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Metronização do ônibus: vamos resgatar esse termo.

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Recentemente, o jornal Diário do Grande ABC divulgou uma matéria a respeito da possibilidade de alteração do projeto de transporte coletivo entre a região do ABC e a capital paulista, saindo de cena o monotrilho e entrando na pauta o sistema de BRT, realizado pelo ônibus. Questiona-se a viabilização dessa troca, onde o modal sobre trilhos se mostra superior ao modelo sobre pneus, sendo muito mais produtivo e atrativo.

Pois bem. O monotrilho descrito no referido projeto será nas alturas, longe das intempéries do trânsito e do clima, afinal, estará longe da superfície se houver algum alagamento causado por forte chuva, algo comum na região onde será implantado o corredor de transporte. Outro detalhe observado é que sistemas sobre trilhos têm uma alta capacidade de urbanização das áreas onde estão envolvidos.

Vamos aos fatos. O ônibus tem o potencial de se enquadrar no cenário urbano de uma maneira bem satisfatória para qualificar o transporte coletivo, bastando um ajuste em sua operação por meio da “metronização”, conceito com uma visão diferenciada e atrativa em seus serviços, proporcionando ao modal as mesmas características e atenções que os sistemas férreos recebem. “Metronizar” é um termo criado pelo arquiteto Jaime Lerner para definir a prioridade e o caráter ao ônibus urbano, dando-lhe velocidade, desempenho e modernidade alcançados com um uma infraestrutura exclusiva.

É necessário o entendimento, seja da sociedade ou de poderes públicos, que o modal ônibus tem condições de suprir as carências do transporte público. Lembrar constantemente que o veículo precisa evoluir se quiser contribuir com o deslocamento das pessoas deve ser uma palavra de ordem. A renovação de sua imagem é necessária para aquelas cidades que buscam o melhor caráter aos seus sistemas de mobilidade, mas que não contam com altos recursos financeiros para viabilizar uma linha de metrô.

 

Precisamos de eficiência e previsibilidade

O referido artigo cita que, na França, todas as cidades já contam com redes ou estão implantando sistemas sobre trilhos. A probabilidade para que isso ocorra ainda levará um bom tempo, pois, apesar de ser um país com possibilidades de investimentos, a demanda por recursos é bem alta e exige equilíbrio nas medidas. Neste texto não reside qualquer dúvida a respeito da eficácia do transporte coletivo sobre trilhos. Longe de querer defender apenas um modal na composição de uma mobilidade sustentável e viável. Uma rede com vários modelos de deslocamento é a ideal no contexto urbano. E o ônibus pode cumprir um papel diferenciado nesse desafio diário que é o desenvolvimento.

Sistemas bem estruturados e planejados de ônibus podem atingir índices satisfatórios de operação com menores custos (até 20% do valor total de implantação de uma linha metrô, podendo transportar até 35 mil passageiros hora/sentido), desde que atendam alguns requisitos básicos, como a implantação de vias exclusivas e feitas por materiais adequados ao uso, como concreto, por exemplo; prioridade em interseções; pagamento antecipado das tarifas em estações fechadas; uso de veículos maiores e com portas mais largas; layout veicular interno atrativo; gestão eficiente; comunicação; subsídio (por que não?). Em resumo: eficiência e previsibilidade.

Por que não determinar aos ônibus os mesmos méritos que os sistemas de metrôs ou o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) possuem? Os modais sobre trilhos são sempre valorizados por suas imagens de vanguarda e o ônibus continua sem ter um devido reconhecimento, apesar de seu cunho de sustentabilidade ambiental conquistado pela sua versatilidade em propulsão (diga-se tração elétrica ou com biocombustíveis) e pela flexibilização operacional. É preciso repensar os conceitos para promover o resgate de um modal que anda com uma representação nada positiva. Mãos à obra.

 

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