CEO do Castelo de Gelo diz que reconstrução ainda é incerta após incêndio em Gramado
O futuro do Castelo de Gelo – Icebar, empreendimento que seria inaugurado em Gramado e foi destruído por um incêndio antes mesmo de abrir as portas, segue indefinido. Em entrevista coletiva concedida na manhã desta semana, o CEO do projeto, Dudu Kny, afirmou que ainda não há decisão sobre a reconstrução do parque, citando dificuldades técnicas e financeiras, mas há o interesse em reconstruir.
O incêndio ocorreu em outubro de 2025, poucos dias antes da inauguração prevista para 5 de novembro, e teve início no segundo piso da edificação, onde estavam instaladas as câmaras de refrigeração. Laudos periciais preliminares indicam que o foco do fogo começou justamente nessas câmaras frias. Apesar da destruição total do prédio, não houve feridos.
Segundo Dudu Kny, o empreendimento não estava segurado no momento do sinistro. Ele reconheceu a falha como um erro de gestão. “Se há alguma culpa minha, foi essa”. O seguro estava em fase avançada de tratativas, sobre sua mesa, mas ainda não havia sido contratado, explicou. O CEO relatou ainda que a empresa “terminou junto ali”, já que o negócio queimou sem nascer, sem nunca ter funcionado.
De acordo com o empresário, ainda não foi possível acessar plenamente o local para avaliar se alguma parte da estrutura pode ser reaproveitada. Ele explicou que o incêndio não se deu com grandes chamas, mas por derretimento progressivo dos materiais, o que fez com que itens do primeiro andar permanecessem parcialmente preservados. Imagens das câmeras internas ajudaram a esclarecer parte da dinâmica do ocorrido, mas o local segue vulnerável, com registros de furtos e abandono.
O custo estimado “um chute” para uma eventual reconstrução gira em torno de R$ 25 milhões. Além disso, a empresa enfrenta dificuldades financeiras decorrentes de aluguéis atrasados, compromissos com fornecedores e outras despesas acumuladas após o incêndio, ao que explicou Dudu.
A investigação policial ganhou novos desdobramentos nas últimas semanas. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou três funcionários da empresa Dufrio pela retirada irregular de um equipamento considerado essencial para a apuração das causas do incêndio. O equipamento, conhecido como Sitrad In Box (Citrad), faz o monitoramento e registro do funcionamento das câmaras frias e dos sistemas de refrigeração, enviando dados a um sistema central. Ele havia sido instalado apenas um dia antes do incêndio.
Dudu Kny comparou o equipamento a uma “caixa-preta de avião”, destacando sua importância para a perícia. Segundo ele, a Dufrio só devolveu o equipamento após ser intimada judicialmente, mas a direção do Castelo de Gelo afirma não saber se o aparelho foi violado ou adulterado. Atualmente, o equipamento encontra-se sob análise no Instituto-Geral de Perícias (IGP).
A Polícia Civil aponta que os funcionários da fornecedora se passaram por integrantes da direção do empreendimento para retirar o equipamento do local. Os advogados do Castelo de Gelo informaram que irão ingressar com ação cível para buscar reparação dos danos materiais e financeiros causados.
O Castelo de Gelo – Icebar previa investimento inicial de cerca de R$ 10 milhões, ocupava uma área de 1,2 mil metros quadrados e tinha capacidade estimada para receber mais de 1,2 mil visitantes por dia. Inspirado na história de “A Bela e a Fera”, o projeto prometia se tornar o maior bar temático de gelo do mundo, mas teve sua trajetória interrompida antes mesmo da inauguração.











