Nesta semana tive a felicidade de voltar ao local que me formou como homem e cidadão. A Escola Neusa Mari Pacheco – CIEP me recebeu de braços abertos, na quinta-feira (21), para falar sobre fake news, os processos de apuração das notícias e como lidamos com a influência que o Jornal Integração possui como maior meio de comunicação da Região das Hortênsias. O convite veio do professor Maurício, a quem eu agradeço muito pela oportunidade!
Filme na cabeça

Um filme passou na minha cabeça ainda antes de entrar no portão e não tinha como ser diferente. Passei 11 anos da minha vida lá dentro, ou seja, um pouco menos da metade da minha idade. Foram 3.965 dias sendo aluno ‘do Neusa’ e eu tenho muito orgulho de voltar ali e dizer isso. Nunca fui o aluno exemplar, apesar das minhas notas serem boas, era hiperativo, o que conversava no meio da aula e tinha dificuldade com a autoridade dos professores, como qualquer criança/adolescente rebelde, mas ali eu tive uma extensão do que o meu pai e mãe ensinavam: ser honesto e respeitoso. Passei, todos aqueles mais de três mil dias, em turno integral. Acordava 6h30, entrava as 7h40 e saia às 17h20 e, como escrevi antes, entrei uma criança e sai como um adulto preparado para trabalhar.
Melhor do Brasil
Por um acaso, logo no hall de entrada, há um quadro com uma capa do Integração: “A melhor escola do Brasil”, se referindo a 2010, ano em que a escola foi eleita pelo Prêmio Sesi Qualidade da Educação. Na época, ‘o Neusa’ disputou contra 1,8 mil colégios na primeira fase e 75 na segunda. A escola foi a única do Rio Grande do Sul entre as ganhadoras, sendo contemplada com um cheque de R$ 20 mil.
Modelo
‘O Neusa’ serviu de modelo à educação do município, que aderiu ao método de turno integral no início de 2019. “Nós olhamos para a escola Neusa Mari Pacheco, e não há como a cidade não ter orgulho. Olhamos para a organização, fomos visitar (…). A partir disto começamos a montar o projeto. A Neusa inspira modelos de educação para o Brasil inteiro. Não podia deixar de inspirar modelo de educação para Canela”. As aspas são do vice-prefeito eleito, Gilberto Tegner, oTolão, quando ainda era o secretário da Educação do município. Esperamos que continue…
Nostalgia
Logo depois da entrada, a esquerda, já está a diretoria e o grande corredor que dá acesso a todos os blocos. Ali, enquanto esperava o professor Maurício e era recebido pela diretora Lisiany, carinhosamente chamada de professora Lisy, a nostalgia foi grande. A escola tem uma particularidade, quanto mais longe os blocos da entrada, menor é o ano de ensino, ou seja, a cada ano o aluno se aproxima da saída. Então, o filme continuou passando pela minha cabeça quando eu me dirigia até o auditório e passava pelos corredores, quadras, o ginásio, os professores (um beijo professora Marcinha). Eu só não passei perto da piscina. Sim, lá tem piscina, aprendi a nadar na escola com as aulas de natação.
11 anos e três diretores
De 2007 até 2017, tive três diretores: Constantino Orsolin, Vera Moraes e Márcio Gallas Boelter. O último deles, Márcio, encontrei quando saia e pudemos rir de todas as vezes que ele teve que chamar a minha atenção quando ainda estudava. Tenho muito carinho por ele, é um dos responsáveis por aquela escola ainda ‘estar de pé’. Obrigado, professor Márcio pelos puxões de orelha!
As fake news
O bate-papo ocorreu com alunos do 1° ano da escola, que trabalham comunicação em disciplina eletiva. Além dos assuntos postos na pauta, também pude falar sobre a minha trajetória na escola e tirar algumas dúvidas, por exemplo, o processo de verificação e identificação de fake news. Comecei levando a frase do amigo Fernando Gusen: “Se é fake, não é notícia”, e expliquei que, na maioria das vezes, há responsáveis por produzi-las e fomenta-las, mas nós (jornal), como eles (alunos), devem fazer a verificação das informações na totalidade das vezes para não haver o fomento de mentiras. As informações falsas, em algumas oportunidades, começam na própria comunidade. “Porque me contaram assim”, “mas fulano falou que…”. Temos que ter cuidado.
Obrigado, turma!
Aos que me ouviram por mais de uma hora: obrigado! Voltar e ser bem recebido nesse lugar é uma honra. Como eu falei para vocês e repito: respeitem seus professores, eles sabem o que estão dizendo. Já fui um de vocês e sei como é. Muitas vezes não queremos prestar atenção na aula, ouvir quem está na frente do quadro, mas eles sabem mais do que nós, podem confiar! Nunca achei que diria isso, mas eu estou ficando velho mesmo, aproveitem essa fase. De um guri que já viu de tudo e viveu bastante, essa fase não volta. Um abraço!











