CANELA – O presidente da Câmara de Vereadores de Canela, Felipe Caputo (PSDB), utilizou a tribuna na sessão de segunda-feira (24), para se manifestar sobre um boletim de ocorrência registrado pela diretora da EMEF Noeli Silva de Azevedo e Souza, envolvendo sua conduta durante uma visita à escola. A ocorrência foi registrada na Polícia Civil no dia 18 de agosto, sob a natureza de possível crime de abuso de autoridade. No documento, a diretora relata que Caputo teria ingressado na escola acompanhado de quatro mães de alunos e que, durante a visita, teria solicitado que ela se sentasse diante delas, com o objetivo de realizar uma espécie de “acareação” informal, o que lhe causou constrangimento.
Na tribuna, Caputo apresentou uma versão diferente dos fatos. Disse que sua presença na escola ocorreu depois de receber denúncias relacionadas à instituição e que, como vereador, entende ser sua obrigação fiscalizar e encaminhar ao Executivo situações que chegam ao seu conhecimento. Afirmou que seu assessor acompanhou e gravou uma reunião do CPM realizada no dia 13 de agosto e posteriormente produziu um relatório, a partir do qual ele passou a questionar algumas situações envolvendo a escola.
Segundo o vereador, durante aquela reunião havia uma mãe acompanhada de uma criança, que teria relatado situações ocorridas na escola. Posteriormente, conforme seu relato, a mãe procurou Caputo dizendo que a criança teria ficado abalada após uma conversa com a diretora. Foi então que ele decidiu acompanhá-la até a escola para tentar esclarecer a situação. Outras duas mães também teriam acompanhado a visita. Caputo afirmou que “o foco é a criança” e que sua intenção era buscar uma solução para o problema.
O presidente da Câmara também contestou a versão apresentada no boletim de ocorrência. Disse que a reunião foi integralmente gravada e que e o áudio, segundo ele, demonstrariam que não houve abuso de autoridade ou qualquer atitude de perseguição. Caputo afirmou ainda que já havia encaminhado o material a vereadores e veículos de imprensa para que os fatos possam ser analisados, pois na reunião não houve qualquer tom agressivo e que a gravação feita por conta por uma das mães, sem que ele, ou a diretora soubessem, comprovam isso. Caputo acrescentou que recebeu mensagens posteriores a esta reunião da diretora em que ambos estavam bem resolvidos e que não sabe a pretensão dela agora com a queixa na delegacia.
Caputo ressaltou que o pedido de informações sobre a escola foi protocolado no dia 17 de agosto, um dia antes do registro da ocorrência, e que sua cobrança é dirigida à Secretaria Municipal de Educação. Para ele, isso demonstra que sua atuação decorre do exercício da função fiscalizadora e não de uma tentativa de perseguir a diretora.
O vereador também fez questão de dizer que o fato de ser integrante da base do governo não significa que deixará de fiscalizar. “Não é porque eu sou situação que eu tenho que falar amém para tudo”, relatando que já havia encaminhado as denúncias contra a diretora à Secretaria de Educação, mas o caso não teve solução. Disse que continuará cobrando providências quando receber denúncias e que sua obrigação é exercer o mandato para o qual foi eleito, independentemente de posições políticas.
A ocorrência registrada pela diretora e as explicações apresentadas pelo vereador colocam agora os fatos sob análise das autoridades competentes. Caputo nega ter cometido abuso de autoridade, sustenta que a gravação da reunião poderá esclarecer o que efetivamente ocorreu e questiona a intenção da diretora. A diretora acabou pedindo rescisão do cargo, e o caso está na Secretaria de Educação para solução.










