Comunicado

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Coluna publicada no dia 15/09.

O Hospital de Caridade de Canela emitiu um comunicado oficial nesta segunda-feira, 15 de setembro, que não pode passar batido. A decisão tomada foi clara: todas as visitas aos pacientes internados em observação estão suspensas por 10 dias, podendo esse prazo ser prorrogado caso a situação peça. A justificativa? O aumento de casos de COVID-19 entre funcionários da instituição.

Quem assina a medida é o interventor do hospital, Messias do Nascimento. E a explicação é bem direta: não se trata de afastar as famílias por vontade própria, mas sim de proteger pacientes, colaboradores e a comunidade em geral. A presença da família sempre é importante num momento de internação, mas, nesse cenário, o risco de circulação do vírus dentro da instituição exige cautela.

A medida começou a valer já hoje e não se limita apenas a um recado formal. O comunicado reforça o que muitos parecem ter deixado de lado ao longo dos últimos meses: os cuidados básicos de prevenção seguem fundamentais. Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, usar álcool em gel 70%, utilizar máscara cobrindo nariz e boca, evitar aglomerações, manter ambientes ventilados. Nada de novo, nada de extraordinário. Apenas o básico que, se seguido, faz diferença.

A palavra do secretário de Saúde

A coluna também conversou com o secretário municipal de Saúde, Jean Spall, que trouxe números que ajudam a entender a dimensão do alerta: 36 casos positivos de COVID-19 já foram confirmados entre os funcionários do hospital.

Perguntei a ele como está sendo feito o manejo das equipes e o controle desse pequeno “surto”, e o secretário explicou:

“Por isso que a gente também está suspendendo as visitas lá no hospital, pra que a gente contenha o que está acontecendo lá. É um foco só ali no hospital, a princípio. Mas o que que a gente tá fazendo? Tá remanejando o pessoal (funcionários). Então, se tem pessoal que fica afastado alguns dias, volta, faz tratamento, volta…, mas a gente está remanejando dentro das equipes. O ideal seria isolar, mas não há como fechar o hospital.”

A fala mostra duas coisas: primeiro, que há uma situação preocupante, sim, mas localizada dentro do hospital; segundo, que o trabalho segue sendo feito, ainda que com remanejamento e ajustes de equipe.

Diferença entre alerta e pânico

Aqui é importante fazer uma pausa. Sei que, ao falar de COVID-19, muita gente já sente um arrepio. Foram anos pesados, de perdas, de restrições, de mudanças na rotina. E não é objetivo dessa coluna reacender o medo nem trazer aquela sensação de “vai tudo parar de novo”. Mas também não dá pra fingir que nada está acontecendo.

O que temos hoje é um sinal de alerta específico, vindo de dentro do hospital de Canela. Um surto interno, localizado, que exigiu medidas rápidas para evitar que se espalhe. Isso não significa que estamos diante de uma onda gigante varrendo a cidade. Significa, sim, que precisamos de atenção redobrada.

É nessa linha que devemos caminhar: nem pânico, nem descuido.

Aprendizado

Se tem uma lição que os últimos anos deixaram é que os cuidados simples fazem toda a diferença. Muitas vezes, no dia a dia, a gente acha exagero usar máscara, acha chato ter que higienizar as mãos, relaxa com o distanciamento. Mas quando a realidade bate na porta, como agora, lembramos o quanto esses gestos são fundamentais.

E vale reforçar: estamos falando de um vírus que já conhecemos. Diferente do que foi em 2020, agora temos vacinas, temos protocolos, temos profissionais mais preparados. Mas isso não exclui a necessidade de responsabilidade individual.

Vida comunitária

Canela é uma cidade que respira coletividade. Todo mundo se conhece, todo mundo cruza com todo mundo. E justamente por isso, cada cuidado individual acaba sendo um cuidado coletivo.

Se alguém vai ao hospital visitar um parente e, sem perceber, leva o vírus junto, pode estar comprometendo não só aquele paciente, mas dezenas de outras pessoas. Daí a importância da suspensão temporária das visitas. É uma decisão difícil, dolorosa até, mas necessária.

Sempre é hora de pensar na saúde como um patrimônio coletivo. E cuidar dela é, sim, um ato de responsabilidade com toda a comunidade.

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