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EGR investe R$ 6,9 milhões na recuperação da ERS-115 e da ERS-235

A Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) avança com a execução de obras para a reconstrução dos trechos de rodovias danificados pelas fortes chuvas que atingiram a Serra Gaúcha e região nos últimos dois meses.

Nesta semana, a estatal concluiu a pavimentação asfáltica do trecho de 70 metros no quilômetro 25 da ERS-115, em Três Coroas, que foi destruído pelas fortes chuvas ocorridas em maio. Para a construção do talude e do aterro em apenas 16 dias, foi necessário o preenchimento de 14 mil metros cúbicos de material rochoso e a pavimentação completa da via. A empresa prevê concluir a implantação da sinalização definitiva do trecho nos próximos dias, a depender de condições climáticas favoráveis. O trânsito flui normalmente, apenas com redução de velocidade e atenção redobrada por parte dos motoristas.

No quilômetro 38 da ERS-115, em Gramado, as equipes trabalham para reconstruir um talude às margens da rodovia. As ações estão concentradas para restaurar parte da área atingida e garantir uma trafegabilidade segura aos usuários. A conclusão da obra está prevista para julho e o trânsito no local funciona normalmente, apenas com interrupções pontuais durante a execução da obra.

Já no quilômetro 30, em Gramado, uma parte da pista cedeu devido às últimas chuvas. As equipes já realizaram a recuperação inicial do local, contudo, será necessária a recomposição do talude. A EGR alerta que o trânsito flui normalmente, porém, pede aos usuários para trafegarem com atenção redobrada, respeito à sinalização e aos limites de velocidade.

Outra rodovia impactada pelas intempéries foi a ERS-235, no quilômetro 05, em Nova Petrópolis. Neste trecho, parte do pavimento desmoronou, obrigando a estatal a construir um talude, preencher o espaço com aterro e refazer a pavimentação em 15 dias. O trânsito no local flui normalmente e a empresa estima implantar a sinalização permanente até o final desta semana, conforme as condições meteorológicas.

De acordo com o diretor-presidente da EGR, Luís Fernando Vanacôr, a conclusão das obras permite que o fluxo de veículos na ERS-115 e na ERS-235 sejam retomados em sua normalidade. “Executamos obras estruturantes e recuperamos importantes segmentos estratégicos para as regiões da Serra, das Hortênsias e do Vale do Paranhana, proporcionando mais segurança viária e melhores condições de trafegabilidade aos usuários”, destaca Vanacôr.

Para recompor esses segmentos, a EGR está investindo cerca de R$ 6,9 milhões, recursos provenientes da praça de pedágio. A ação integra o Plano Rio Grande, programa de reconstrução, adaptação e resiliência climática do Estado que visa planejar, coordenar e executar ações para enfrentar as consequências sociais, econômicas e ambientais da enchente histórica.

Semana decisiva no futsal gramadense

GRAMADO – Agora um erro mínimo pode valer a eliminação e sonho de erguer o caneco somente para o ano que vem. Este é o cenário a partir de hoje (2), quando se inicia a fase de ‘mata-mata’ do Campeonato Municipal de Futsal Veteranos. A partir das 19h, se enfrentam Atlético Daqui x Weiss Construções; De Melo x Grupo S/Dois; Galera do Pantera x Fênix/Gramado Gourmet e encerrando a noite de futsal, Enxuta x Racing. Caso ocorra empate no tempo normal, a decisão será definida nos pênaltis.

Quem vencer carimba vaga para a terceira fase da competição e vão encarar as equipes que fizeram melhor campanha na primeira fase: os primeiros colocados de cada grupo que garantiram vaga direta e o melhor segundo colocado, caso do Hawaí.

Na quinta-feira (4), a partir das 19h, no Perinão serão realizados os jogos da terceira fase. Se enfrentam, Unidos do Copo (1º do grupo A) x Enxuta ou Racing; Kikis/A Magia da Luz (1º do grupo B) x Galera do Pantera ou Fênix/Gramado Gourmet; Panelão (1º do grupo C) x De Melo ou Grupo S/Dois e Hawaí (2º melhor colocado no geral) x Atlético Daqui ou Weiss Construções. A semifinal da competição está programada para ocorrer no dia 9 e a decisão dia 12.

Futsal Segunda Divisão

Ontem (1º), foi realizada a penúltima rodada da primeira fase do Campeonato Municipal de Futsal da Segunda Divisão de Gramado. Quatro jogos ocorreram no Perinão, válidos pela chave B. O Jean F.C goleou o Fênix/Transfoss por 6 a 2. Na sequência, vitória do Belvedere Munique sobre o Borussia e Kikis/Hui Pokedinate do Amigos F.C, ambos por 3 a 0. Finalizando os confrontos, o Olivas Futsal aplicou 5 a 1 no São José. Já amanhã (3), a partir das 19h, será realizada a última rodada desta fase. Todos os confrontos serão pela chave A: Aston Villa Futsal x Manipulados; Resenha Futsal x Santos V.M; Arsenal/S Dois x Atlético Daqui e Os Galáticos x Akaf/Ello.

Luciano Melo encaminha Projeto para implantação do Programa de Educação Empreendedora nas Escolas Municipais

CANELA – Durante Sessão Ordinária desta segunda-feira (1), o vereador Luciano Melo apresentou aos colegas um Projeto de Lei Sugestão, onde solicita ao Poder Executivo a implantação do “Programa de Educação Empreendedora nas Escolas Municipais do município”.

Segundo Melo, a palavra “empreendedorismo” geralmente é associada à capacidade de criar e gerir empresas, aproveitar oportunidades, ter sucesso, gerar emprego, renda e riqueza. Mas empreendedorismo vai muito mais além do que tudo isso; pressupõe, acima de tudo, a realização do indivíduo por meio de atitudes de inquietação, ousadia e proatividade na sua relação com o mundo. 

“O Programa de Educação Empreendedora tem como objetivo instigar os alunos a desenvolverem o comportamento empreendedor e promover a ecossustentabilidade, a ética, a cidadania, a cultura da inovação, a cooperação, e o plano de negócio”, lembrou Luciano.

No Projeto de Lei Sugestão o vereador incluiu ações para ampliar, promover e disseminar a educação empreendedora nas instituições de ensino, para estimular a implantação de práticas educacionais que congregue a comunidade escolar através de inovações e projetos que explorem ideias de negócio, além claro de fomentar a capacidade de gestão e inovação.

Além disso, Melo ressaltou que o Programa terá previsto em lei a oportunidade de celebrar parcerias com órgãos federais, estaduais e entidades da sociedade civil organizada pública ou privada para alavancar ainda mais esta ação. 

Vereador Jerônimo Terra Rolim investiga denúncia de revelia do Hospital em processos trabalhistas

CANELA – O vereador Jerônimo Terra Rolim apresentou o Requerimento nº 12 para que a Câmara de Vereadores ingresse nos processos trabalhistas do Hospital para acompanhar o que está acontecendo.

Ainda, o vereador Rolim apresentou o Pedido de Informações nº 55, solicitando um relatório dos processos trabalhistas desde janeiro de 2023 e cópia da comprovação das defesas e acordos.

Essas medidas do vereador se deram em razão de ter recebido uma denúncia de dentro do hospital de que não foi apresentada defesa ou contestação em processos trabalhistas, tendo sido a casa hospitalar julgada à revelia e condenada.

Vereador Jerônimo desabafou na sessão desta segunda-feira (2), relembrando que foi advogado voluntário do hospital e em um processo liberou R$ 875 mil para as contas do Hospital e em outro processo liberou R$ 600mil da Consulta Popular, sem receber nenhum centavo.

Rolim ainda lembrou do processo que ganhou para trocar o transformador de energia do Hospital, que reduziu a conta de luz em 50% já no primeiro mês e lembrou também quando entrou com uma liminar para trancar a greve abusiva que o Hospital sofria quando foi presidente, tudo de forma voluntária.

O vereador ainda falou na sessão que se encontrar irregularidades nos processos trabalhistas, fará nova denúncia para o delegado, doutor Vladimir Medeiros.

Carla Reis solicita que Executivo contrate funcionários para a Defesa Civil

Com o objetivo de qualificar o trabalho da Defesa Civil, a Vereadora Carla Reis enviou para o Executivo, uma indicação como Projeto de Lei Sugestão, solicitando que a Prefeitura contrate oito agentes operacionais, coordenador, coordenador adjunto e assistente social para o órgão.
“Precisamos formar uma equipe para a Defesa Civil, que atue não somente em momentos que ocorrem as catástrofes, mas para que possamos fazer um trabalho de prevenção”, destacou.

Atualmente o trabalho desenvolvido pela Defesa Civil é realizado por voluntários.

Conforme a Vereadora, se faz necessária a contratação, tendo em vista a atuação da Defesa Civil no Município devido a grande demanda de trabalhos. Os servidores que serão contratados irão atuar na prevenção e atender às ocorrências de urgência e emergência inerentes aos procedimentos de defesa civil constantes no planejamento municipal.

“Também irão atender ao público no seu local de trabalho e nas atividades operacionais em campo, visando esclarecer dúvidas, receber solicitações, bem como buscar soluções para eventuais transtornos; registrar ocorrências e dar o devido encaminhamento junto aos profissionais técnicos responsáveis; identificar e mapear as áreas de risco de desastres, bem como participar de trabalhos relativos a vistorias em imóveis, encostas, árvores, bem como outros locais que poderão colocar em risco a segurança da comunidade”, enfatizou Carla.

Cidica realiza Social Midia Day e 2º Encontro de Influenciadores Digitais

CANELA – Na última sexta-feira (28), aconteceu o 2º Encontro de Influenciadores Digitais, reunindo importantes nomes do cenário digital no Centro Integrado de Desenvolvimento e Inovação de Canela. Logo na abertura, uma linda apresentação da Kerolin acordeonista, e seu pai, que deram um toque especial ao início do evento.

O primeiro painel da noite, “O Papel do Influenciador nos Dias Atuais”, contou com a participação de Dionathan Santos (@diosantosocriativo) e Tiago Anderle (@pelaserragaucha), sob a mediação de Sabrina Santos (@elasemgramado). Os debatedores discutiram a relevância e a responsabilidade dos influenciadores na sociedade contemporânea, abordando como suas ações e conteúdos podem impactar a audiência de maneira significativa.

Em seguida, o painel “O Impacto dos Influenciadores na Nova Economia (O que é Influenciar?)” trouxe Marcus Rossi (@marcusrossi) e Leonardo Duarte (@leohduarte), mediados por Lucas Dias (@lucasazevedodias). A discussão girou em torno da influência econômica gerada pelas atividades digitais e como elas podem transformar mercados e comportamentos de consumo.

Às 21h00, iniciou-se a cerimônia de homenagem, destacando influenciadores que fizeram a diferença no último ano com seus conteúdos e trabalho de divulgação nas redes. Lourdes Pradenpak (@eusoubisa) foi a primeira a ser homenageada, emocionando a todos com sua trajetória. Logo após, Edson Cabral (@ig_canela_gramado) também recebeu uma merecida homenagem, seguido por Flavio Prestes do @acontecegramado. Esses momentos ressaltaram as conquistas e impactos positivos de cada influenciador em suas áreas de atuação.

O evento contou com apoio de diversas empresas da região, como Parque do Caracol, Família Chaulet Queijos e Embutidos, Dauper Biscoitos, Vinhos Jolimont, Space Adventure, Roda Canela, Limousine Serra Gaúcha, Hiroshi Sushi e Skyglass, que contribuíram para o sucesso do encontro.

A noite seguiu com um coquetel, oferecendo uma variedade de produtos da Família Chaulet, pizzas, sushi e petiscos variados. A música ao vivo, comandada por Diogo Candiago, manteve o clima animado até o encerramento das atividades.

O 2º Encontro de Influenciadores Digitais não só celebrou o Social Mídia Day do CIDICA, mas também proporcionou um espaço de troca de conhecimentos e experiências, fortalecendo ainda mais a comunidade de criadores de conteúdo.

Separação de Resíduos: Saiba os dias de recolhimento

CANELA – A separação adequada de resíduos é essencial para o funcionamento eficiente das cooperativas de reciclagem, como a Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis da Região das Hortênsias (COOCAMARH). A participação da comunidade é crucial para garantir que o trabalho dos catadores seja mais eficaz e seguro.

Desde março, a COOCAMARH enfrenta desafios diários na triagem de materiais recicláveis na cidade de Canela. A mistura de resíduos seletivos e orgânicos torna o processo de separação mais demorado e insalubre. Resíduos como restos de comida e fezes podem contaminar materiais recicláveis, reduzindo a quantidade reutilizável e gerando mais desperdício.

A separação inadequada também compromete a saúde dos catadores. Materiais contaminados atraem pragas e podem causar problemas de saúde, dificultando ainda mais o trabalho dos cooperados. A comunidade pode contribuir significativamente ao separar corretamente os resíduos em casa.

Os resíduos seletivos, que incluem papel, plástico, vidro e metal, devem ser limpos antes do descarte. Os resíduos orgânicos, como restos de comida e cascas de frutas e legumes, devem ser separados. Resíduos rejeitos, como papel higiênico, fraldas sujas e guardanapos, devem ser descartados nos dias de coleta de orgânicos.

A conscientização e a prática da separação correta dos resíduos são passos importantes para a sustentabilidade ambiental e para a melhoria das condições de trabalho dos catadores. A COOCAMARH depende da colaboração de todos para continuar desempenhando seu papel na cadeia de reciclagem.

A comunidade é incentivada a separar os resíduos e depositá-los nos dias corretos:

Resíduos Orgânicos: Segunda, Quarta e Sexta.

Resíduos Seletivos: Terça, Quinta e Sábado.

Recolhimento em Becos e Travessas: Segunda, Quarta e Sexta.

Recolhimento no Interior: Último sábado de cada mês.

Constantino Orsolin participa da Marcha a Brasília pela Reconstrução dos Municípios do RS

REGIÃO – Mais de 400 de gestores municipais gaúchos estão reunidos em Brasília a partir desta terça-feira (2), até quarta (3). A mobilização é para a Marcha a Brasília pela Reconstrução dos Municípios do Rio Grande do Sul, evento promovido pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em parceria com a Federação dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs).

O encontro, visa promover o avanço das medidas emergenciais e estruturantes para o reestabelecimento das localidades afetadas pelas enchentes no RS.  Conforme o presidente da Famurs e prefeito de Barra do Rio Azul, Marcelo Arruda, o RS vive hoje um dos momentos mais difíceis de sua história, por isso, é importante a Famurs e CNM dialogarem com o governo federal e Congresso Nacional.

“Vamos buscar o socorro necessário: a recomposição do ICMS e do ISS, e um FPM extra aos 402 municípios que ainda não receberam esse valor, que ajudará na recuperação das estradas e das cidades e, principalmente, para reerguemos a quarta maior economia do Brasil, que paga mais de R$ 100 bilhões de impostos”, frisou.

Durante os dois dias de Marcha, os gestores irão discutir com deputados e senadores sobre recursos extras aos municípios gaúchos. Entre as demandas, está o auxílio financeiro para todos os municípios e não apenas aos em calamidade; a garantia da recomposição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM); e a flexibilização para uso de saldos disponíveis nos cofres municipais. A Famurs também buscará articulação em temas como a prorrogação dos financiamentos agrícolas; a renegociação das dívidas previdenciárias dos municípios gaúchos; e recursos para obras de prevenção a eventos climáticos.

Agenda com executivo e legislativo

A mobilização ainda prevê agendas com o Executivo e lideranças da Câmara dos Deputados e Senado Federal para discutir as medidas de reestabelecimento dos municípios afastados pelas enchentes. Estão previstas reuniões com os ministros da Saúde, Nísia Trindade, e de Portos e Aeroportos, Silvio Costa. Ainda são aguardadas confirmação de agendas com os ministros do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, da Educação, Camilo Santana, e o da Fazenda, Fernando Haddad.

Na ocasião, a CNM também promoverá uma Mobilização Nacional Permanente, com a participação de gestores de todo o Brasil.

Entre os temas que serão cobrados está a desoneração permanente da folha de pagamento; o parcelamento especial das dívidas dos municípios; o novo modelo de quitação de precatórios; a extensão da Reforma da Previdência aos municípios com Regime Próprio de Previdência Social (RPPS); o aumento do FPM em 1,5%; a inclusão dos gastos com pessoal com as Organizações Sociais nos lites de gasto de pessoal, a fim de não extrapolar o que é estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal; e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para enfrentamento de desastres e mudanças climáticas.

Segundo o presidente da Famurs, é muito importante a mobilização dos prefeitos e prefeitas, bem como dos demais gestores municipais, para se ter um número expressivo de representações gaúchas e surtir efeito a pressão política no Congresso Nacional. “Precisamos de todos para ter força nossa mobilização”, justificou Arruda.

Prefeitos da região

O prefeito de Canela, Constantino Orsolin já está na capital federal para encontro. Como está iniciando a atividade ainda não tem informações concretas sobre as reuniões e os resultados efetivos. Já Nestor Tissot, prefeito de Gramado, segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura, não estará em Brasília, em virtude de agendas no município e visitação de obras que estão em andamento.

O prefeito de São Francisco de Paula, Marcos Aguzzolli, também está na Marcha a Brasília pela Reconstrução dos Municípios do RS.

Programação

Terça-feira (2)

9h30 às 12h: Marcha a Brasília

Reunião de bancada com deputados e senadores do RS

⁠Recursos Extras:

– Auxílio Financeiro a todos os municípios do RS

– Recomposição do ICMS

– Flexibilização de saldos em conta

– Outros


14h: Mobilização Nacional Permanente

Agendas com parlamentares para buscar o avanço de medidas no Congresso.

Pautas prioritárias:

-⁠ ⁠Desoneração permanente da folha de pagamento

-⁠ ⁠Parcelamento especial das dívidas dos Municípios

-⁠ ⁠Novo modelo de quitação de precatórios

-⁠ ⁠Extensão da Reforma da Previdência aos Municípios com RPPS

-⁠ ⁠Aumento do FPM

-⁠ ⁠Liberação do limite de pessoal – OS

-⁠ ⁠PEC da Autoridade Climática


Quarta-feira (3)

Agendas com Executivo e lideranças da Câmara dos Deputados e Senado Federal

“Jamais vou esquecer as cenas e os barulhos”, relata moradora que perdeu residência no Piratini

GRAMADO – O que começou como uma pequena rachadura se transformou em um pesadelo real para moradores do bairro Piratini, em especial aos das ruas Henrique Bertoluci, Guilherme Dal Ri, Santo André e Afonso Oberheer, que foram afetadas com os deslizamentos posteriores as chuvas que assolaram o município e o Estado do Rio Grande do Sul, em maio.

Em entrevista exclusiva, Lenira Fetzner, 57 anos, conversou com a reportagem do Jornal Integração e explanou seu relato angustiante sobre os eventos que mudaram sua vida e a de sua comunidade para sempre. Lenira é uma das pessoas cadastradas para o Aluguel Social, já tendo recebido a primeira parcela do auxílio, e descreve também como encontrou uma moradia e está fazendo para arcar com custos para se manter.

Quando tudo começou

Moradora do bairro há mais de 25 anos, Lenira possuía casa própria na rua Guilherme Dal Ri, que foi um das afetadas nos deslizamentos que ocorreram no bairro no início de maio. Junto de sua moradia, ela ainda tinha dois espaços em seu terreno que era direcionado para aluguel.

“Percebi uma rachadura na minha casa no dia 2 (maio), de manhã, quando fui trabalhar. Às 10h um vizinho me ligou avisando que a rachadura tinha aumentado, fui imediatamente pra casa e quando cheguei meus vizinhos estavam em pânico, correndo sem rumo, com roupas, animais de estimação, mobília. A casa de outro morador já estava partida ao meio, alguma coisa estalava lá dentro. Jamais vou esquecer as cenas e os barulhos. É algo que só se vê em filme, um pesadelo que não tem fim”, relatou.

A ordem de evacuação foi emitida pouco depois, mas como Lenira observa, a falta de direcionamento da Prefeitura sobre para onde ir representou um dos primeiros grandes desafios enfrentados pela comunidade.

“No primeiro momento só pensei em pegar roupas para trabalhar, meus gatos e meu cachorro.  Acreditava que em um dia ou dois estaria de volta para casa. As dificuldades começaram ali mesmo, pois recebemos ordem de evacuação, mas ninguém sabia dizer pra onde a gente deveria ir, onde era seguro, se na escola mais próxima, em algum dos pavilhões de esportes que tem ali perto”, contou.

Ela continuou, frisando que, em estado de choque, carregou os pets para dentro do carro, onde ficou por horas e, posteriormente, decidir para onde iria. “Fiquei três horas com meus gatos e meu cachorro no carro antes de decidir buscar refúgio na casa da minha irmã”, acrescenta ela.

A dificuldade para achar moradias

Lenira lamenta a dificuldade para achar moradias de forma imediata, além de ressaltar os preços elevados dos aluguéis. Além disto, ela comentou que há locatários que não aceitam animais. “É muito difícil encontrar algum lugar pra morar em cima da hora. O aluguel em Gramado é muito caro, precisa de fiador, caução e quase ninguém aceita animais”

Sobre o suporte financeiro do Executivo Municipal, que disponibilizou cadastro para recebimento de um Aluguel Social, Lenira comenta: “Após 40 dias, recebi a primeira parcela do aluguel social, embora muitas famílias ainda estejam esperando por assistência, tendo sido obrigadas a arcar com cauções e aluguéis antecipados sem receber nada”, aponta ela, acrescentando que há muita burocracia para a execução do cadastro, que requer ir até o CRAS munido de CPF, identidade, laudo da defesa civil, matricula do imóvel em risco e contrato de aluguel de onde a família está residindo no momento, além de prever a necessidade de duas testemunhas para comprovar o fato.  

Os valores que recebe por meio deste auxílio são repassadas para a irmã que a acolheu em uma pequena cabana que era utilizada para aluguel de temporada, no Vale dos Pinheiros. O montante disponibilizado é de R$ 1.375.  Em relação às expectativas em relação ao Aluguel Social, de modo geral, espera que ele proporcione algum alívio ao outros afetados, embora reconheça que o valor não seja suficiente para cobrir os altos custos de moradia em Gramado.

Como funciona o Aluguel Social?

Pessoas que pagavam aluguel possuem direito a uma parcela. Os que tinham imóveis próprios têm direito a seis parcelas que podem ser prorrogadas para 12. O pagamento é suspenso quando a família retornar pra casa.

Até o fechamento desta matéria 190 famílias haviam se cadastrado no programa e 74 já haviam recebido o pagamento. O projeto foi aprovado pela Câmara de Vereadores no dia 29 de maio.

O financeiro e o emocional

A idosa, que percorria o trajeto do bairro ao Centro caminhando, atualmente mora há mais de dez quilômetros de onde residia. “Eu morava há 5 minutos a pé do Centro da cidade, hoje moro há quase 15 km de distância”, reclamou. Lenira ainda ressalta que, diferente da situação que passa, há pessoas que perderam suas casas, mas não possuem a mesma rede de apoio que ela e lutam contra a dificuldade de encontrar moradias que se encaixem no valor disponibilizado.

Lenira recebeu a reportagem no Vale dos Pinheiros, onde está residindo – Leonardo Santos/JIH

Questionada sobre sua situação financeira, ela respondeu: “É desesperadora. Antes eu gerava renda dividindo minha casa em dois kitnets para aluguel. Agora, com a casa destruída, dependo de trabalhos extras e do apoio de amigos e familiares para sobreviver”, descreve. Os valores arrecadas com os kitnets rendiam cerca de R$ 2.500, mensalmente.  Ainda, Lenira contou que no dia 2 de maio, quando sua casa começou a ruir, também foi marcado por seu pedido de demissão do emprego que estava há mais de 25 anos. Ela explicou que depois de 40 anos dedicados ao trabalho havia decidido que ia parar de trabalhar, mas foi surpreendida pela tragédia. Conforme ela, continua trabalhando como extra para se manter.

O aspecto emocional também tem sido devastador, segundo ela, que apesar de continuar trabalhando, classifica como um desafio já que as lembranças do acontecido retornam à mente constantemente. Lenira contou que a irmã mais velha Leonita, de 73 anos, também residia na Guilherme Dal Ri, e perdeu a casa. As duas foram acolhidas pela irmã mais nova no Vale dos Pinheiros, tendo a mais velha que retornar a residir mais próximo ao Centro por conta de sua saúde. “Minha irmã perdeu sua casa na mesma rua, o que nos obrigou a nos separar devido às suas necessidades de saúde. Ela precisa ter acesso rápido ao hospital e posto de saúde”, partilha.

Quando a chuva começa, Lenira relata que se levanta da cama e fica em alerta para, se for necessário, sair imediatamente. “Cada vez que chove eu fico com o coração na mão. Aqui, quando começa, eu levanto com o celular na mão e vou olhar ao redor de casa, porque qualquer coisa eu me mando”

“Meus vizinhos eram como minha família”

Se recordando da vizinhança e a moradia, Lenira se emocionou salientando que os moradores se tratavam como familiares. Atualmente, quando um ex-vizinho liga, ela pensa no pior.

“Meus vizinhos eram como minha família, nossa rua não tem saída, é curta então todo mundo ali se conhecia e confiávamos uns nos outros. Cada vez que toca o telefone a gente já pensa que é mais uma casa que caiu, eu adorava dormir com chuva hoje eu entro em pânico quando começa a chover”, sublinhou.

Indenização e retomada

Em entrevista ao Jornal Integração, o prefeito Nestor Tissot mencionou a possibilidade de desapropriar os terrenos e indenizar os proprietários que foram afetados, no bairro Piratini. Acerca dessa intenção, Lenira projeta um valor de indenização e questiona o que dará para fazer. Ainda, ela comentou que o prefeito teria sugerido que moradores afetados fossem morar em Canela ou em outras localidades de Gramado.

“O prefeito vai indenizar R$ 200 mil? Não dá pra fazer nada. Teve uma ocasião que eu ouvi ele falar que “quem sabe vocês não vão morar em Canela?” Eu sou operária de Gramado há 40 anos, não vou abandonar”, mencionou.

Sobre a reconstrução de áreas afetadas e a retomada turística e econômica, Lenira conta que sua experiência fizeram que ela entendesse que o município de Gramado é resiliente e poderá se reinventar turisticamente para recuperar a economia. Ainda, ela sublinhou que a Administração deve ter “dois braços”, um para auxiliar as pessoas e locais afetados, e outro para focar no turismo e na economia.

“Eu penso que a Administração tem que ter dois braços. Um braço para o turismo e um braço para a reconstrução. Gramado é uma cidade muito resiliente, tem uma capacidade de se reinventar impressionante. A gente viu isso na pandemia e já está tendo movimento, no final de semana estava bem bom o fluxo. Então, eu penso que cabe, sim, cuidar das duas partes”, completou.

Necessidade de protocolos de evacuação e infraestrutura de acolhimento

Rua Guilherme Dal Ri é uma das mais afetadas – Leonardo Santos/JIH

Ela também destaca a necessidade urgente de melhorar os protocolos de evacuação e a infraestrutura de acolhimento para incluir necessidades básicas como banho e lavanderia, além de acomodações para animais.

“É necessário elaborar protocolos de evacuação, urgentemente. Precisamos de locais de acolhimento com estrutura para receber as pessoas com dignidade, com espaço para banho e lavanderia e que possa acolher os pets, muitas pessoas não tinham para onde ir justamente por canta dos bichinhos. Precisamos ter casas para moradia temporária e casas populares para quem não vai poder voltar nunca mais”, sugere.

A gramadense acredita que é crucial que a gestão atual e a futura de Gramado se comprometa com medidas eficazes de resposta e reconstrução, incluindo estudos de solo para novos loteamentos. Ela ainda pede para que medidas de prevenção sejam estudadas e instauradas para evitar que novas catástrofes ocorram.

“Essa catástrofe vai entrar para a história de Gramado, vamos aguardar pra ver como a gestão atual da cidade e a próxima vão entrar para a história, se como a administração que fez tudo para auxiliar a comunidade e reconstruir os bairros com agilidade e eficiência ou se vai ser lembrada pela omissão. É urgente pensar no clima e nas consequências das chuvas. Elas vão voltar. Já aconteceu em novembro no Bairro Três Pinheiros e no Orlandi, em menos de seis meses outro evento afetou profundamente o Bairro Piratini, Avenida das Hortênsias e muitos outros pontos”, finalizou.

Gramado recebe encontro para debater a retomada do turismo no estado

O trade turístico da Região das Hortênsias esteve reunido em Gramado na tarde de sexta-feira (28), para um encontro com o Governo do Estado sobre a retomada do turismo regional. A conferência foi organizada pelo Conselho do Plano Rio Grande, que é coordenado pelo vice-governador Gabriel Souza. O secretário estadual de Turismo, Luiz Fernando Rodrigues, os prefeitos de Gramado e São Francisco de Paula, líderes empresariais, entidades, e profissionais ligados à rede hoteleira, gastronômica e dos parques lotaram o auditório do Hotel Buona Vitta.

No encontro, o Trade Turístico entregou para o vice-governador uma pauta de reivindicações que visam à retomada do turismo nas cidades da Região das Hortênsias. Entre as demandas estão: a autorização para que a Infraero assuma os aeroportos regionais de Canela e de Torres; o aumento do número de voos na Base Aérea de Canoas; a recuperação da RS-235, no trecho que liga Gramado e Canela, da RS-115 e da BR-116, entre Caxias do Sul e Nova Petrópolis, e da RS-020, entre Rota do Sol e São Francisco de Paula. A aceleração do processo de concessão das rodovias do Polo Gramado também foi outra solicitação apresentada.

“Todos esses aeroportos vão receber investimentos do governo do Estado. No início da semana que vem, ocorrerá a devolutiva de uma consultoria que contratamos e que vai nos entregar um diagnóstico da situação de cada um deles. Precisamos saber exatamente o que precisa ser feito para executarmos com agilidade”, disse Gabriel.

Luiz Fernando exaltou as ações que a Secretaria de Turismo vem desempenhando e destacou eixos planejados para essa recuperação. Citou a busca pela confiança do RS como destino turístico, a fomentação do turismo doméstico, o fortalecimento dos eventos geradores de fluxo e a valorização da identidade e dos produtos gaúchos.

Destino preparado e seguro para os turistas

Gabriel falou sobre a divulgação de uma campanha para promoção do turismo que está sendo elaborada pela Secretaria de Comunicação. “A campanha deve ser veiculada nas próximas semanas, em rede nacional, na televisão, no rádio, em jornais e na internet, para que possamos mostrar aos brasileiros, e também às pessoas que moram fora do Brasil, o quanto o Rio Grande do Sul está preparado, desde já, para receber turistas, apesar das adversidades registradas em algumas regiões”, detalhou.

Marta Rossi, CEO do Festuris e do Connetcion Experience e membro do Conselho de Turismo do RS, participou do encontro e registrou a importância de investimentos em campanhas para atrair visitantes.

“Quando se fala em turismo, não se fala apenas em lazer, mas em mais de 50 segmentos impactados e em dezenas de cidades que adotaram o turismo como atividade turística para seu desenvolvimento econômico e que hoje sofrem com a redução de turistas, mesmo distante dos estragos das águas. A mídia negativa ultrapassou fronteiras e sofremos com os cancelamentos. E o motivo destes cancelamentos é o medo sobre a situação do RS. Precisamos de conectividade, sim, e o aeroporto é importante para isso, mas precisamos mais do que tudo de uma mídia nacional urgente mostrando que não estamos de joelhos, mostrando o potencial turístico do estado”, disse.

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