CANELA – A Semana da Inclusão que se encerou no final da semana passada proporcionou aos estudantes uma experiência de aprendizado que vai além da sala de aula. Durante as atividades realizadas na Apae de Canela, alunos de escolas do município participaram de palestras e oficinas sensoriais voltadas à diversidade, à acessibilidade e às diferentes formas de comunicação.
Entre as atividades, os estudantes tiveram contato com o sistema Braille, o alfabeto datilológico, a Língua Brasileira de Sinais (Libras), materiais relacionados à natureza e atividades voltadas à neurodivergência. A proposta é permitir que as crianças conheçam, de maneira prática e lúdica, diferentes recursos utilizados no processo de inclusão.
A especialista em Libras Raquel Machado participou da programação com uma palestra sobre diversidade e inclusão. Segundo ela, a iniciativa foi organizada para que todos pudessem participar e conhecer diferentes ferramentas de acessibilidade.
“Eu vim para fazer uma pequena palestra para eles, falando sobre o tema de diversidade e inclusão. Nós organizamos aqui para todos participarem e aproveitarem algumas oficinas sensoriais”, destacou Raquel.
As oficinas foram organizadas em mesas temáticas. Em uma delas, os estudantes tiveram contato com o Braille; em outra, conheceram o alfabeto datilológico e recursos relacionados à Libras. Também foram desenvolvidas atividades envolvendo natureza, materiais não estruturados e neurodivergência.
De acordo com Raquel, os materiais foram adaptados para facilitar a compreensão e tornar a experiência mais significativa para os alunos. A receptividade das crianças também chamou a atenção durante a atividade, principalmente pela curiosidade demonstrada diante de recursos com os quais muitas delas ainda não haviam tido contato.
“Todos estão se divertindo muito, estão gostando. Eles estão questionando, fazendo perguntas, aproveitando para aprender um pouquinho sobre como é esse mundo, diferente e lindo”, relatou a especialista.

Inclusão no ambiente escolar
Para Raquel Machado, um dos principais desafios enfrentados atualmente está relacionado à disponibilidade de materiais pedagógicos adaptados às necessidades dos estudantes com deficiência.
Segundo ela, não basta apenas o conhecimento sobre inclusão. É necessário garantir recursos adequados para que o aluno consiga acompanhar as atividades e desenvolver seu aprendizado dentro da sala de aula.
“Muitas vezes a gente olha… materiais pedagógicos adaptados para o aprendizado deles, porque esses materiais, quando vêm, eles vêm com uma visão diferenciada e eles precisam de algumas coisas mais específicas dentro da inclusão”, explicou.
A especialista ressalta que a ausência desses recursos pode fazer com que o estudante tenha dificuldades para acompanhar as atividades. Por outro lado, quando as adaptações necessárias são realizadas, o sentimento de pertencimento e inclusão é ampliado.
“Quando essas adaptações são feitas, eles se sentem totalmente incluídos. Então eu acho que o nosso maior desafio não é nem a questão do não saber pouco, e sim a falta de algumas coisas que eles têm necessidade dentro da sala de aula para o seu maior entendimento”, afirmou Raquel.
Crianças aprendem na prática
Além de transmitir informações, a programação busca estimular a convivência e o respeito às diferenças desde os primeiros anos escolares. A presença dos estudantes nas atividades permite que eles compreendam que existem diferentes maneiras de se comunicar, aprender e interagir.
Durante a Semana da Inclusão, as crianças demonstraram curiosidade e participaram ativamente das propostas. Para Raquel, esse contato é fundamental para ampliar o conhecimento e ajudar a construir uma sociedade mais inclusiva.
“Mais do que ensinar Libras ou apresentar o Braille, a iniciativa promoveu uma reflexão sobre acessibilidade e igualdade de oportunidades. Ao conhecer os recursos e as necessidades de diferentes pessoas, os estudantes passam a compreender que inclusão significa garantir condições para que todos possam participar e aprender”, definiu.










