GRAMADO – A vereadora e médica Dra. Maria de Fátima (Republicanos) aproveitou a sessão da Câmara de Gramado, na segunda-feira (24), para fazer um alerta sobre a importância dos rins e, especialmente, sobre a estrutura necessária para o funcionamento de um serviço de hemodiálise no município. A manifestação ocorre justamente enquanto o Hospital Arcanjo São Miguel avança na construção e instalação dos equipamentos que deverão permitir o início do serviço em 2027.
Maria de Fátima explicou que os rins funcionam como filtros do organismo, sendo responsáveis pela eliminação de substâncias e do excesso de algumas substâncias presentes no corpo. Segundo ela, diabetes e hipertensão estão entre as principais causas de insuficiência renal, mas também chamou atenção para o uso excessivo de medicamentos anti-inflamatórios, comuns no tratamento de dores na coluna, joelhos e ombros.
A vereadora falou a partir também de uma experiência pessoal. Contou que ela e o marido perderam um amigo que necessitava de hemodiálise e que, em determinado momento, ele permaneceu por quatro meses na UTI. Segundo seu relato, a falta de disponibilidade de equipamento para hemodiálise foi um dos fatores que dificultaram a transferência do paciente para o quarto.
Não é apenas instalar uma máquina
Um dos principais pontos destacados pela médica foi mostrar que uma unidade de hemodiálise exige uma estrutura altamente especializada. “Não é uma máquina de café que você liga na tomada”, explicou, ao ressaltar que o serviço precisa obedecer a uma série de normas e passar por avaliações e autorizações dos órgãos competentes.
Entre as exigências estão sala adequada para os tratamentos, espaço para circulação dos profissionais, posto de enfermagem, sala de emergência, equipamentos para atendimento de parada cardíaca e um sistema específico de tratamento da água. Maria de Fátima destacou especialmente esse último ponto: a água utilizada na hemodiálise precisa passar por um complexo processo de purificação, com filtros, carvão ativado, abrandador e osmose reversa.
A médica explicou que cada paciente pode utilizar entre 100 e 150 litros de água em uma sessão de aproximadamente quatro horas, o que também exige uma estrutura adequada de esgotamento sanitário.
Além dos equipamentos e da estrutura física, o serviço necessita de médico nefrologista, enfermeiro especializado, técnicos de enfermagem treinados e equipe multidisciplinar, incluindo profissionais de nutrição, assistência social e psicologia. Também são exigidos protocolos de qualidade, biossegurança e equipamentos de emergência.
Ao falar sobre o futuro serviço no Hospital Arcanjo São Miguel, Maria de Fátima ressaltou que a estrutura precisa estar 100% preparada e segura antes de receber o primeiro paciente. Para ela, a instalação da hemodiálise representa uma conquista importante para Gramado, inclusive pela possibilidade de ampliar os serviços oferecidos pelo hospital e fortalecer sua capacidade de atendimento.
“Nosso amigo, meu e do meu esposo, morreu por falta de hemodiálise”, lembrou a vereadora, reforçando que sua manifestação não é apenas técnica, mas também nasce de uma experiência pessoal que demonstra a importância de o município contar com o serviço.










