Zeraram a fila

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Coluna publicada no dia 01/07.

Canela foi dormir ontem com uma daquelas notícias que a gente não ouve todo dia: zeraram a fila da pré-escola. Isso mesmo. Agora, segundo o prefeito Gilberto Cezar, todas as crianças de 4 a 5 anos estão com vaga garantida nas escolas do município.

Disse ele:

“Pessoal, uma ótima notícia para Canela. Conseguimos zerar a fila da escola infantil da pré-escola do município. Nós, no início do governo, não tínhamos previsão de chegar tão rápido a esse número.

Mas estamos muito felizes porque 90% das crianças das nossas escolas de 0 a 4 anos são atendidas e chegamos a 100% das crianças de 4 a 5 anos também. Estamos buscando parcerias, firmando convênios, buscando ampliar as escolas e também construir novas salas e novas escolas. Temos hoje na educação infantil em Canela 2.900 crianças.

Nós queremos melhorar cada vez mais o atendimento e também trazer novos profissionais. Contratamos monitores, professores e agora vamos também trabalhar para ter um concurso público para trazer mais profissionais para a educação infantil do nosso município. A gente sabe que tem que ter um olhar atento, cuidadoso com as crianças, com as escolas.”

É isso. Quando funciona, é para aplaudir. Mas vamos combinar: zerar a fila não é o final do filme, é o começo da obrigação e continuação do bom trabalho.

O parque que virou saudade

Na Câmara, o tom da noite foi bem menos festivo. Rodrigo Rodrigues (PDT) falou sobre o estado do Parque do Caracol quando ainda era gerido pelo município. Capenga — essa foi a palavra dele. Mesmo assim, rendia 6 milhões por ano pra cidade. Isso com estrutura meia boca.

E aí veio o lamento: Canela perdeu talvez o mais bonito dos seus espaços, junto com a Igreja Matriz. E o que se fez lá depois da concessão pra iniciativa privada? Nada de muito extraordinário, segundo ele. Há muitas mudanças, obviamente, mas conclusão é dura: o Executivo poderia ter feito igual — ou melhor. Mas preferiu entregar. A galinha dos ovos de ouro está em outra posse agora.

Gravame: a palavra que me dá dor de estômago

Falando em parques, o tal projeto do Parque do Palácio foi assunto de novo. E aí veio ele, o termo que me dá dor de estômago: gravame. Toda vez que aparece essa palavra eu já preparo o sal de frutas.

No caso, o novo gravame inserido na Lei de doação é pra garantir que o Parque do Palácio continue sendo… parque. Parece simples, mas a intenção é barrar qualquer obra fora do padrão, como um Centro de Convenções. Não é novidade que o os que queriam ver ali um espaço para eventos grandiosos, o que só aconteceria com a construção de um Centro de Convenções, foram ‘voto vencido’.

Saudade do tempo sem crachá

E aí, no meio da sessão, veio o desabafo mais honesto da noite: Cabo Antônio (MDB) disse que fazia muito mais pela comunidade quando era só líder de bairro do que agora, como vereador. E olha que o cara tá só nos primeiros seis meses de mandato.

Ele contou que agora, travado pelo sistema, sente que não consegue mais atender quem procura ajuda. Gente liga pra ele pedindo coisa simples, achando que ele é funcionário da Prefeitura. E ele ali, tentando explicar que não tem a caneta.

A fala escancarou o sentimento de impotência que ronda quem chega cheio de vontade na Câmara e descobre que o trator das burocracias é mais pesado do que parecia.

Trator

Falando em trator, Roberto Danany (MDB) também usou o microfone pra desabafar. Disse que quer trabalhar junto com o governo, colaborar, ajudar a construir. Mas parece que tem um trator puxando ele pra ser mais assíduo na oposição. E olha, não parecia exagero.

Ele tá percebendo que, mesmo querendo ajudar, o ambiente tá ficando azedo. Relembrou que o governo anterior, do MDB, também pegou cidade estragada e fez muita coisa boa, tipo calçadas em bairros que ninguém via. E soltou um recado claro: se a coisa seguir desse jeito, ele vai começar a fazer os apontamentos.

Danany mostra que tá no limite com as politicagens. Mais um pouco e ele vira crítico.

Os buracos não tiram férias

Parece que agora vai sair um mutirão pra tapar os buracos da cidade. Incluindo aqueles da Rua Martinho Lutero, que eu trouxe aqui ontem.

A questão é que não dá mais pra tratar isso como emergência pontual. Buraco em Canela é cotidiano. A cidade inteira virou queijo suíço e ninguém aguenta mais. Não sou eu que estou dizendo, olhem os comentários na página do Jornal.

Tomara que venha o mutirão.

Reclamações

Aproveito pra dizer que tem gente que se ofendeu com a coluna anterior. Talvez com o tom, talvez com a crítica. Mas vamos esclarecer uma coisa: não é pessoal. É cidade.

A reclamação que aparece aqui é a mesma que aparece nas conversas de bar, nos grupos de WhatsApp, na fila do mercado. Quem mora em Canela sente os mesmos perrengues. E quem escreve aqui, também.

Ficar bravo com quem aponta o problema é desviar da questão. O foco tem que ser resolver. Sou um dos maiores entusiastas do governo, quero muito que dê certo. Mas eu sou mais entusiasta de Canela, quero que Canela entre nos trilhos.

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