CANELA – Durante o encerramento da Caminhada da Conscientização realizada na quarta-feira (20), na praça João Corrêa, representantes da rede de saúde mental de Canela destacaram a importância da mobilização da comunidade no combate à violência contra crianças e adolescentes e na luta antimanicomial.
A coordenadora da Saúde Mental da Secretaria de Saúde, Tânia Aguiar, afirmou que o movimento teve um significado importante para o município, principalmente por colocar em debate temas que ainda precisam ser enfrentados diariamente pela sociedade.
Segundo ela, a luta antimanicomial busca defender estruturas públicas de cuidado que garantam dignidade, liberdade e direitos humanos às pessoas em sofrimento psíquico.
“Para nós, da luta antimanicomial e dos trabalhadores que defendem a infância e a adolescência, esse movimento teve um marco importantíssimo em Canela, porque coloca em pauta a importância de termos dispositivos públicos que cuidem das pessoas em liberdade e respeitem os direitos humanos em todas as dimensões da vida”, destacou.
Tânia também lembrou que a campanha de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes é resultado de décadas de mobilização nacional e reforçou a necessidade de combater qualquer forma de violência.
“Queremos defender os direitos da infância e adolescência livres de qualquer situação de violência e construir uma sociedade que respeite as diferenças e as singularidades de cada ser humano”, afirmou.
Já a coordenadora do CAPS de Canela, Janine Palodetti, alertou para o aumento dos casos de sofrimento psíquico e violência registrados atualmente, situação que vem refletindo diretamente nos atendimentos realizados pela rede de saúde mental.
“Estamos vivendo uma situação social que está gerando uma série de questões que envolvem a saúde mental e também situações de violência contra crianças, adolescentes e mulheres. O CAPS acolhe essas situações porque elas causam sofrimento psíquico”, explicou.
Janine ressaltou ainda que, apesar dos avanços da reforma psiquiátrica, a sociedade ainda enfrenta uma cultura de exclusão e preconceito.
“A gente ainda vive dentro de uma lógica manicomial, uma lógica em que se quer prender e excluir. O nosso trabalho é cuidar, acolher e lutar para que as pessoas tenham atendimento digno e em liberdade”, disse.
As profissionais também fizeram um apelo para que a comunidade não permaneça em silêncio diante de situações de violência. Conforme elas, denunciar é fundamental para proteger vítimas e evitar novos casos.
“O silêncio gera impunidade. É muito importante falar sobre essas situações com pessoas de confiança e buscar ajuda”, reforçou Tânia.
Entre os canais de apoio citados estão o Conselho Tutelar, CAPS, CRAS, CREAS, unidades de saúde, escolas, Brigada Militar, Polícia Civil e o Disque 100, que recebe denúncias anônimas relacionadas à violência contra crianças e adolescentes.
As coordenadoras também destacaram que a programação segue durante a semana nas escolas municipais, com ações educativas e oficinas conduzidas por psicólogos da rede de atenção psicossocial do município.
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