REGIÃO – Em entrevista concedida ao Jornal Integração na tarde desta quarta-feira (7), o presidente do Sindilojas Hortênsias, Guido José Thiele, fez uma ampla análise sobre os desafios enfrentados pelo comércio regional, o cenário econômico para 2026, as transformações nas relações de trabalho e o futuro da entidade, que deverá passar por troca de comando nos próximos meses.
À frente do Sindilojas Hortênsias há 16 anos, Thiele destacou a complexidade da atuação sindical patronal, ressaltando que o trabalho é voluntário, sem remuneração, e exige dedicação constante. Segundo ele, diferentemente dos sindicatos laborais, que contam com estrutura profissionalizada, as entidades patronais dependem do engajamento espontâneo dos empresários. “Alguém precisa fazer o papel do patronal”, afirmou, ao explicar a importância da representação empresarial nas negociações coletivas.
Durante a conversa, o presidente enfatizou que o sindicato representa sete municípios da Região das Hortênsias e entorno — Gramado, Canela, Nova Petrópolis, Picada Café, São Francisco de Paula, Jaquirana e Cambará do Sul — e que a convenção coletiva firmada anualmente estabelece as regras mínimas das relações de trabalho e da remuneração, deixando espaço para negociações diretas entre empregadores e colaboradores dentro das empresas.
Thiele também manifestou preocupação com a interferência do governo nas relações trabalhistas, defendendo que as negociações sejam conduzidas pelas entidades representativas. Ao comentar propostas como o fim da escala 6×1, avaliou que mudanças impostas sem diálogo tendem a gerar insegurança e dificuldades adicionais para o empresariado, especialmente no comércio.
Outro ponto abordado foi o impacto do comércio eletrônico e da concorrência internacional, sobretudo de plataformas estrangeiras. De acordo com ele, o pequeno lojista enfrenta uma disputa desigual, competindo com empresas que operam com custos significativamente menores e sob legislações trabalhistas diferentes. “Hoje a concorrência não é mais o lojista da rua ao lado, mas alguém do outro lado do mundo”, observou.
Ao falar sobre o cenário econômico recente, Thiele relembrou os efeitos da pandemia e das enchentes de 2024, que atingiram fortemente a Região das Hortênsias devido à queda brusca do turismo. Segundo ele, 2024 foi um dos anos mais difíceis para o comércio local. A recuperação começou a ser sentida com a reabertura do aeroporto e avançou ao longo de 2025. Para 2026, a expectativa é de manutenção desse patamar, apesar de fatores que podem influenciar negativamente, como a Copa do Mundo, o período eleitoral e o alto custo do crédito. ”Temos de ser otimistas, fácil não vai ser, mas teremos de ser perspicazes para aproveitar as oportunidades”, disse.
O presidente também chamou atenção para a carga tributária e para as mudanças trazidas pela reforma tributária, afirmando que empresários e trabalhadores passam grande parte do ano trabalhando para pagar impostos, o que reduz o poder de consumo e impacta diretamente o comércio.
Outro desafio apontado é a falta de mão de obra qualificada. Thiele relatou que, mesmo com a oferta de cursos e capacitações por meio do Senac, há dificuldade em preencher vagas. “Temos falta de mão de obra e, ao mesmo tempo, dificuldade de atrair pessoas para a qualificação”, afirmou, ressaltando o papel das entidades em apoiar a formação profissional.
Ao final da entrevista, Guido José Thiele confirmou que deixará a presidência do Sindilojas Hortênsias em março, com a realização de nova eleição. O atual vice-presidente, Sandro Schmidt, é o nome indicado para assumir o cargo. Thiele seguirá participando da diretoria, mas afirmou entender que é o momento de renovar a liderança. “Eu fiz a minha parte”, concluiu, destacando que deixa a entidade estruturada, com reconhecimento regional e melhores condições financeiras do que encontrou ao assumir o comando.
Assita a entrevista completa aqui: https://www.facebook.com/jornalintegracaohortensias/videos/874417548326990/












