário nas plantações ultrapassa 10h por dia e, como ressaltou Jocelito “não tem horário para estar aqui, na colônia é assim. Se tem serviço, temos que tocar. Não dá para deixar para amanhã”.

“É um orgulho, não é todo mundo que aguenta. Tinha que ser mais valorizado o que nós fazemos”, manifestou Gorete.

“Fiquei seis meses sem poder fazer nada”

Emocionado, Jocelito relembrou um dos piores momentos que já passou quando contraiu trombose e inflamação no nervo ciático, há cerca de sete anos. Ele citou que Gorete teve de assumir o trabalho na propriedade e que aprendeu a valorizar as pessoas certas.

“Ficou tudo por conta dela, fiquei seis meses dentro de casa sem poder fazer nada. Foi bem complicado. O momento ruim vem e passa. Quando ocorreram estes problemas nós selecionamos o que são os amigos reais. Estava bem e fazia festa de aniversário e não baixava de 60 pessoas. Fiquei ruim e duas ou três pessoas me mandaram mensagem. Jogava os municipais de bocha e tinha amigos aos montes, quando ocorreu a doença isso terminou. Foi bom para aprender, estava valorizando pessoas que não me davam valor. Então, com aquilo tudo, decidi que iria cuidar mais das minhas coisas e da família”, descreveu.

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