InícioSaúdeGramado e Canela“Não normalizem sentir dor”, alerta ginecologista da Unimed Serra Gaúcha

“Não normalizem sentir dor”, alerta ginecologista da Unimed Serra Gaúcha

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REGIÃO – Estima-se que uma em cada 10 mulheres conviva com a endometriose no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE). A doença impacta a qualidade de vida de cerca de 8 milhões de brasileiras, de acordo com o Ministério da Saúde, provocando dores intensas durante o período menstrual e podendo levar à infertilidade em até 30% dos casos.

Durante o Março Amarelo, mês de conscientização sobre a endometriose, a Unimed Serra Gaúcha reforça o alerta para sintomas que ainda são frequentemente normalizados, como cólicas intensas e dores pélvicas recorrentes.

A ginecologista cooperada da Unimed Serra Gaúcha, Fernanda Castilhos Bosi, explica que a doença acontece quando um tecido semelhante ao endométrio (camada que reveste o interior do útero) passa a se desenvolver fora do órgão.

“A endometriose é uma doença inflamatória crônica. Esses focos podem surgir nos ovários, nas trompas, nos ligamentos que sustentam o útero, na bexiga ou no intestino, principalmente na região da pelve. Esse tecido responde aos estímulos hormonais do ciclo menstrual da mesma forma que o endométrio dentro do útero, o que provoca inflamação, sangramentos e dor”, contextualiza.

Segundo a Fernanda, muitas mulheres ainda convivem com esses sinais por anos sem buscar ajuda médica. “A endometriose é uma doença muito heterogênea, que pode se manifestar de formas diferentes em cada paciente. Muitas mulheres descobrem a endometriose durante a investigação da infertilidade. Às vezes elas não apresentam dor, mas a doença pode impactar diretamente o futuro reprodutivo. O que precisamos reforçar é que não é normal sentir dor intensa durante a menstruação, dor na relação sexual ou desconfortos frequentes na região pélvica. Esses sintomas precisam ser investigados”, alerta.

Foto: Unimed Serra Gaúcha/Freepik/Reprodução – Médica reforça importância do diagnóstico precoce

Diagnóstico e tratamento

Segundo a médica cooperada da Unimed Serra Gaúcha, os casos de endometriose estão se tornando cada vez mais comuns, tanto na adolescência quanto na fase adulta.

“O que mudou nos últimos anos foi o acesso à informação. As mulheres estão mais atentas aos sintomas e procuram ajuda médica com mais rapidez. Além disso, fatores relacionados ao estilo de vida também podem contribuir para o desenvolvimento ou agravamento da doença”, explica.

Ainda de acordo com Fernanda, atualmente, o diagnóstico pode ser feito por meio de exames de imagem especializados, sem necessidade de cirurgia na maioria dos casos. Entre os principais estão a ecografia transvaginal com preparo intestinal e tecnologia 3D e a ressonância magnética com preparo intestinal.

“Muitas vezes, a ecografia transvaginal comum não identifica as lesões causadas pela endometriose, por isso um exame normal não descarta a doença. O tratamento precisa ser individualizado. Em alguns casos utilizamos anticoncepcionais para bloquear o ciclo menstrual e reduzir os sintomas. Em outros, quando há infertilidade, podem ser indicadas técnicas de reprodução assistida ou cirurgia”, afirma.

A especialista destaca ainda a importância de um cuidado multidisciplinar. “Alimentação equilibrada, prática de atividade física, controle do estresse e qualidade do sono ajudam a reduzir a inflamação do organismo e contribuem para a melhora da qualidade de vida. Procurem um especialista, não normalizem sentir dor”, conclui.

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