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Falta de médicos agrava gestão da saúde pública

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A dificuldade que o Município tem para manter as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) com o quadro médico sempre à disposição da comunidade deverá causar novo protesto na próxima semana. Isso porque a Associação de Moradores (Amob) do Bairro Santa Fé reclama que, desde a segunda-feira (22), pacientes que procuram o postinho estão sendo redirecionados pelos enfermeiros e técnicos de enfermagem que trabalham naquela unidade de saúde.

Devido às férias da única médica que ainda atende na UBS, eles são mandados para o posto mais próximo ou para o pronto atendimento. “Eles mandam ir ao posto da Vila Ipê, onde tem que esperar para ver se sobra ficha ou para a UPA Zona Norte. Lá, as pessoas aguardam até cinco horas para serem atendidas se for um caso que não caracterize urgência. Na Secretaria de Saúde nos informaram que não tem previsão de resolver o problema. Na semana que vem, se não tiver médico, vamos reunir a direção da Amob para organizarmos um protesto popular”, explica o vice-presidente Claiton Cruz.

Ainda conforme o líder comunitário, a UBS já vinha com a falta do segundo médico da equipe, que há 40 dias se exonerou do serviço público. Com isso, os mais de 22 mil moradores da região passaram a contar com apenas uma médica, que agora está em período de férias. Cruz é conselheiro de saúde da região e diz que já foi indicado ao Executivo que utilize médicos volantes toda vez que conceder esse benefício trabalhista. Entretanto, não há profissionais desta modalidade suficientes para cumprir a demanda.

 

SERRANO

 

No início de março, os moradores do Serrano, na Zona Leste, também enfrentaram a falta de médicos na UBS. Cansados de esperar por solução da Prefeitura, realizaram um protesto, no dia 18, em frente ao posto. Eles reivindicaram a reposição de dois clínicos gerais de 40 horas, vinculados ao programa Estratégia de Saúde da Família. No dia da manifestação, fazia três dias que o único médico que ainda atendia no local havia deixado a unidade de saúde.

No protesto, os moradores e conselheiros de saúde se manifestaram contra a rotatividade de profissionais na rede básica. O fato, segundo eles, prejudica a população. A conselheira Justina Ribeiro atribuiu o problema aos contratos temporários.

 

PROBLEMA CRESCENTE

 

A crise de médicos na rede básica teve origem, em 2017, quando ocorreu o impasse entre o prefeito Daniel Guerra/PRB e os servidores efetivos da categoria. Na época, o Executivo determinou que os médicos marcassem o ponto eletrônico e cumprissem, integralmente, a jornada de trabalho. O Sindicato dos Médicos de Caxias do Sul contestou a determinação e os profissionais fizeram uma greve que durou perto de oito meses.

A paralisação gerou um caos no sistema público, principalmente, com a redução do atendimento nas UBSs e no Centro Especializado de Saúde pela falta de profissionais em serviço. Logo em seguida, dezenas pediram exoneração do cargo sem que a Secretaria de Saúde tenha conseguido repor todas as perdas. Vários concursados foram chamados, porém, a maioria não aceitou tomar posse no cargo.

O Executivo ainda instaurou mais de 20 processos administrativos disciplinares contra os grevistas por excesso de faltas ao trabalho. Parte foi punida e exonerada. Os médicos entraram na Justiça, que determinou a reintegração.

 

De onde vai tirar médicos em 45 dias?

 

A pergunta é do vereador Rafael Bueno/PDT. Segundo ele, a notícia de que o Ministério Público, por meio da promotora Adriana Chesani, irá se manifestar, oficialmente, na próxima semana, recomendando que o Executivo abra a UBS Cristo Redentor em até 45 dias é boa, mas preocupa. “Se não tem médico nem para cobrir a demanda das UBSs em funcionamento, como é que vai abrir a do Cristo Redentor? Mas o Guerra disse que ia catar médicos em todos os lugares”, relembra.

A manifestação se dará sobre o Inquérito Civil Público, instaurado em março do ano passado, devido à denúncia encaminhada por Bueno, juntamente com um abaixo-assinado da população do bairro. Ainda conforme o vereador, a inauguração dos novos prédios das UBSs dos bairros Reolon e São Vicente vai na mesma linha da postura do Executivo para com o posto do Cristo Redentor. “Estas UBSs têm equipe pronta. É só atravessar a rua, mas faz dois anos e quatro meses que estão num porão úmido, cheio de traças e apertados. Eles não conseguem acessar o novo local, tudo por birra, só porque o prefeito não quer inaugurar agora para dizer que a obra é dele, mas foram deixadas praticamente prontas pelo governo anterior”, ressalta.

 

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