InícioGeralGramado e CanelaFOTOS: Obras de recuperação do bairro Piratini começam em Gramado

FOTOS: Obras de recuperação do bairro Piratini começam em Gramado

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GRAMADO – O prefeito, Nestor Tissot, participou do programa Chimarrão e Atualidades, apresentado pelo jornalista Cláudio Scherer, de segunda a sexta-feira, das 7h às 8h, na página do Jornal Integração no Facebook e pelo site www.leiafacil.com.br, para levar aos ouvintes uma importante informação sobre a recuperação do bairro Piratini.

A Prefeitura de Gramado acompanhou, no dia 1º de setembro, o início dos trabalhos da empresa vencedora da licitação para a recuperação das vias do bairro, uma das regiões atingidas pelas enchentes provocadas pelo grande evento climático ocorrido no município em maio de 2024.

A primeira intervenção ocorre na Rua Guilherme Dal Ri, onde será construído um muro de contenção (gabião) para garantir a estabilidade e segurança da via. Conforme Nestor, o maquinário já está preparando o terreno e, a partir da próxima segunda-feira, as equipes responsáveis pela construção do muro deverão iniciar os trabalhos.

Paralelamente, terá início a obra na Rua Henrique Bertolucci Sobrinho, que receberá uma cortina de concreto armado, solução semelhante à utilizada na região dos Três Pinheiros. O prefeito explicou que se trata de uma intervenção mais delicada e complexa, mas com possibilidade de execução rápida. Na sequência, será realizada a recuperação da Rua Afonso Oberher, onde, segundo ele, a intervenção será de menor complexidade.

Ao final das intervenções estruturais, as ruas receberão o recapeamento necessário para que possam ser liberadas completamente recuperadas. “100% recuperadas”, afirmou o prefeito, ao destacar que a conclusão das obras deverá trazer mais tranquilidade e segurança para os moradores do Piratini.

Foto: Jornal Integração/JIH – Prefeito de Gramado Nestor Tissot

Quase um ano de estudos

Nestor Tissot também explicou aos ouvintes do programa os motivos da demora para o início das obras. Segundo ele, foi necessário aguardar a redução das chuvas e realizar estudos do solo antes da definição das soluções técnicas.

O prefeito ressaltou que cada uma das ruas terá um projeto diferente, levando em consideração fatores como declive, características e composição do solo e as necessidades específicas de cada local. Após os estudos, foram elaborados os projetos, encaminhados para análise e aprovação da Defesa Civil em Brasília, com posterior liberação dos recursos. Somente depois desse processo a Prefeitura pôde realizar a licitação.

“Chegou o momento muito esperado”, destacou Nestor, manifestando satisfação com o início das obras e afirmando acreditar que a comunidade do Piratini também aguardava ansiosamente pela recuperação das vias.

Ao final da participação no Chimarrão e Atualidades, o prefeito agradeceu a compreensão dos moradores diante da demora e afirmou que a atual administração pretende acompanhar a execução até a conclusão dos trabalhos. “Na nossa gestão, não tem obra inacabada”, declarou.

Foto: Jornal Integração/JIH – Obras serão realizadas em áreas atingidas

 “Graças a Deus”

A reportagem do Jornal Integração e do portal Leia Fácil esteve no local e testemunhou o início das obras de reconstrução daquela área. Na manhã de quarta-feira, uma máquina já trabalhava no local, marcando o começo de uma recuperação aguardada há mais de dois anos.

Conversamos com moradores das proximidades, que testemunharam a catástrofe de maio de 2024 e agora aguardam ansiosos pela recuperação da Rua Henrique Bertoluci, importante ligação do bairro com o Centro. Para eles, a obra representa também a possibilidade de, aos poucos, deixar para trás as lembranças daquela tragédia.

A expressão mais repetida pelos moradores ao comentar o início dos trabalhos é uma só: “Graças a Deus.”

Uma dessas pessoas é Iracema de Castro, que mora com a família no local. A residência onde vive foi a primeira a permanecer de pé, enquanto uma segunda moradia existente no mesmo terreno acabou sendo atingida pelo deslizamento.

“Graças a Deus que ninguém se machucou”, comentou. “Eles irão fazer um muro ali na minha divisa e isso vai ser muito bom”, comemorava Iracema, enquanto varria e organizava a frente da casa.

Com a simplicidade de quem quer ver novamente o lugar onde mora recuperado, ela resumiu seu desejo em poucas palavras: “Tem que deixar tudo bonito.”

Para quem viveu de perto os acontecimentos de maio de 2024, o início das obras representa muito mais do que máquinas e concreto. É a esperança de recuperar a segurança, a tranquilidade e, principalmente, a rotina de uma comunidade que espera voltar a utilizar normalmente uma das principais vias de acesso ao bairro.

Foto: Jornal Integração/JIH – Locais seguem sendo monitorados

Havia vertentes no local do deslizamento

Obviamente, a pergunta que sempre surge é: por que ali? O que houve? Afinal, há tantos locais “piores” e, claro, ninguém consegue explicar totalmente o que aconteceu, ainda que os técnicos em geologia tentem encontrar as respostas.

Os moradores ouvidos pelo Integração na manhã de ontem, 2 de setembro, contam que o local onde teve início o deslizamento que devastou mais de 30 terrenos e casas antigamente era encharcado. Iracema de Castro conta que havia tanta água, e tão limpa, que as crianças chegavam a se banhar no local durante as brincadeiras.

O deslizamento começou na Rua Henrique Bertoluci, justamente em um ponto onde, segundo uma moradora vizinha, “sempre” havia umidade. Ela conta que a presença constante de água chegava a provocar problemas frequentes no asfalto.

A partir dali, o deslizamento foi se alargando e avançou pelo terreno, arrastando tudo até a rua de baixo, a Guilherme Dal Ri.

Esse trecho deverá ser reconstituído e, futuramente, poderá ser transformado em uma área de lazer ou até mesmo destinado como reserva ambiental. A Prefeitura pretende construir uma praça no local. Neste momento, porém, a prioridade são as ruas e a recuperação da estrutura viária atingida.

Foto: Prefeitura de Gramado/Divulgação – principais entulhos já foram retirados, mas ainda permanecem muitos vestígios que carregam histórias e lembranças dos antigos moradores

Histórias de vida nunca se apagam

Na área devastada, os principais entulhos já foram retirados, mas ainda permanecem muitos vestígios que carregam histórias e lembranças dos antigos moradores. Alguns muros, pisos e outras estruturas continuam ali, como marcas do que existia antes.

Esses restos deverão ser retirados somente em uma segunda etapa, quando avançarem as demais obras previstas para a área.

Por enquanto, permanecem ali não apenas pedaços de construções, mas fragmentos da vida de quem um dia chamou aquele lugar de casa. Pessoas que nasceram e cresceram ali, construindo suas histórias, seus sonhos, seus cantinhos de lazer, estudo e descanso, os espaços das festas de família, dos encontros e de tantos momentos que fizeram parte de suas vidas.

Mesmo o olhar de alguém que não viveu naquela comunidade consegue perceber quanto de história ficou para trás. E, na verdade, são histórias que nunca se apagarão.

Nada apaga a memória.

É claro que esses moradores têm muito a agradecer, principalmente pelo fato de que, em meio a uma tragédia de tamanha proporção, ninguém tenha se ferido ou perdido a vida. Mas isso não significa que as lembranças também tenham sido levadas pelo deslizamento. Elas permanecem. Estão nas fotografias, nas recordações, nas conversas de família e, agora, também nos poucos pedaços que ainda restam daquele lugar.

A Prefeitura indenizou os terrenos, permitindo que essas famílias possam começar uma nova história em outro local. Mas reconstruir uma casa pode ser uma questão de tempo. Reconstruir uma vida, recuperar os vínculos e deixar para trás tudo aquilo que foi vivido durante anos é outra coisa.

Certamente, isso levará muito mais tempo.

Porque terrenos podem ser indenizados, casas podem ser reconstruídas e ruas podem ser recuperadas. Mas histórias de vida nunca se apagam.

Um total de R$ 13 milhões serão investidos

A empresa GEOX Geotecnia e Engenharia de Obras realizou o descarregamento do maquinário pesado no local para dar início às intervenções de contenção e reconstrução da área afetada na terça-feira, dia 1º.

A obra será realizada por etapas, com investimento superior a R$ 13 milhões, por meio do Governo Federal e contrapartida do município. O projeto abrangerá uma área total de 13,5 mil metros quadrados, incluindo a reconstrução de trechos das ruas Henrique Bertoluci (120m), Guilherme Dal Ri (150m) e Afonso Oberherr (70m). As soluções de engenharia preveem a aplicação de solo grampeado, cortina atirantada, cortina de estacas justapostas, muros de gabião e nova pavimentação.

Executada em etapas, a primeira fase das obras no Piratini Norte tem prazo de conclusão estimado em 18 meses.

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