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Mitos e verdades sobre a vacina contra a Covid-19

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CANELA – Diante da disseminação de fake news, muitas pessoas ficam temerosas em tomar a vacina contra a Covid-19. Para falar sobre o assunto, o Jornal Integração entrevistou o infectologista Mateus Benatti Gondolfo, que é integrante da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital de Caridade de Canela (HCC).

De acordo com o médico, as vacinas para combater o novo coronavírus são seguras, eficazes e passaram por estudos científicos com vigilância rigorosa para garantir isso. “Cada vacina passa por processos distintos de desenvolvimento, com tecnologias diferentes envolvidas na sua fabricação e forma de entrega do componente imunogênico ao nosso organismo. Dessa forma, não é possível dizer se uma vacina é melhor do que a outra pois elas não devem ser comparadas. Podemos afirmar, porém, que todas as vacinas autorizadas para uso no mundo são seguras e eficazes para diminuir o risco de formas graves da Covid-19”, explicou. 

No Brasil, há disponíveis três vacinas autorizadas para uso emergencial: 1) Coronavac, produzida e distribuída pelo Instituto Butatan, tem efeito imunogênico secundário à administração do antígeno do SARS-CoV-2. São necessárias duas doses com intervalo de 4 semanas. 2) Covishield, que é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz, tem efeito imunogênico secundário à administração de um vetor viral, um adenovírus inativado, incapaz de se replicar e de causar doença, mas capaz de expressar a proteína S, responsável pelo formação de imunidade específica contra o SARS-CoV-2. São necessárias duas doses com intervalo de 12 semanas. 3) Ad26.COV2-S, produzida pela indústria farmacêutica Janssen, tem efeito imunogênico semelhante à Covishield, um vetor viral de adenovírus incapaz de replicação. É necessário apenas uma dose.

Gondolfo ressalta que nenhuma vacina é 100% eficaz. A vacina contra a Covid-19 é comprovadamente eficaz contra as formas graves da doença. E o risco de adoecer e transmitir o vírus ainda existe, mas é muito menor. Além disso, nenhuma vacina tem efeito imediato, sendo necessário algumas semanas para que possam ser gerados anticorpos neutralizantes, eficazes para atenuar a doença e reduzir as chances de formas graves.

JORNAL INTEGRAÇÃO: A rapidez com que as vacinas contra a covid-19 foram fabricadas alteram a eficácia?
Mateus Benatti Gondolfo:
Definitivamente não. Mas realmente elas foram fabricadas em tempo recorde. E qual o mal nisso? Nenhum. Bem pelo contrário, só encontramos benefícios, pois estamos em meio a uma pandemia que se estende há mais de um ano em seu pior momento e sem previsão para terminar, a não ser que a maioria da população mundial seja vacinada. Mas se as vacinas geralmente levam 10 anos para serem produzidas e essas vacinas levaram 10 meses, como podem ser eficazes? Partimos do ponto em que a tecnologia necessária para construir as vacinas para a COVID-19 já existe há anos, décadas. As vacinas que recebemos desde o nascimento, utilizam a mesma tecnologia de base que a maioria das vacinas que estão autorizadas para o uso contra a COVID-19. Mas ainda assim temos uma vacina nova, pois um pedacinho do vírus -uma proteína, um pedaço do material genético- é utilizado em sua composição para gerar a produção de anticorpos, nossa defesa contra a COVID-19. Em uma situação não-pandêmica, esse processo demoraria 10 anos, mas como não há tempo a perder, pois esse tempo é pago em vidas, o uso emergencial permite a liberação dessas novas vacinas desde que elas tenham passado pela fase 3 de estudos clínicos, justamente a fase que analisa a segurança e a eficácia. Portanto, as vacinas contra a COVID-19 são seguras, eficazes e passaram por estudos científicos com vigilância rigorosa para garantir isso. Não só podemos, como devemos nos vacinar.

A vacina da gripe protege ou ajuda no combate à covid-19?
A resposta é simples: sim! Precisamos entender de que forma, então. Tanto a COVID-19 quanto Influenza (gripe) são doenças respiratórias com potencial de hospitalização, internação em UTI e óbito. A vacina contra a gripe, especialmente nas populações de maior risco -menores de 6 anos de idade, maiores de 60 anos, gestantes e puérperas, pessoas com doenças crônicas e nas imunossuprimidas- tem potencial de reduzir a necessidade dessas internações, ou seja, além de poder evitar a doença, àqueles que a adquirem vão ter formas leves, não precisando internar e não ocupando leitos e afogando o sistema de saúde que deve ser priorizado para o atendimento da pandemia. Além disso, parece existir um certo efeito protetor da imunização contra Influenza em pacientes com COVID-19. Um estudo publicado na renomada revista científica The Lancet, comparou 13 mil pessoas vacinadas contra Influenza contra 14 mil não vacinadas. No grupo de vacinados, a chance de testar positivo para COVID-19 foi menor do que no grupo não vacinados. Além disso, as pessoas vacinadas e com COVID-19 necessitaram menos de hospitalização, ventilação mecânica e tiveram um tempo de internação menor. Isso sugere que a vacina contra a gripe pode ter sim um efeito protetor contra a COVID-19, mas ainda há necessidade de mais estudos sobre o tema para poder afirmar isso com propriedade.

As vacinas contra a covid-19 alteram o DNA humano?
Talvez esse medo tenha surgido devido às novas vacinas que envolvem a tecnologia de RNA mensageiro. Talvez esse medo tenha surgido devido à disseminação de informações falsas e sem fundamentos, mas que geram inúmeras visualizações e fortalecem posicionamentos pessoais e políticos. As vacinas utilizam tecnologias diferentes, mas todas com um mesmo objetivo: levar uma parte do microorganismo (no caso da COVID-19, uma proteína ou aminoácidos do SARS-CoV-2) para nossa corrente sanguínea para que nossas células de defesa façam um reconhecimento e produzam anticorpos que possam amenizar ou até mesmo evitar a doença de acontecer. O DNA (nosso material genético) encontra-se no núcleo das nossas células e nenhuma vacina leva nenhum material para o núcleo da célula, nem mesmo as vacinas que contém RNA mensageiro. Portanto, se nada chega no núcleo da célula, o DNA não é afetado, consequentemente não sendo alterado”.

A imunização contra a covid-19 causa efeito colateral?
Efeitos colaterais são passíveis de acontecer em qualquer tipo de vacina. Felizmente, esses efeitos são em sua maioria leves e não geram maiores transtornos. Sintomas comuns, após a aplicação, são dores, vermelhidão, prurido e hipersensibilidade no local da injeção, fadiga, náuseas, dor de cabeça e indisposição. Outros sintomas, como febre, tosse, artralgia (dor articular), perda do apetite e congestão nasal podem ocorrer. É importante deixar bem claro que não é comum todos os sintomas ocorrerem ao mesmo tempo e que alguns que estão presentes são toleráveis.
No meu caso, após receber a primeira dose da CoronaVac, senti leve dor em meu ombro (local da aplicação), uma sensação de vazio na cabeça durante algumas horas e no estômago uma leve sensação de empachamento. Após a segunda dose, não tive efeitos colaterais. 

Quem tomar a primeira dose pode morrer por consequências da covid-19?
Tanto após a primeira, e principalmente após a segunda dose, as chances de hospitalização e de óbito por COVID-19 reduz drasticamente. Essa é a maior finalidade da imunização: proteger contra a forma grave da doença. O risco de adoecer, transmitir o vírus e de inclusive precisar de algum tipo de assistência em saúde ainda existe, apesar de reduzido, portanto é necessário mantermos os mesmos cuidados de proteção após a vacinação: usar máscaras, manter distanciamento e higienizar as mãos.

Vacinas da covid-19 causam autismo?
Não! Nem vacinas contra a COVID-19, nem vacinas contra sarampo, rubéola e caxumba (tríplice viral), nem qualquer outra vacina causa autismo. Esse mito surgiu no início de 1998, após um médico chamado Andrew Wakefield apresentar uma pesquisa preliminar, publicada na conceituada revista Lancet, descrevendo 12 crianças que desenvolveram comportamentos autistas e inflamação intestinal grave. Elas tinham em comum a presença de vestígios do vírus do sarampo e a hipótese levantada foi de que após a vacinação, a inflamação gastrointestinal gerada poderia gerar inflamação cerebral e, consequentemente, justificar o comportamento autista. Apesar de ser apenas uma hipótese e de conter apenas 12 pacientes, um número insignificante estatisticamente, a interpretação errônea desse achado gerou dúvidas sobre a segurança da vacinação contra o sarampo e das vacinas de uma forma em geral. O maior estudo sobre o tema foi publicado em abril de 2019, que incluiu 657.461 crianças nascidas na Dinamarca entre 1999 e 2010 e as acompanhou até 2013. A conclusão final foi de que não houve relação entre a vacina da tríplice viral e autismo. Podemos extrapolar esses achados para a vacina contra a COVID-19 e inferir que ela também não causa autismo? Sim.

O mercúrio está presente na composição destes imunizantes?
Otimerosal é um composto orgânico que contém mercúrio (etilmercúrio) em sua composição e tem o objetivo de agir como conservante em vacinas multidoses. Nenhum estudo comprovou que o mercúrio contido em algumas vacinas está associado com autismo ou outras complicações neurológicas. Algumas vacinas contra COVID-19 contém timerosal em sua composição. Nesse momento, é importante utilizarmos a balança da razão: de um lado o fato de que vacinas que contém mercúrio não tem comprovação de malefício para a saúde; do outro lado, o fato de que a vacina contra a COVID-19 tem comprovação em reduzir o nível de hospitalização e de óbitos. E aí, de que lado você escolhe estar?

É melhor ser imunizado contraindo a doença ou se vacinando?
Com toda certeza, é melhor ser imunizado pela vacina. A imunização passiva gerada pela vacinação significa que o corpo produz anticorpos na ausência da doença, através do estímulo imunogênico dos componentes vacinais. E a imunização ativa causada pela própria doença da COVID-19, além de ser extremamente arriscada, não é sempre duradoura e o risco de novas infecções existe.

Gestantes podem ser vacinadas contra a covid-19?
Não houve estudos de vacinas contra a COVID-19 em gestantes, entretanto estudos em animais já demonstraram segurança para o feto. Esse ano, com a mudança do perfil de apresentação da COVID-19 secundário às novas variantes, estamos observando um número maior de gestantes hospitalizadas e uma maior gravidade nessa população foi observada. O Ministério da Saúde recomenda que vacinas contra a COVID-19 sejam oferecidas às gestantes, sendo necessário deixar claro a escassez de estudos e que a decisão de vacinar é da gestante e deve ser respeitada”.

Pessoas que têm alergia podem tomar as doses?
Pessoas com histórico de reações alérgicas graves (reações anafiláticas) por outras vacinas, medicação ou alimentos, podem ser vacinadas, entretanto é necessário informar sobre esse evento antes da aplicação, essa pessoa será observada durante um período. Mais de 24 milhões de doses já foram aplicadas e até o momento nenhum óbito foi associado a vacinação.

Texto: Gabrielly Pimentel – [email protected]

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