CANELA – A comunidade está se movimentando para que a Associação de Pais e Amigos de Especiais (Apae), acompanhe a mudança da Escola Especial Rodolfo Schliepper para o bairro Sesi. Os pais dos alunos que frequentam o educandário formaram a Luta Pela Inclusão (LPI), que tem como objetivo não só participar desta discussão, mas também fomentar eventos de conscientização acerca da inclusão social de pessoas especiais.
Um dos primeiro passos foi dado pelo arquiteto e urbanista, Vinicius Barreiro, pai da Maria Clara, de nove anos, que frequenta a Escola Especial há pouco mais de um ano. Ele foi recebido pela secretária de Educação, Esporte e Lazer, Janete dos Santos, para discutir a possibilidade.
Barreiro pediu as medidas do terreno que a Prefeitura possui ao lado do Parque do Sesi, aonde a Rodolfo Schliepper será construída. Janete concordou e ficou de encaminhar o pedido ao pai.
“Ainda estou aguardando o retorno da secretária, que disse que o arquiteto entraria em contato comigo para fornecer as medidas do terreno. Somente após receber essas informações poderei fazer uma avaliação mais precisa. No entanto, acredito que, se o terreno foi cedido para a APAE, há uma possibilidade de alinhamento entre as entidades e a prefeitura para que possam tomar decisões conjuntas e continuar trabalhando juntas no local do Sesi”, destacou ele.
O prefeito Constantino Orsolin havia acenado a possibilidade para que não houvesse a separação durante entrevista na rádio Integração Digital, no dia 16 de maio.Na oportunidade, ele disse que o Executivo não tem influência sobre a entidade assistencial, já que ela é privada, mas indicou que a instituição e a comunidade poderiam apresentar uma ideia ao Executivo para que as entidades continuarem “juntas”.
“A Escola Especial vai ser feita lá em cima (Sesi), mas eu não posso interferir na Apae, que é uma entidade privada. Inclusive, tem o terreno que é deles e o outro é da Rodolfo Schliepper, que é com quem eu tenho obrigação. Eu nunca fechei as portas para que também seja feita lá em cima (no Sesi), mas eles tem de me dizer como querem executar. Não se pode pensar que só o Poder Público tem que fazer”, discorreu.
Conforme Barreiro, que é presidente da LPI, a separação das entidades poderia afetar os assistidos já que a Apae fornece suporte multidisciplinar. “Sim, sem dúvida, separar as duas instituições pode prejudicar as crianças. A Escola Rodolfo Schlieper e a APAE têm uma parceria de 45 anos, na qual os alunos da escola recebem suporte multidisciplinar da APAE. Essa parceria é essencial para garantir o desenvolvimento e a inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais. A Rodolfo é uma escola municipal que oferece educação especializada para alunos com necessidades educacionais especiais, enquanto a APAE fornece suporte multidisciplinar, como fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, assistência social e fisioterapia”, descreveu.
O arquiteto aproveitou para elogiar o trabalho desenvolvido pela equipe da Escola Rodolfo. De acordo com ele, a filha passou por algumas escolas e não se adaptou e escolheu o educandário quando se sentiu acolhida.
“A Maria Clara iniciou na escola há pouco mais de um ano. A escola Rodolfo foi uma escolha dela, pois se sentiu acolhida e voltou a sorrir, além de estar se desenvolvendo no seu próprio ritmo. Antes de entrar na Rodolfo, ela estudou em várias escolas regulares, mas não se adaptou devido à falta de capacitação para a inclusão. Ali fomos bem acolhidos por todos, e a abordagem de trabalhar a individualidade de cada aluno e a turma reduzida chamaram nossa atenção”, completou.
Bruna Tomazewki, mãe do Dominick, também é uma das integrantes da LPI e acredita que alguns pais teriam dificuldade de levar os filhos em outros horários para serem atendidos na Apae, seja pela questão de horário ou financeira. O filho frequenta a escola há mais de três anos.
“Ao meu ver seria prejudicial (separar as instituições), principalmente pensando naquelas famílias que não possuem recursos para levar e buscar seus filhos semanalmente, em vários dias e horários alternados para os atendimentos, que os pais trabalham e não conseguem se ausentar do emprego para fazer a logística, que não têm uma rede de apoio sendo apenas a mãe, ou só o pai, ou só a avó. Essa situação é a que mais me preocupa, pois, se ou quando essa decisão acontecer, aquelas famílias que são compostas apenas pelo responsável e a criança ou adolescente, ficarem em uma situação que possivelmente terão que escolher entre o seu sustento e o tratamento terapêutico dos seus filhos, faço a pergunta: como elas farão esta escolha?”, indagou ela.
A mudança ocorre, principalmente, pela precariedade do prédio onde a instituição funciona atualmente. A secretária de Educação, Esporte e Lazer, Janete dos Santos, explicou para a reportagem que há muitos problemas na estrutura e que a melhor opção é não reformar e construir uma nova
Rede elétrica refeita – A rede elétrica da Escola Rodolfo Schliepper foi substituída por uma nova. A Educação investiu R$ 16.800 para refazer a rede por indicação do Corpo de Bombeiros. De acordo com a secretária, uma empresa foi contratada para regularizar o Pano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI).
“Cabe a nós tranquilizar os pais, fomos orientados pelo Tenente Miguel, que falou para trocarmos a rede poderíamos ficar tranqüilos. Ela foi refeita e não há riscos. Nos preocupamos, são alunos especiais. O que a escola tiver de problema iremos ajeitando, é uma obra muito antiga”, relatou ela.
O educandário segue funcionando ao lado da Apae e ainda não tem data para a mudança, mas o projeto na categoria modular está finalizado. A Escola Especial terá 1.224,02m², além de um pátio coberto de 249,43m², e ficará ao lado do parque do Sesi, na rua Francisco Bertolucci.











