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Turismo já demitiu 4,4 mil funcionários no estado

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Quase todos os setores econômicos sofreram impactos com a pandemia de coronavírus. Enquanto alguns conseguiram manter-se por meio do funcionamento parcial, outros foram praticamente impedidos de trabalhar. É o caso do turismo, que, segundo estimativas da Confederação Nacional do Comércio (CNC), perdeu R$ 4,7 milhões no período de março a junho.

Em busca de alternativas para reverter esses números, um estudo de entidades do setor desenvolvido com o trade turístico do estado foi apresentado ao governo, acompanhado do pleito que busca evitar o desmonte do turismo. Um dos dados da pesquisa, realizada com 768 estabelecimentos de todas as regiões gaúchas, mostra que o setor demitiu 4.380 pessoas em função da pandemia. O turismo é, segundo a CNC, o segmento que mais demitiu entre os 21 setores da economia.

Com o estudo, o Comitê de Retomada do Turismo no RS propõe o aperfeiçoamento do modelo de Distanciamento Controlado e, também, o auxílio ao Executivo em sua implantação. Uma das principais críticas ao atual formato utilizado para tentar coibir o avanço da pandemia é a penalização imposta a estabelecimentos com a proibição de trabalharem. “É preciso parar com o abre e fecha, essa imprevisibilidade é extremamente prejudicial. Independentemente da bandeira, deve haver um percentual de operação, ainda que sob protocolos mais rígidos”, argumenta Gabrielle Signor Rodrigues, representante do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves no comitê e presidente do Bento Convention Bureau, uma das entidades que coordenam o grupo ao lado do Sebrae/RS, Sindicato Empresarial da Gastronomia e Hotelaria Uva e Vinho (SEGH) e G30 Serra Gaúcha.

Cenário negativo para os próximos meses

A pesquisa “Covid-19 e o impacto nos negócios turísticos do RS” apresenta um panorama preocupante do setor, no qual apenas 25% das empresas seguem ativas, como aponta a Junta Comercial, Industrial e Serviços do RS, e 40% das operações gastronômicas devem ser encerradas em definitivo, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes. Do total dos estabelecimentos pesquisados, 33% veem um risco grande de encerrarem as atividades durante os próximos dois meses e, para 52%, o faturamento caiu mais de 76% de abril a junho em relação a igual período de 2019.

O cenário para o segundo semestre não é alentador. O faturamento deve cair mais de 50% para 71% das empresas. Em relação ao quadro de funcionários, 56% dos estabelecimentos já realizaram desligamentos e 35% avaliam fazer mais cortes.

Dos participantes da pesquisa, 80% são estabelecimentos de micro ou de pequeno porte, e 56% têm mais de 10 anos de mercado. Do total, 64,5% são da Serra. Somente na região, entre associados do SEGH e do Sindicato de Turismo de Gramado, são mais de 4 mil empresas ligadas ao setor, que geram 25 mil empregos diretos e 73 mil dependentes.

Efeitos no cluster turístico

A Serra gaúcha é o segundo principal destino turístico do Brasil em termos de comercialização de visitas. Um dos motivos, além das paisagens naturais e os parques temáticos, é a rede de atuação conjunta entre atrativos, hotéis, gastronomia e comércio, o chamado cluster turístico. “Se algum desses elos para, não ocorre a prestação de serviço de forma completa para o cliente, o que gera impacto muito grande. Se algumas empresas fecham agora, isso desestabiliza o cluster como um todo”, observa Gabrielle Signor Rodrigues.

Como consequência, ocorrem demissões, minando a excelência no atendimento, conquistado na base de treinamento, de qualificação e de pessoas chaves selecionadas para funções estratégicas. “O que está acontecendo no estado é um desmonte do setor, porque estamos vendo empresas fechando e perdendo o principal ativo, que são as pessoas”, ressalta.

Retomada de eventos com protocolos

Junto à desaceleração provocada pela pandemia no turismo, uma atividade que se beneficia desse ramo tem atravessado um momento nunca antes vivenciado. A área de eventos praticamente deixou de existir nesses últimos cinco meses com a impossibilidade de aglomeração e o distanciamento social. Flexibilizar as normas é uma das propostas do estudo do comitê.

Segundo Gabrielle Signor Rodrigues, as medidas de restrição extrema eram necessárias no início da pandemia, quando ainda era preciso descobrir o mecanismo de propagação do vírus e as formas de proteção. Mas agora há formas de os eventos começarem a operar novamente.

Gabrielle defende que muitas das medidas já foram absorvidas pelas empresas e pelos clientes para se proteger e cuidar do próximo. “É necessário fazer uma revisão porque há, sim, formas de realizar turismo e eventos com segurança, mantendo distanciamento e usando as medidas de proteção. Existe tecnologia e conhecimento para isso”, defende. Prova disso é o circuito de treinamentos simulando os novos protocolos para eventos que ocorrerão em diversos pontos do estado (o primeiro foi realizado, em Bento Gonçalves), mostrando como é possível e viável promover o retorno responsável do setor.

A pesquisa já foi apresentada ao governador pelo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Rodrigo Lorenzoni. O comitê tenta uma audiência com chefe do Executivo para expor os argumentos. O texto tem o apoio de mais de 90 entidades gaúchas de 41municípios e de aproximadamente 400 empresas do setor de turismo e de eventos.

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