CANELA – A Associação dos Moradores do Bairro Leodoro de Azevedo, se transformou em um espaço de acolhimento, amizade e promoção da saúde para a comunidade com o Projeto Florescer 50+. A iniciativa, que começou oficialmente na semana passada, nasceu a partir dos grupos de atividade física desenvolvidos desde fevereiro de 2025 na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro.
Coordenado pelo professor de educação física Alexandre Lazzarotto, o projeto busca combater a solidão, estimular a convivência e promover saúde mental e bem-estar para pessoas acima dos 50 anos. Segundo Alexandre, a proposta surgiu após perceber que muitos moradores passavam grande parte do tempo sozinhos em casa.
“Percebemos muitos usuários isolados, com excesso de tempo de tela [celular] e pouca convivência social. Então surgiu a ideia de criar um espaço de integração, amizade e acolhimento”, explicou.
Atualmente, o grupo de exercícios físicos já conta com 102 participantes divididos em dois horários na Escola João Alfredo. Agora, o Florescer 50+ amplia esse trabalho com rodas de chimarrão, atividades manuais, jogos de cartas, conversas e troca de experiências. “O objetivo é aproximar as pessoas, favorecer as relações interpessoais e combater um dos grandes problemas da atualidade, que é a solidão”, destacou Alexandre.
O projeto é aberto para toda a comunidade de Canela, sem necessidade de inscrição prévia e sem custos.

Saúde além do físico
A agente comunitária de Saúde Janaína dos Santos contou que a iniciativa surgiu a partir da realidade observada nas visitas domiciliares. “A gente vê muito idoso sozinho em casa. Então pensamos em criar algo que ajudasse essas pessoas a saírem, conviverem e ocuparem a mente”, afirmou.
Ela destaca que o grupo ainda está crescendo, mas já demonstra resultados positivos. “Esperamos que o número de participantes dobre. Quem vem gosta das atividades e acaba convidando outras pessoas”, comentou.

Novas amizades e autoestima
Entre as participantes está Maria Adelina Rossi, moradora do bairro Leodoro de Azevedo. Além de participar das atividades físicas, ela passou a ensinar crochê no grupo. “Nunca tinha ensinado ninguém. Estou ensinando pela primeira vez e as alunas estão aprendendo”, contou. Ela produz peças como gorros de bebê que são destinados para doações.

Outro depoimento emocionante foi o da professora aposentada Amália Beatriz Castilhos dos Santos, moradora do bairro Maggi. “Depois da aposentadoria vem aquela preocupação: o que fazer? Aqui encontramos amizade, socialização e autoestima. Isso faz bem para a mente e para a alma”, relatou. Amália também participa das oficinas de costura e tricô.

Projeto ajuda no combate à depressão
Um dos grandes exemplos de impacto positivo do projeto também aparece nos relatos de participantes que enfrentavam problemas emocionais graves, contados pelos próprios usuários. Um destes é o morador do Leodoro de Azevedo, Flávio Vili Thomas que contou que chegou ao grupo enfrentando depressão profunda.
“Para mim foi uma salvação. Eu tinha medo até de sair de casa. Aqui encontrei união, amizade e apoio”, disse. Segundo ele, a convivência diária fez diferença na recuperação. “Melhorou 100%. Indico para qualquer pessoa que esteja precisando”, afirmou.

Uma das mais aguardadas para chegar na tarde de quarta-feira (13), ao projeto foi Já Rosana Rossi. Considerada a melhor jogadora de canastra do grupo, ela leva as cartas e ao chegar no local, as parcerias do carteado já estavam esperando ansiosamente. Entre uma jogada e contagem das cartas, ela conversou com a reportagem do Jornal Integração e definiu o projeto como sinônimo de vida. “Isso aqui é saúde. Essa convivência me tirou praticamente de tudo que eu tinha de ruim. Hoje durmo melhor e me sinto muito bem”, destacou.

Prevenção e promoção da saúde
Além da integração social, Alexandre ressalta que o trabalho já apresenta reflexos importantes na saúde dos participantes.
“Nós diminuímos em cerca de 89% a procura por atendimentos relacionados ao sedentarismo e à solidão entre os participantes mais antigos do grupo”, revelou.
O professor explica que a proposta trabalha a saúde de forma integral. “O exercício físico faz parte do projeto, mas o Florescer complementa isso trabalhando o lado biopsicossocial das pessoas”, afirmou.
Como participar
O Projeto Florescer 50+ acontece nas quartas e sextas-feiras, a partir das 14h, na Associação dos Moradores do Bairro Leodoro de Azevedo. Não é necessário realizar inscrição prévia e a participação é gratuita.
Já os grupos de atividade física funcionam na Escola João Alfredo, mediante avaliação realizada na UBS do bairro Leodoro de Azevedo. A iniciativa conta com apoio da Secretaria de Saúde, da Escola João Alfredo e da Associação de Moradores do Bairro Leodoro de Azevedo.










