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ÁUDIO E VÍDEO: Nestor Tissot revela problemas e planos futuros

Nicolas Felippetti

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O município de Gramado, conhecido por seu turismo e pela indústria do chocolate, enfrenta agora um cenário de calamidade pública após todo o Rio Grande do Sul ser atingido por chuvas intensas, deslizamentos de terra e enchentes. Gramado não foi exceção, com deslizamentos de proporções devastadoras e um total de 7 mortes causadas pelas tragédias climáticas. Para trazer uma visão detalhada dos desafios enfrentados pela cidade e os planos de reconstrução do município, o prefeito Nestor Tissot concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal Integração.

O mandatário descreveu a situação como um verdadeiro desastre ambiental que não poupou nenhum canto do Rio Grande do Sul, afetando severamente também a cidade. Ele enfatizou que o solo em muitas áreas ainda está em movimento, mesmo após o término das chuvas, o que representa um perigo contínuo para os moradores. Ressaltou que todos os setores estão trabalhando incansavelmente para manter a normalidade do funcionamento no município.

Tissot destacou os resgates e acomodações dos moradores desabrigados como os aspectos mais desafiadores. Mencionou o momento dos deslizamentos que provocaram sete mortes como o mais difícil. “As notícias dos deslizamentos das duas áreas foram o momento que nos tirou do chão. Perdemos amigos. Na Linha Pedra Branca, nós tínhamos ido até lá uma semana antes para combinar melhorias na sede social deles. É uma comunidade pobre, pequena e que tem muitas dificuldades, vai ser uma difícil recuperação”.

O prefeito assegurou que todos os desabrigados estão sendo assistidos, com alguns encontrando abrigo em casas de familiares e outros em abrigos municipais. No entanto, reconheceu que a situação é extremamente difícil para todos os envolvidos, especialmente para aqueles que perderam entes queridos e suas residências.

Infraestrutura do município

Além dos impactos humanos, a infraestrutura da cidade sofreu danos significativos. Estradas bloqueadas, postes de eletricidade danificados e deslizamentos de terra foram alguns dos desafios mencionados pelo prefeito. Com um total de 148 áreas monitoradas pelo município, Tissot revelou que antes das chuvas, apenas 6 pontos eram monitorados, desde novembro, devido a temporais.

O prefeito também destacou que as principais estradas que ligam os municípios de Gramado e Canela, onde moram grande parte dos trabalhadores do município, também estão sendo castigadas. A Avenida das Hortênsias foi duramente atingida pelos deslizamentos, assim como a Rua Emilio Leobet (estrada velha), que também vem sofrendo com os mesmos problemas.

Ele enfatizou que são áreas que nunca tiveram movimentos parecidos. As principais frentes de trabalho agora são as áreas que afetam diretamente o município, e Tissot reforçou a necessidade urgente de restaurar a energia elétrica e o abastecimento de água.

No que diz respeito à reconstrução, citou a necessidade de realizar obras de contenção para prevenir novos deslizamentos, enfatizando a importância de realizar estudos geológicos abrangentes para orientar as intervenções futuras e evitar desperdício de recursos.

Tissot ressaltou que todo o dinheiro possível será remanejado para áreas prioritárias nesses momentos, mas que precisa respeitar os 25% de recursos destinados para a educação e 15% para a saúde, além dos recursos federais que já foram solicitados e devem ser destinados exclusivamente para a área específica.

Volta para casa e relocação de desalojados

Sobre as pessoas desalojadas, Nestor ressaltou que estão sendo feitos estudos e análises das áreas, aguardando os níveis de água no solo normalizarem. Enfatizou que somente quando as condições e projetos elaborados pelos técnicos forem autorizados, poderão realmente ser executados. Por enquanto, tudo está sendo discutido. “Temos que verificar na legislação o que é obrigação do município e tentaremos cumprir tudo isso à risca.”

Sobre ações, ele pretende tomar medidas objetivas e rápidas para os desalojados. Destacou que ainda não há um número exato de áreas que precisarão ser desapropriadas. A ideia prática é desapropriar as áreas de risco e pagar as famílias que tenham escrituras naquele local, para que possam reconstruir em lugares mais seguros. Ele ressaltou que dessa forma poderiam liberar projetos e licenças através da prefeitura, além de auxiliar na terraplanagem com maquinários, caso seja necessário, facilitando assim a vida das pessoas.

O prefeito delineou planos para realocar as famílias em áreas seguras e desapropriar terrenos em risco, oferecendo indenizações para permitir que os moradores reconstruam em locais mais seguros.

Economia e Turismo

O setor do turismo, principal ponto econômico do município, também foi duramente atingido. Com o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, previsto para permanecer fechado pelo menos até o final de maio, e a malha terrestre bastante prejudicada com bloqueios nas principais estradas, o prefeito expressou preocupações sobre o impacto nas empresas locais e discutiu estratégias para atrair visitantes quando a cidade estiver pronta para recebê-los novamente.

Tissot destacou a preocupação quanto às empresas do setor turístico e falou sobre a importância de hotéis, restaurantes e parques terem fôlego para se recuperarem financeiramente até o final do ano, época em que o setor turístico deve melhorar. Ele mencionou conversas com o ministro de turismo do país, que também se mostrou preocupado com o setor gaúcho, e revelou sobre uma convocação a todos os deputados federais do Rio Grande do Sul para ver uma possibilidade de destinarem suas emendas para canalizar a recuperação do Estado como um todo, além de uma parcela para o turismo de Gramado.

Nestor inclusive destacou a realização de planos de ações com hotéis, parques e restaurantes em conjunto com a prefeitura para continuar atraindo turistas para a cidade. Mencionou a elaboração de planos de marketing para mostrar que o município continua em pleno funcionamento e atendendo à demanda turística. Além disso, citou planos para atrair turistas através da malha terrestre, incluindo países vizinhos como Uruguai, Argentina e Paraguai, junto com outros estados não afetados do Brasil.

O prefeito finalizou fazendo um apelo ao trade turístico para colaborar com a prefeitura e realizar diversas ações promocionais para atrair turistas para Gramado, agradecendo a todos que estão colaborando com doações e solidariedade ao Estado neste momento de crise climática e financeira.

Confira abaixo a entrevista completa. Para acompanhar no celular clicar em OUVIR NO NAVEGADOR

A entrevista completa pode ser conferida também na página do Jornal Integração no YouTube

Gramadenses afetados pela chuva terão desconto ou isenção na conta de água

GRAMADO – Nesta sexta-feira (17), o prefeito Nestor Tissot, na presença da procuradora-geral, dra. Mariana Melara Reis, assinou ofício para aderir ao programa da Corsan que oferece apoio aos impactados pelos eventos climáticos. A medida acordada pela companhia, em conjunto com o Ministério Público e a Defensoria Pública estaduais, garante que os afetados por desabastecimento contínuo terão isenção da tarifa básica de maio, pagando apenas pelo consumo. Já os clientes que contam com tarifa social, não pagarão a conta por seis meses.

As formas de solicitação da isenção, bem como os documentos necessários, serão informadas pela Corsan nos próximos dias. “Nessas horas difíceis, essa é mais uma ajuda conjunta que beneficia a nossa sociedade, principalmente as famílias que foram mais atingidas pelos eventos climáticos”, destaca o prefeito Nestor Tissot.

Secretaria da Agricultura e Emater avaliam perdas e planejam reconstrução do meio rural

GRAMADO – Na tarde desta quinta-feira (16), estiveram reunidos o secretário da Agricultura, Marcos Lovato, o adjunto, Eliézer Lima, a extensionista da Emater, Janete Basso, e o presidente do Conselho de Desenvolvimento Rural, Nilo Seewald, para avaliar e discutir as perdas referentes a chuvas intensas, alagamentos, granizo, inundações, enxurradas e vendavais de grande intensidade que atingiram o município e, consequentemente, as áreas rurais, nos últimos meses.

Em laudo circunstanciado produzido pela Emater, estima-se a perda direta na produção rural onde as principais culturas afetadas foram grãos, hortaliças diversas, frutas e a silvicultura. Além disso, as Agroindústrias familiares foram também fortemente afetadas e todas as localidades do interior do município apresentam prejuízos variáveis, como perdas nas lavouras e nas agroindústrias. Observou-se ainda, perdas na infraestrutura das propriedades, residências e estruturas de produção, além da perda de solo. Estima-se ao todo um valor aproximado que pode chegar a 20 milhões de reais em prejuízos.

O levantamento da Emater foi realizado em parceria com a Secretaria da Agricultura e é pontual, considerando o período desde o início da primavera de 2023, até o dia 12 de maio de 2024. “Levantamos estes dados para que, daqui para frente, possamos estudar as medidas que podem ser tomadas com o auxílio dos agricultores, porque mesmo com suas propriedades afetadas, eles não param e seguem firmes e fortes”, destaca Janete.

O secretário Adjunto, Eliézer Lima, afirma que “desde o início, todas as secretarias municipais estão trabalhando para amenizar esses danos e dar celeridade às ações que o agricultor precisa”. Eliézer também faz um apelo: “Mais do que nunca é o momento de consumirmos os produtos da nossa agricultura familiar, cujos produtos estão disponíveis nos Fornos do Centro e da Várzea Grande, Casa do Colono e Feiras Agros”.

Carla Reis pede atenção na zona rural de Canela

CANELA – Durante Sessão Ordinária realizada semana passada, a vereadora Carla Reis (MDB), em uma de suas falas, comentou sobre a situação de calamidade na região se encontra após os fortes temporais atingirem o Rio Grande do Sul e pediu atenção para zona rural. “Nossa cidade está sofrendo com o que ocorreu, mas graças a Deus, o Centro não foi afetado, ao contrário do interior do nosso município”, comentou. 

A parlamentar apresentou alguns dados destacando a importância do interior. “Temos mais de 900 famílias que dependem do interior e aproximadamente 200 famílias que tem vínculo direto com a agricultura e isso são números expressivos”, declarou.

Carla salientou que em alguns locais, será necessária uma força tarefa para sanar os problemas causados pelas chuvas. “Sabemos que as equipes da Secretaria de Obras, assim como vários voluntários vem trabalhando desde o início ocorrido, os quais tem meu agradecimento, porém tem alguns lugares que as pessoas não estão conseguindo acesso ainda, por isso creio que uma mobilização maior até com a contratação de mais máquinas possa ajudar estas pessoas e outros órgãos, como a RGE, pois temos famílias que estão há 15 dias sem luz. Portanto precisamos nos preocupar com o nosso interior”, disse.

Aprovado Projeto de Lei que concede prorrogação dos vencimentos tributários de Canela

CANELA – Foi aprovado de maneira unânime na Câmara de Vereadores o Projeto de Lei, que “Autoriza o Poder Executivo a conceder prorrogação dos vencimentos das parcelas vincendas”, ou seja, tem por finalidade prorrogar as datas de vencimento de créditos tributários e não tributários na cidade, uma vez que foi decretado Estado de Calamidade Pública em Canela, afetadas por deslizamentos.

Luciano Melo lembrou que o Rio Grande do Sul está enfrentando e irá enfrentar ainda muitos desafios impostos pela natureza, com as chuvas intensas, muitas vezes acompanhadas de deslizamentos de terra, o que representam um enorme desafio em termos econômicos e de reconstrução, pois estes eventos não apenas colocam em risco a segurança e a integridade física dos cidadãos, mas também têm impactos significativos em termos socioeconômicos, afetando diretamente a capacidade dos contribuintes em cumprir suas obrigações fiscais. 

Com a ideia de auxiliar a comunidade afetada como um todo, esta medida de prorrogação das datas de vencimento dos créditos tributários surge como uma medida essencial e necessária para mitigar os impactos financeiros sobre os contribuintes que enfrentam dificuldades decorrente desta catástrofe ambiental, e assim auxilia para que o Estado cumpra seu papel de proteger e assistir os cidadãos em momentos de adversidade, promovendo a equidade e a justiça social.

Melo ainda ressaltou que a postergação dos prazos de pagamento dessas obrigações fiscais permite que as empresas e os cidadãos afetados tenham um fôlego financeiro adicional para lidar com as despesas emergenciais decorrentes da situação de calamidade, tais como reparos em residências, reposição de bens perdidos e custos com saúde e segurança. 

Além disso, o vereador lembra que daqui para frente deverá ser analisado o cenário econômico detalhadamente, e talvez, o Poder Executivo tenha que ampliar o prazo de prorrogação.

Tricô Solidário para quem mais precisa

CANELA – Campus Universitário da Região das Hortênsias da UCS, desde 2021 é parceiro de um projeto do qual dezenas de voluntárias participam, e que a cada ano amplia sua ação em prol da comunidade. É o Tricô Solidário, idealizado pelo Lions Club de Canela.

As mulheres envolvidas confeccionam peças também em crochê (cachecóis, toucas, calças, casaquinhos, entre outras) para entregá-las a pessoas em vulnerabilidade social.

“O projeto do Lions, de doação de kits para bebês, existe há muitos anos, mas, com a realização desses encontros, tem atingido maior número de beneficiados”, explica Giane Rockenbach, que coordena a ação em nome do clube de serviços.

Os encontros são sempre marcados por muita alegria e descontração. A UCS oferece o chá e guloseimas, relembrando os antigos clubes de mães. Não há exigência de assiduidade, cada voluntária doa seu tempo como entender melhor. O grupo tem cerca de 40 pessoas atuantes.

Ano passado, as voluntárias entregaram peças de roupas a crianças do Instituto do Câncer Infantil, de Porto Alegre; meias, cachecóis e toucas às vovós do Oásis Santa Ângela.

Neste mês, além de continuar assistindo essas instituições, elas têm auxiliado pessoas desabrigadas pelas enchentes. Quinta-feira (15), entre as mais de 100 peças entregues, foram doados enxovais para cinco bebês em Três Coroas.

Docente aposentada e frequentadora do UCS Sênior, Amália Castilhos dos Santos entrou no grupo a convite da professora Marina Siota.

“Senti-me muito atraída em ocupar um pouco do meu tempo para atividade solidária. Faz mais ou menos dois anos que participo com muita alegria, pelo trabalho desenvolvido e pela convivência com tantas outras pessoas, formando novas amizades”, comenta.

Segundo Giane Rokenbach, a participação é gratuita, aberta a quem quiser ajudar. Os encontros acontecem às quartas-feiras, das 14h às 16h, no campus. Basta chegar um pouco antes e perguntar na secretaria onde funciona o Tricô Solidário.

De todas as participantes, há mulheres que ingressaram sem saber trabalhar com lã e agulha e que atualmente estão costurando e confeccionado solidariedade.

Foto: Divulgação

Alunos da Escola Danton Corrêa da Silva se engajam em ação solidária

CANELA – Alunos do 3° ano do ensino médio da Escola Estadual de Ensino Médio Danton Corrêa da Silva protagonizaram uma bela ação de solidariedade ao se engajarem na triagem e separação de roupas doadas no Salão Paroquial.

A iniciativa que ocorreu na quinta-feira (19), foi idealizada pela coordenadora Marli, teve uma adesão imediata por parte dos estudantes, que se prontificaram a participar com entusiasmo.

“A coordenadora Marli mandou no nosso grupo se queríamos vir ajudar e o pessoal topou, eu fiquei com a parte de separar os pares dos calçados e está sendo muito legal de ajudar. O sentimento de ajudar as outras pessoas é muito bom, todos que estão aqui se dispuseram a ajudar na hora que foi solicitado” conta os alunos Gabriel Beling Cardoso e Carlos

Eduardo Gonzaga Durante a atividade, os alunos realizaram a triagem das roupas doadas, separando-as de acordo com o tamanho, tipo e estado de conservação. A ação não apenas contribuiu para a organização das doações, mas também proporcionou aos estudantes uma oportunidade de vivenciar e praticar a empatia e a solidariedade na prática.

“Estamos separando roupas masculinas, femininas, infantis, foi a maneira que encontramos de ajudar mesmo de longe” declara a aluna Raquel Tramontin Essa ação solidária não só reforça o compromisso social da escola, mas também fortalece nos alunos valores fundamentais de cidadania e responsabilidade social.

Foto: Fernanda Amaral/divulgação

Amistoso Solidário reunirá equipes neste final de semana em Canela e Gramado

Tiago Manique

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REGIÃO – A bola ainda não rolou, mas já pode ser dito que dois golaços já foram marcados com a realização de dois Amistosos Solidários neste final de semana em prol das pessoas atingidas pela catástrofe climática. O primeiro a ocorrer será neste sábado (18), a partir das 17h, no Perinão. Serão quatro jogos, sendo na sequência, Amigos x São José; As Guria x River Feminino; JA Futsal x Unidos do Copo e encerrando, Kikis x Panelão.

A entrada para acompanhar os jogos, em Gramado e Canela será de alimentos, itens de limpeza, higiene pessoal, absorventes e fraldas, roupas íntimas e infantis, agasalhos e cobertores e ração para cães e gatos. A expectativa é de um grande público, em virtude desta mobilização solidária da sociedade. As equipes em cada evento organizarão também em conjunto 100 kits de higiene.

O vice-presidente da Associação Kikis Artes Futsal (Akaf), Maico Martins, falou desta importante ação que está sendo organizada. “A iniciativa na verdade partiu do professor Marcondes Cansanção e como ele tem conhecimento que dos times que jogam os citadinos em Gramado independente de divisão ele nos convidou para organizarmos junto com ele. Passamos então a convidar outras equipes onde todas se mostraram interessadas em fazer, fomos procurados por outros times também, mas infelizmente não conseguimos encaixar”, disse Maico.

Além do Perinão, o ginásio da Ingool em Canela também estará sediando o Amistoso Solidário. Esta ação vai ocorrer domingo (19), a partir das 13h30. Vão entrar em quadra a gurizada do Educa Esportes x Olé Futsal; os veteranos com Amigos do Laje x São Cristóvão e encerrando JA Futsal x Guará Futsal.

Marcondes Cansanção é um dos organizadores dos dois amistosos. Ele citou que estava auxiliando como voluntários, mas admitiu que estava se sentindo incomodado de que poderia fazer ainda mais. “Estava com uma das minhas filhas no colo e no mesmo momento bateu o sentimento. Que eu tenho um teto sobre minha cabeça, minha filha tá em casa, quente, tem alimento, está protegida e tem tantas outras crianças na verdade aí hoje que não tem, que acabaram perdendo tudo. Já comecei a pensar no que fazer e ajudar e tentar melhorar um pouco a vida do povo”, descreveu.

O professor conta que começou a fazer os contatos e buscar agendas com as equipes e que teve a adesão positiva. “Entrei em contato com as equipes de Canela e Gramado e muitos eu conheço os dirigentes ou jogadores e de algum modo e ficou fácil fazer. Organizamos as agendas e conseguimos acertar as datas todos eles se disponibilizaram”, disse Marcondes que agradeceu a equipe da Secretaria de Esportes e Lazer de Gramado, pela cedência do Perinão e Dirceu Felippetti, pelo ginásio da Ingool.

Perdas em São Francisco de Paula beiram R$ 280 milhões

São Francisco de Paula já calcula o impacto econômico resultado da tragédia climática que assola o Rio Grande do Sul: o prejuízo já chega a R$ 280 milhões. Os principais atingidos são os agricultores, silvicultores e a população que mora no interior do 15º maior município do Estado, com mais de 3 mil quilômetros de estradas municipais não pavimentadas.

Em 20 dias, a Secretaria de Agricultura registrou 853mm de chuva, a responsável pelo caos que se instaurou desde então com famílias ilhadas, pessoas desalojadas, estradas intransitáveis, rotas escolares suspensas, escola sob risco de desabamento, pontes destruídas e perdas inestimáveis na agricultura.

Perda de R$ 233 milhões na agricultura

A agricultura, silvicultura e pecuária são as maiores fontes de receita de São Francisco de Paula. Em 2024, a Secretaria Municipal de Agricultura calcula os seguintes dados sobre a produção local: são 3 mil hectares de milho, 9 mil hectares de soja, 3,5 mil hectares de batata inglesa, 1,3 mil hectares de maça, 100 hectares de uva, 1,5 mil hectares de olerícolas, além de um rebanho de 127 mil bovinos e 12 mil ovinos. Além disso, 35 mil hectares de silvicultura são cultivados no município.

As perdas calculadas chegam a quase 50% da produção na maioria das culturas, chegando a perto de 100% de perdas na olericultura (hortaliças). A precipitação registrada no interior chegou a 853mm de chuva entre os dias 22 de abril e 13 de maio. Em relatório enviado para a Defesa Civil do Estado, o Município calculou uma perda de 233 milhões de reais neste setor em 2024.

Estradas interrompidas deixaram cerca de 2 mil pessoas ilhadas no interior

Com mais de 3 mil quilômetros de estradas municipais não pavimentadas, São Francisco de Paula estima um gasto de R$ 30 milhões apenas para restabelecer acesso em 22 pontos interrompidos na área rural e em outros 14 pontos, tão danificados, que o Executivo não recomenda o tráfego no trecho. Cerca de 2,5 mil quilômetros precisarão de reparo total. Outros R$ 20 milhões são estimados para refazer pontes que foram totalmente danificadas pelas cheias nos rios. A Prefeitura disponibilizou um mapa em tempo real para acompanhar os trechos municipais interrompidos, que pode ser acessado em bit.ly/estradassaochico

Em razão do dano extenso nessas estradas não pavimentadas, cerca de 2 mil pessoas que moram nesses trechos estão impedidas de acessar a Sede de São Francisco de Paula e de acessar atenção básica como escolas, hospitais e medicamentos. Das cerca de 60 linhas de transporte escolar, 30% não estão operando por causa da interrupção de estradas. Agricultores, silvicultores e olericultores estão sem conseguir escoar o pouco que restou da produção. A Secretaria de Obras, que conta atualmente com 9 equipes fazendo a manutenção de trechos no interior, estima que este número precisaria chegar no mínimo a 15 para garantir a prestação completa do serviço. Isto significa ainda muitos milhões em investimento em maquinário.

Caixa municipal estrangulado

Com contratações emergenciais em todos os setores para atuar nas situações mais críticas, o prefeito Marcos Aguzzolli já anuncia: o caixa municipal não dará conta de suprir todas essas perdas.

“As soluções neste momento precisam ser muitas e todas exigem valores muito acima da capacidade financeira de São Francisco de Paula, com seus 21 mil habitantes. Já contratamos equipes extras e maquinários para tentar solucionar alguns pontos no interior, mas a perna ainda está curta. Só em manutenção de estradas e pontes, nosso gasto está estimado em 30 milhões de reais. A estimativa é que percamos mais 8 milhões de reais do caixa que viriam de ICMS. Sem ajuda Estadual e Federal não conseguiremos restabelecer a normalidade por aqui”, afirmou.

“Com pequenas ações podemos transformar essa realidade”, aponta voluntária

Grupo de voluntários conta experiência de ajuda aos afetados e pede para que auxílio continue

Leonardo Santos[email protected]

CANELA – Um grupo de jovens voluntários se uniu para ajudar as pessoas afetadas pelas enchentes e deslizamentos de terra que atingiram o Rio Grande do Sul. Comovidos com a situação das famílias que perderam tudo, os voluntários se mobilizaram para arrecadar fundos e doações, levando esperança e auxílio às comunidades mais afetadas, em especial a cidade de Três Coroas.

A principal motivação que os levou a se envolver nessa causa foi a compaixão e empatia que sentiram ao presenciar a situação das pessoas atingidas pelas enchentes. Ao verem que algumas pessoas já estavam ajudando, sentiram que também poderiam se unir e fazer a diferença de alguma forma.

“Acredito que o que mais motivou a todos do meu grupo foi a compaixão e empatia que sentimos ao ver a situação que todas as pessoas atingidas pelas enchentes se encontravam. Quando vimos que algumas pessoas estavam ajudando, isso nos mostrou que nós também poderíamos nos unir para ajudar de alguma forma”, destacou Isadora Desimon, 22 anos, uma das integrantes.

Durante as ações de voluntariado, eles notaram que as pessoas ainda precisam de diversos itens essenciais, como água, alimentos, itens de higiene, roupas íntimas, cobertores, travesseiros e brinquedos para as crianças. Com base nessa percepção, o grupo planeja continuar ajudando e se organizando para retornar às comunidades afetadas com maior frequência.

“Qualquer ajuda é muito bem vinda. Os itens que apontamos que são mais necessários são água, alimentos, itens de higiene, roupas íntimas, cobertores, travesseiros, brinquedos para as crianças, ração para os animais, entre outras doações. As pessoas perderam tudo, então o mais importante é ajudar. Sim, continuaremos indo e ajudando. Estamos nos organizando para conseguir ir com a maior frequência possível”, projetou ela

O grupo de voluntários é composto por 12 integrantes, de 17 a 25 anos, que se dedicam de forma comprometida e solidária a essa causa. Eles desempenharam diversas atividades durante a campanha de doações, incluindo a arrecadação de fundos, a produção e distribuição de 600 sanduíches, além da entrega de água, kits de higiene, brinquedos e cobertores diretamente nas casas das famílias afetadas. Além disso, estão organizando uma campanha de doação de materiais escolares para o Colégio Estadual 12 de Maio de Três Coroas.

Emoção + Motivação

Ao ver o impacto positivo que suas doações tiveram na vida das pessoas afetadas, os voluntários se sentiram gratificados e emocionados. O olhar de gratidão, os abraços e a sensação de poder fazer a diferença na vida de alguém foram momentos marcantes e inesquecíveis. Pedro Cardoso,  que também faz parte do grupo canelense, citou o brilho no olhar dos necessitados quando recebiam auxílio para perceber que o que estava fazendo poderia mudar a vida daquelas pessoas.

“O trabalho todo emocionante, ver o brilho no olhar das pessoas quando tu entregavas um sanduíche, um cobertor ou até mesmo um brinquedo pra eles e ver como faz diferença ajudar mesmo que seja fazendo o simples. Pra eles isso já é muito!”, comentou ele.

Apesar dos desafios enfrentados durante o processo de arrecadação e distribuição, os voluntários não desistiram e seguiram em frente. O cenário de tristeza e a sensação de impotência diante da magnitude da tragédia foram superados pelo sentimento de união e pelo entendimento de que, mesmo com pequenas ações, é possível transformar a realidade.

“É um sentimento que não consigo descrever (vendo a situação dos afetados) e, ao mesmo tempo, temos que ter motivação pra continuar sempre fazendo mais pra ajudar o povo que tanto precisa”, frisou Pedro.

“É só isso que a gente precisa”

Histórias emocionantes surgiram durante o trabalho voluntário, como o momento em que uma senhora abraçou Isadora e disse que “é só isso que a gente precisa”. Para a voluntária, a honestidade e a preocupação das pessoas em não pegar mais do que realmente precisavam também foram inspiradoras.

“Um momento que me marcou muito foi quando abracei uma senhora em uma das casas que levamos doações e ela me olhou nos olhos e disse “é só isso que a gente precisa”. Foi muito emocionante. Todas as famílias que ajudamos ficaram muito gratas, principalmente as crianças. É muito lindo ver quantas pessoas estão se disponibilizando para ajudar. Algo que também me chamou atenção foi que apesar da situação que as pessoas se encontravam, ninguém pegou nada além do que precisava. Todos foram muito honestos e se preocupavam com as outras famílias que precisavam também”, relatou.

Essa experiência como voluntário ensinou aos participantes a gratidão, o valor do amor ao próximo e a importância de pequenas ações. A comunidade pode continuar ajudando os afetados pelas enchentes e deslizamentos a longo prazo, seja por meio de doações, auxílio psicológico, apoio nos abrigos ou qualquer outra forma de ajuda que estiver ao alcance de cada indivíduo.

“Se todos continuarmos assim, juntando de pouquinho em pouquinho, vai fazer uma diferença absurda nessa causa que estamos unidos. Todos podemos ajudar indo até lá seja limpando as casas, fazendo um levantamento em cada rua do que eles mais precisam e motivar mais gente pra entrar junto nessa”, apontou Pedro.

DOAÇÕES

TRÊS COROAS  –As doações podem ser encaminhadas ao Ginásio Municipal. A Prefeitura realizou um mapeamento nas áreas onde os voluntários não tem condição de buscar os donativos no ginásio e um grupo de voluntários está responsável para destinar donativos para estas pessoas.

Ainda, a Prefeitura informa que precisa de voluntários para carga e descarga de mantimentos e móveis que serão levados para residências afetadas.

IGREJINHA – Para os afetados em Igrejinha, as pessoas podem entregar donativos (produtos de higiene, artigos de casa, mesa e banho, alimentos não perecíveis) no  Parque de Eventos Almiro Grings. A doação de roupas deve ser destinada aos Centro de Eventos Prefeito Selson Flesch.

Os necessitados podem retirar no local. A prefeitura realiza a entrega para os que não podem se locomover. O contato pode ser feito por meio do (51) 3549-8600, no WhatsApp.

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