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Editorial – O que realmente fazemos

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Há muita fala sobre o empoderamento da mulher, sobre redes de proteção e auxílio às que precisam. Tem até uma lei estadual para que aquela que pensa que possa ser agredida um dia pelo companheiro tenha o direito de ir a uma instituição de segurança pública, como a Brigada Militar ou a Polícia Civil, e pedir preparação para autodefesa. É uma falação tão grande que o que de fato importa acaba ofuscado.

Primeiro, deveríamos até nos perguntar o que eu mesmo já fiz para melhorar a vida de uma mulher. Uma ação concreta.

Em segundo lugar, vem uma lista de perguntas: o que é feito pela mãezinha que tem de pegar dois, ou até três, ônibus para chegar ao serviço, o primeiro para deixar o filho na escola e o segundo para ir ao trabalho? O que é feito para que a menina tenha acompanhamento ginecológico na puberdade? O que é dito às mulheres nos postos de saúde além de: “Não tem ginecologista, não tem pediatra”?

Tem certos discursos que fazem pessoas desavisadas imaginarem que, se houvesse mais mulheres vereadoras, deputadas, todos os problemas estariam resolvidos e esquecem até que tivemos recentemente uma mulher de presidente, eleita para dois mandatos. Aí chega-se ao cúmulo de uma primeira-dama, por ser mulher, poder gastar bilhões em viagens e parecer tudo bem.

Vida real:

Ocorrências reais de uma mesma família: há dois meses, no Hospital São Miguel de Gramado, uma mulher com um bebê de um mês, com documento de internação, ficou a noite inteira numa salinha de recuperação, sem que nenhuma outra mulher, ou homem, a conduzisse ao quarto de internação; há três anos, neste mesmo hospital, uma grávida ficou mais de uma hora na emergência aguardando, até que foi quase tarde demais. O bebê já nasceu com parada cardíaca e teve de ser levado às pressas a Caxias do Sul, onde há mais recursos; neste mesmo hospital, há um ano, uma mulher jovem, de 23 anos, ficou das 5 horas até as 8h30min na emergência, até que foi procurar recurso por conta própria, sem ter sido atendida; esta semana, em um posto de saúde em Nova Petrópolis, uma mulher de 90 anos, após passar pela triagem, teve de aguardar quatro horas para ser atendida por uma médica (mulher), porque o caso não era considerado grave.

A reflexão que fazer é sobre o que pode ser feito para melhorar a vida da mulher sem que seja por lei, por obrigação, e que seja feito por outra mulher ou por um homem. Imagina-se que, se fizermos pequenas coisas, que não custam nada, por pura iniciativa humana, muitas leis deixarão de ser necessárias. Que isso seja feito especialmente por aqueles e aquelas profissionais que estão ali para isso, apenas com um olhar mais humano. Que as autoridades, presidentes, governadores e parlamentares incentivem a formação de profissionais como pediatras e ginecologistas. Que as mulheres trabalhadoras, honradas, sejam apenas respeitadas como tal e alcancem seus direitos sem precisar gritar, discutir ou ser tratadas como coitadinhas. Que cheguem a uma delegacia e sejam ouvidas; na Defensoria, no Judiciário, na escola, e principalmente, no hospital.

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