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A lógica do contrário

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Coluna publicada no dia 16/07.

Leonardo Santos

A maioria das pessoas que passa diariamente entre Canela e Gramado já percebeu as obras recentes da EGR. E quase ninguém entendeu. A empresa recapeou trechos da ERS-235 onde o asfalto estava em boas condições, enquanto pontos críticos foram ignorados. Isso foi assunto na sessão da Câmara de Vereadores de Canela, com destaque para a fala do vereador Roberto Danany (MDB).

Ele foi direto: não faz sentido fazer manutenção onde não precisa, enquanto áreas afundadas e com problemas reais seguem intocadas. Um exemplo que ele citou foi um ponto próximo à rótula do Distrito Industrial — esse trecho tem problemas evidentes, mas não entrou na lista da manutenção. E ele tem razão. Não tem lógica. Se o objetivo da manutenção é garantir segurança e fluidez, não dá pra fingir que tá tudo certo onde claramente não está.

A manutenção no Poço da Faca

Na semana passada, publiquei aqui uma foto mostrando o estado crítico do acostamento ali perto do Poço da Faca, próximo ao pedágio. Um ponto que já passou do tempo de receber atenção. Hoje, recebi a informação de que a EGR finalmente esteve no local fazendo o que precisava ser feito. Coincidência ou não, que bom que aconteceu.

Mas é importante frisar: não é porque recapearam ou arrumaram um trecho que acabou a responsabilidade. Aquele ponto ali precisa de manutenção frequente. A movimentação de veículos pesados é constante. O fato de agora estar arrumado não pode servir como justificativa pra abandonar de novo. Manutenção, nesse caso, é constante. Ou deveria ser.

Segurança nas escolas

O presidente da Câmara, vereador Felipe Caputo (PSDB), falou sobre a segurança nas escolas do município. Eu sou suspeito pra falar deste caso. Minha pequena está na rede municipal, na escola dela tem segurança, e isso traz tranquilidade real. Esse tipo de sensação deveria ser garantida pra todas as famílias, em todas as escolas, e não ser visto como exceção.

Segundo ele, o entrave está nas licitações. A contratação de guardas não avança por questões burocráticas. E isso não pode mais ser argumento. Não dá pra aceitar que algo tão básico continue travado por questões técnicas. Se o problema é o processo, então que se mude o processo. Mas deixar escolas sem segurança por meses é inaceitável.

A cobrança continua

Felipe disse ainda que a educação do município piorou. Que tem apagado incêndios e levado demandas para a secretária, mas que sequer tem relação com o secretário adjunto. Pelo jeito que o vereador falou me parece que há faíscas entre ele e o adjunto. Disse que a situação tá complicada e que, depois do recesso, não vai mais apagar incêndio. E reafirmou: prometeu que seria o mesmo da gestão passada. E está sendo.

Na gestão passada, quando o PSDB saiu do governo, ele fez oposição firme. Agora, sendo base, continua com o mesmo tom crítico quando entende que algo não está sendo feito. E isso é importante de pontuar. A mudança de postura que poderia ser esperada por ele ter virado situação não aconteceu. A cobrança segue a mesma.

Ser vereador não é simples

Quem também falou de forma honesta foi o vereador Nene Abreu (MDB). Ele fez um balanço dos seus primeiros seis meses na Câmara. Disse que vereador não resolve, mas encaminha. Que o papel do parlamentar é levar o problema até quem pode resolver. É uma percepção que pode parecer frustrante, mas é realista.

Algumas sessões atrás, o vereador Cabo Antônio, do mesmo partido, disse que sentia que fazia mais pela comunidade quando era líder de bairro do que agora, como vereador. Nene, que também já foi liderança comunitária, tem a sensação oposta. Afirmou que hoje consegue ajudar mais justamente por enxergar a cidade por inteiro. E que isso tira o sono. A quantidade de problemas que surgem, de demandas que chegam, e de limitações que existem no cargo acabam pesando.

O mínimo que se espera

É bom que tire o sono, mesmo. Porque vereador que dorme tranquilo com a cidade cheia de problemas provavelmente não está entendendo o tamanho da responsabilidade que tem. E se os problemas não incomodam, talvez nem devesse estar ali. O que não me parece o caso desta legislatura, todos ali demonstram preocupação.

A fala do Nenê foi sóbria e honesta. E quando um vereador reconhece, no microfone, que nem tudo dá pra resolver, mas que a função é levar adiante, já é um passo.

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