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RS deixará de vacinar rebanhos contra a aftosa

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O Rio Grande do Sul obteve uma conquista histórica para o setor da pecuária. A Instrução Normativa (IN) 52, assinada pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na terça-feira (11), reconhece o estado como zona livre de vacinação contra a febre aftosa. A mudança passa a vigorar em 1º de setembro. Na semana passada, auditores do ministério estiveram na Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural para avaliar o cumprimento das exigências feitas para a obtenção do novo status sanitário. “A medida vai gerar imenso impacto na economia gaúcha. Com a retirada da vacina, o estado poderá alcançar 70% dos mercados mundiais disponíveis”, afirma o secretário Covatti Filho. Ele observa que 2020 será o último ano com vacinação no estado.

Técnicos e especialistas apontam que a retirada da vacinação tem potencial de abrir mercados como Japão, Coreia do Sul, México, Estados Unidos, Chile, Filipinas, China (carne com osso) e Canadá. No setor dos suínos, a expectativa é de que haja incremento nas exportações na ordem de R$ 600 milhões anuais.

Custo a menos para os produtores

Em Caxias do Sul, a estimativa da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SMAPA) e Inspetoria Veterinária é de que cerca de 40 mil bovinos deixem de receber a vacina contra a febre aftosa. O médico veterinário da SMAPA, Fernando Vissirini Lahm dos Reis, alerta para três aspectos importantes da nova realidade: sanitário, econômico e comercial. “Na questão sanitária, é preciso destacar o trabalho preventivo da Inspetoria Veterinária, que vem há anos fazendo quase que uma mágica para ter o controle da erradicação da vacina, lutando contra a falta de estrutura. Inúmeras vezes a SMAPA auxiliou com pessoal e equipamentos para que ela conseguisse essa prevenção no rebanho local”, assinala.

Segundo Vissirini, com o tempo, as vacinas deixaram de ser subsidiadas pelo Estado, exigindo que os produtores comprassem nos estabelecimentos credenciados e fizessem a aplicação. “Isto sempre gerava custo adicional, sem falar no risco de um animal adoecer e precisar ser abatido”, observa. O principal objetivo de todo esforço está nos avanços de ordem comercial. “Vai abrir o mercado interno e, principalmente, o mundial em cerca de 70%, pois cessam restrições que a vacina gerava às exportações”, afirma.

No entanto, faz um alerta: é necessário o compromisso das partes envolvidas. “Município, Estado e União precisam se responsabilizar, juntamente com o produtor rural, de forma contínua, promovendo ações educativas com foco na informação. Toda a cadeia tem que ser continuamente informada sobre o porquê da zona livre de vacinação contra aftosa ser tão importante”, reforça.

Para a coordenadora da Inspetoria Veterinária sediada em Caxias do Sul, Luíza Virgínia Caon, a nova realidade muda a ferramenta de controle. “Sai a vacina e entra a notificação. Mais do que nunca, continua a vigilância sanitária sobre o rebanho. Os produtores rurais precisarão prosseguir muito atentos aos sintomas da febre aftosa”, acrescenta. De acordo com a Inspetoria Veterinária, o município possui rebanho de 40 mil bovinos e 8 mil suínos, animais também suscetíveis à doença, assim como ovelhas, cabras e búfalos.

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