Mudanças na CNH ampliam liberdade de escolha, mas especialistas alertam para riscos da falta de preparo
As recentes alterações no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), determinadas por resolução da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), têm provocado debates em todo o país. Em Gramado, o tema foi detalhado em entrevista ao Jornal Integração pelo diretor do CFC Gramado, Alex Sessin, que alerta para o risco de precarização na formação de novos condutores.
Segundo Sessin, a nova normativa flexibiliza etapas do processo, permitindo que o candidato escolha quantas aulas deseja realizar, sendo obrigatórias apenas duas aulas práticas. A etapa teórica, que antes previa formação estruturada, pode ser substituída pela emissão de certificado via aplicativo do governo federal. Para o diretor, a medida facilita o acesso ao documento, mas não garante a preparação necessária para enfrentar o trânsito com segurança.
“O problema não é o papel, é o preparo. Dirigir envolve decisões rápidas, leitura correta da sinalização, direção defensiva e responsabilidade com a vida própria e dos outros”, destaca.
O CFC Gramado, que atua há 28 anos na formação de condutores, segue oferecendo aulas teóricas e práticas completas, mesmo com a flexibilização da legislação. De acordo com Sessin, muitos candidatos continuam optando por pacotes maiores de aulas, priorizando a aprendizagem em vez da simples aprovação no exame.
Outro ponto de preocupação é a futura possibilidade de instrutores autônomos utilizarem veículos próprios, sem exigência de duplo comando de freios, o que, na avaliação do CFC, pode comprometer a segurança durante o aprendizado. “No centro de formação, há fiscalização, câmeras, veículos adaptados e acompanhamento constante do Detran. Isso garante controle e proteção ao aluno”, afirma.
A entrevista também abordou a renovação automática da CNH para motoristas com cadastro positivo, sem necessidade de exame médico em alguns casos. Para Sessin, a medida reduz custos, mas elimina uma etapa importante de avaliação de reflexos, visão e condições físicas do condutor.
Apesar das mudanças, o CFC Gramado reforça que a legislação não proíbe o estudo nem a formação completa. “O candidato tem liberdade para escolher, mas precisa entender que dirigir é uma das atividades de maior risco do dia a dia. Preparação salva vidas”, conclui.
O centro segue atendendo a comunidade de Gramado e Canela, orientando candidatos e defendendo a educação no trânsito como ferramenta essencial para a redução de acidentes e para a segurança coletiva.











