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Inviabilizados na Festa da Uva, artesões criam feira própria

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Presença garantida em todas as festas comunitárias, os artesãos de Caxias do Sul não tiveram apoio, nem respaldo político, para participar da Festa da Uva deste ano. Como forma de mostrar e comercializar a sua produção foi criada a 1ª Feira do Artesanato e Produtos Coloniais, realizada no Ponto de Cultura, no mesmo prédio da sede da União de Associações de Bairros (UAB), atrás do Fórum de Caxias do Sul. 

De acordo com a presidente da Associação de Moradores do Bairro Samuara/Jockey Clube Carla Pacheco, a Festa da Uva exigiu o pagamento de R$ 22 mil por um espaço de 30 m². “Sabendo que um artesão precisa vender muitas peças para conseguir um valor expressivo, mesmo se o valor fosse dividido em 30, ficaria inviável. Além disso, seria um espaço bem limitado para a disposição dos objetos e circulação do público”, explicou.

O evento teve início no dia seis deste mês e segue até domingo (17), das 10h às 18h. São 30 artesãos caxienses que expõem diferentes produtos, com preços variando de R$ 3 a R$ 220. A ideia é que a feira se torne uma atração mensal. “Ao contrário do que ocorre em decisões de políticos, que ocupam seus cargos pelo voto popular, montamos essa feira sensível a esses trabalhadores. O único requisito exigido foi o de ser artesão e pagar uma taxa de R$ 20, valor destinado à compra de materiais de higiene e limpeza”, ressaltou.

Embora o público visitante esteja aquém do esperado, Carla destacou que o fluxo aumentou após o término da Festa da Uva. A expectativa para os últimos dias é de movimento acentuado. “Recebemos turistas de Minas Gerais, São Paulo e de Portugal. Eles nos comentaram que sentiram falta da presença do artesanato junto aos pavilhões da Festa da Uva. Todo visitante gosta de levar para casa uma lembrança do local que visita. Por sorte, vieram à nossa feira”, salientou.

 

Luta por valorização e espaços estruturados

 

Para fortalecer o artesanato caxiense, Sandra Pacheco pretende identificar todas as pessoas que trabalham como artesãos. O objetivo é manter a comunidade artesã coesa e engajada para lutar por valorização e espaços estruturados para exposição de produtos. “A segunda maior cidade do estado não possui um espaço com infraestrutura, como banheiros e cobertura, para expor em dias de chuva. A Praça das Feiras, por exemplo, carece desses requisitos básicos e necessários à valorização desse trabalho que representa a cultura local. Além disso, se cria um ambiente para que a comunidade e turistas saibam onde encontrar artesanato”, frisou.

Outro ponto que ainda precisa ser trabalhado é a divulgação dos trabalhos pelas redes sociais. Segundo Carla, a maior parte do artesanato é comercializado na cidade. Serão organizadas ações para mostrar como o uso correto das redes sociais pode potencializar e ampliar as possibilidades de venda. “Precisamos nos mobilizar e buscar alternativas. Se esperarmos o poder público, o artesanato vai morrer e, com isso, a fonte de renda de muitas famílias. O descaso e o menosprezo com a categoria é bem visível. Embora os tenhamos convidados a visitar a feira, nenhum vereador apareceu até esta quinta”, lamentou.

 

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