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Editorial | A flor que acompanha o caminho

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Poucas flores conseguem representar tão bem uma cidade quanto a hortênsia representa Gramado. Não apenas pela beleza exuberante, mas pelo significado que carrega.

Enquanto muitas espécies florescem por poucos dias, a hortênsia permanece. Sua floração atravessa meses, geralmente de novembro até o fim do verão, enfrentando chuva, calor, vento e as constantes mudanças do clima da Serra. Durante esse período, muda de tonalidade, mas nunca perde o encanto. Talvez esteja justamente aí a sua maior mensagem: permanecer bela mesmo diante das transformações.

Essa também é a história de Gramado.

À medida que o município cresceu, o asfalto avançou para o interior, ligando comunidades antes distantes ao centro da cidade. E, junto com cada nova estrada, vieram milhares de novas mudas de hortênsias. Todos os anos, equipes da Prefeitura realizam o replantio ao longo das rodovias e estradas rurais, transformando barrancos e acostamentos em verdadeiros corredores floridos. A modernidade chegou sobre o asfalto, mas sem abrir mão da beleza que identifica a cidade. Além disso, a população se sente inspirada em fazer o mesmo nas suas propriedades.

É um detalhe que talvez muitos visitantes nem percebam conscientemente. Mas sentem. A viagem até Gramado começa muito antes do portal. Ela começa quando as primeiras hortênsias surgem à margem da estrada, anunciando que se está chegando a um lugar onde existe cuidado, planejamento e carinho com cada detalhe.

Não se pode esquecer daqueles que iniciaram essa história, trazendo as primeiras mudas e acreditando que elas se adaptariam ao clima da Serra. Tampouco seria justo deixar de reconhecer quem garantiu sua continuidade, como a saudosa primeira-dama Suzana Bertolucci, que liderou um trabalho permanente de plantio e conservação, fazendo da hortênsia um verdadeiro patrimônio paisagístico de Gramado.

Mais do que uma flor, ela representa um modo de pensar. Ensina que desenvolvimento não significa apenas construir ruas, prédios e avenidas. Significa também preservar a beleza, valorizar a natureza e entender que uma cidade se torna inesquecível quando cuida daquilo que parece simples.

A hortênsia continua florescendo porque alguém, um dia, decidiu plantá-la. E continua encantando porque, todos os anos, alguém volta para cuidar dela.

Talvez seja esse o maior ensinamento desta data: as cidades mais bonitas não são aquelas que apenas crescem. São aquelas que nunca deixam de cultivar a própria essência.

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