CANELA – Moradores do Loteamento Mirote, manifestaram dificuldades enfrentadas por crianças e adolescentes no acesso ao transporte escolar. A principal reivindicação da comunidade é que o ônibus passe a entrar ao menos parcialmente no bairro.
Segundo o presidente da Associação de Moradores, conhecido como Padreco, o problema não é recente. Ele afirma que os alunos precisam caminhar cerca de 600 metros até a rodovia para embarcar no transporte, em um trecho considerado perigoso. “É uma rodovia de grande movimento, com caminhões e carretas. Existe o risco constante de acidentes, e nossas crianças ficam expostas”, destacou.
A comunidade relata que já buscou apoio junto às autoridades municipais. De acordo com Padreco, a justificativa apresentada é a existência de uma norma que permitiria a entrada do transporte escolar apenas em locais com distância superior a 1.500 metros da escola. Ainda assim, os moradores acreditam que a regra pode ser revista. “Sabemos que há leis, mas elas podem ser modificadas. Estamos buscando diálogo com os vereadores e o poder público”, afirmou.
A situação também preocupa pais e responsáveis. A moradora Marines da Silva, mãe de três crianças, relatou as dificuldades enfrentadas no dia a dia. “Eles levam de 15 a 20 minutos para chegar até aqui. Em dias de chuva ou frio, acabam faltando aula porque não têm condições de vir”, explicou. Outro ponto levantado pelos moradores é a dificuldade de acompanhamento por parte dos pais, especialmente para famílias em que os responsáveis trabalham fora. Crianças pequenas, entre 7 e 8 anos, muitas vezes precisam se deslocar sozinhas até o ponto.
A proposta da comunidade é que o ônibus escolar percorra ao menos parte do loteamento, chegando até o final do trecho asfaltado, o que já reduziria significativamente os riscos e facilitaria o acesso dos estudantes.
O QUE DISSE O SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO
Segundo o secretário Gilberto Tegner, o Tolão, a legislação estabelece que estudantes podem percorrer até dois quilômetros a pé até o ponto de embarque do transporte escolar. No caso dos moradores do Mirote, ele argumenta que a distância adicional até o acesso principal seria de cerca de 200 metros, o que, na avaliação da pasta, ainda se enquadraria nas normas vigentes.
Apesar disso, Tolão admitiu que o trajeto pode ser mais longo devido à necessidade de contornar determinadas vias, o que gera insatisfação entre pais e alunos. Como alternativa, ele afirmou que pretende avaliar a instalação de um abrigo mais adequado no ponto de parada, buscando oferecer melhores condições de espera aos estudantes.
“Esse tipo de pedido acontece em vários lugares. A gente entende, mas não tem como atender todas as particularidades sem comprometer o sistema como um todo”, explicou o secretário.
Durante a manifestação, o titular da Educação também ressaltou avanços na rede municipal desde que assumiu o cargo, em 2017. Ele citou que, à época, moradores da região enfrentavam dificuldades até mesmo para matricular crianças em escolas e acessar serviços de saúde, sendo necessário, em alguns casos, recorrer a endereços alternativos.
De acordo com o secretário, a situação mudou significativamente. Hoje, todos os alunos estariam regularmente matriculados, com 100% das turmas em sala de aula. Na educação infantil, o índice de atendimento chega a 95%, conforme os dados apresentados.












