GRAMADO – A morte precoce de Marina Maria de Carvalho, 33 anos, causou comoção. A jovem foi atropelada na noite de quarta-feira (18), por volta das 22h30, no quilômetro 39 da ERS-115, no bairro Três Pinheiros, no sentido Gramado–Três Coroas.
De acordo com o Comando Rodoviário da Brigada Militar, Marina foi atingida por um Fiat Siena, com placas de Três Coroas, conduzido por um homem de 41 anos. Ela morreu ainda no local, antes da chegada do socorro. O motorista foi encaminhado à delegacia para o registro da ocorrência. As circunstâncias do atropelamento serão apuradas pelas autoridades.
Dúvidas e indignação
A rotina de Marina Maria de Carvalho na noite do acidente ainda é um ponto de interrogação para a família. Segundo o irmão, Maico Carvalho, ela costumava avisar o companheiro quando estava saindo do supermercado onde trabalhava há 10 anos, pedindo que fosse buscá-la ou solicitando um carro por aplicativo. No entanto, naquela quarta-feira, o celular estava sem bateria, o que pode ter impedido qualquer contato.
Marina havia se mudado há apenas três dias para o bairro Três Pinheiros, em Gramado. Conforme Maico, ela decidiu seguir a pé. O trecho onde ocorreu o atropelamento, na ERS-115, próximo à entrada do bairro Jardim, não possui acostamento. A família acredita que ela possa ter se distraído e caminhado pela via de acesso dos veículos. O impacto ocorreu por trás. O irmão revelou que a certidão de óbito constatou como traumatismo craniano.
Maico também mencionou que o motorista envolvido no acidente seria um bombeiro civil no município de Três Coroas e teria prestado socorro imediato, tentando reanimá-la até a chegada da equipe de atendimento. “Temos gratidão pelo que ele fez de tentar salvar a minha irmã”.
Outra situação que causa angústia e dúvidas é sobre a liberação do corpo. De acordo com Maico, o atropelamento ocorreu por volta das 22h30, e o corpo foi liberado cerca de duas horas depois. Porém, ele afirma que só soube oficialmente da morte da irmã às 7h15 da manhã de quinta-feira, quando recebeu uma mensagem via WhatsApp do companheiro de Marina informando o que havia acontecido, um momento que ele descreve como devastador e difícil de compreender.
Além da perda irreparável, a família ainda enfrentou um momento de indignação durante o translado do corpo. Segundo Maico, ao parar para abastecer o carro funerário, houve um erro no abastecimento e um posto de combustível em Taquara. “Ao invés de colocar gasolina, colocaram óleo. Tivemos que esperar um outro carro da funerária seguir com o translado, mas fomos bem atendidos, o erro foi do posto”, disse.
“Ela queria nos ver bem, sempre alegres”
Em meio à dor, o irmão Maico Carvalho encontrou forças para falar sobre a irmã e lembrar da mulher alegre, vaidosa e de coração generoso que ela era.
“Me ligaram, me mandaram mensagem. Colegas de trabalho dela, vários clientes do Carrefour foram e disseram: ‘Sinto muito pelo que aconteceu com a tua irmã’. Sempre que eu ia lá, ela estava sorrindo, vinha conversar, perguntava como a gente estava. Teve gente que me disse: ‘Como é que eu vou agora no Carrefour e não vou mais ver o sorriso dela?’”, relatou.
O depoimento revela o quanto Marina era querida. Segundo Maico, a irmã conquistava as pessoas com pequenos gestos e atenção genuína. “Isso dá a entender o quanto ela era querida. A gente teve brigas como qualquer irmão, mas ela sempre foi de coração enorme, uma pessoa agradável.”
Vaidosa e cheia de personalidade, Marina gostava de se arrumar, de se maquiar e de estar sempre bem-vestida. “Ela tinha roupas de vários modelos, às vezes nem usava, mas estava sempre maquiada. Até para ir ao mercado ela se arrumava. Isso nos deixa uma lembrança boa dela”, disse o irmão.
Com os olhos marejados, Maico recorda momentos marcantes da trajetória da irmã. “Lembro de cada aniversário, dos 15 anos, da festa que o pai deu. Lembro das nossas brigas, dos nossos abraços. No Natal ela me deu uma camisa. No nosso último café juntos, me deu uma caixa de bombom. No último adeus, no mercado, eu ainda brinquei: ‘Não trabalha muito, minha mana’.”
Em meio ao luto, a família tenta encontrar forças para seguir, amparada pelas lembranças e pelo carinho que Marina cultivou ao longo da vida. O irmão citou o apoio do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), onde a irmã era assistida pela equipe, além da Secretaria de Assistência Social de Gramado. Foi por meio do CAPS, que a família levou a mãe de Marina, Maria Ronila Benisch, 62 anos, que faz tratamento na casa de saúde, para contar o que tinha ocorrido com sua família, como forma de prevenção, caso se sentisse mal.
“Não estamos felizes pelo que aconteceu, mas saber que ela era querida nos dá ânimo. Ela queria nos ver bem, sempre alegres. Isso é importante, recebemos muito apoio”, concluiu. Além de Maico, Marina tinha outros dois irmãos, Jonathan e João.










