GRAMADO – Três jovens, dois homens e uma mulher, começarão a responder ao Judiciário sobre a morte de Vitória Gabriele Consoni, que faleceu em um acidente de trânsito, no bairro Carazal, no dia 29 de abril de 2021. Os réus, indiciados por homicídio culposo, são o ex-namorado da vítima, que dirigia o carro, e um casal que estava em outro veículo. Conforme a investigação policial, um racha teria antecedido o acidente e a morte da menina de 19 anos.
A Audiência será amanhã, terça-feira (26), a partir das 14h, no Fórum Municipal. A denúncia é que, após ingestão de bebidas alcoólicas, praticaram homicídio culposo na direção de veículo automotor.
Expectativa é que réus recebam pena máxima
O Ministério Público foi o responsável por oferecer denúncia ao Judiciário após a entrega da investigação produzida pela Polícia Civil. O assistente de acusação, Ramon Cavallin, defende que o fato foi muito grave por resultar em uma morte e que a pena máxima deve ser aplicada para reprimir este tipo de ocorrência.
“Nossa expectativa é que haja a condenação de todos os réus, por todos os crimes indicados na Denúncia. O fato é muito grave, sendo que acarretou no óbito de uma menina muito jovem e no luto profundo de uma família. A aplicação da lei penal deve servir para aplicar a reprimenda no caso concreto, mas também para prestar de exemplo e conscientizar toda a sociedade para que não hajam outras “Vitórias”. Por conta disso tudo, entendemos pela necessidade de aplicação da pena máxima aos envolvidos”, frisou.
Ainda, Cavallin aguarda celeridade do Poder Judiciário acerca da Audiência, destacando que a morte de Vitória completará três anos no próximo mês. “Esperamos que na audiência já possamos ouvir todas as testemunhas arroladas e tomar o depoimento dos réus, encerrando-se a instrução probatória. O fato já alcançará três anos no próximo mês e, até o presente momento, não obtivemos qualquer resposta. Defendemos que todas as garantias processuais dos réus sejam respeitadas, mas também aguardamos que o processo tenha um andamento célere, com uma decisão justa em tempo adequado”, completou.
Caso sejam condenados, de acordo com o Artigo 302, parágrafo 3º, do Código de Trânsito Brasileiro (homicídio culposo na direção de veículo automotor, praticado sob a influência de álcool) – a pena de reclusão é de 5 a 8 anos.
Já o Artigo 308, do Código de Trânsito Brasileiro (Participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística ou ainda de exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente, gerando situação de risco à incolumidade pública ou privada) – a pena de detenção é de 6 meses a 3 anos.
Réus foram denunciados com a indicação de concurso material de crimes, quando há a aplicação cumulativa das penas aplicadas.
Familiares e amigos clamam por justiça
A reportagem do Jornal Integração entrou em contato com a família de Vitória para falar sobre o caso. A irmã da vítima, Bárbara, espera que o julgamento dê um rumo ao caso e pede por Justiça.
“A gente espera que a justiça seja feita, né. Eu sempre falo que Deus, ele é amor, ele é perdão, mas ele também é justiça. E quando a gente fala em justiça, é que eles possam colher aquilo que eles plantaram, arcar com as consequências dos atos deles, que eles paguem pelo que eles fizeram. Porque tá fechando aí quase três anos, mês que vem faz três anos. E eles seguem impunes, seguem vivendo a vida deles como se nada tivesse acontecido, como se a gente… como se a vida que eles não prestaram socorro ou foram coniventes com o que aconteceu, não tivesse importância. Então a gente espera muito que a justiça seja feita, que amanhã seja um julgamento que possa levar a rumos, que não seja só mais um, mas que seja resolvido”, disse.
Bárbara revela que há mais de uma semana a família não dorme direito esperando o julgamento e salienta que a vida não voltará mais a ser como era com Vitória. Ela ainda espera um desfecho célere para que a família possa descansar.
“A gente está já há uma semana sem dormir direito e passando por um processo de dor. Sofrer a gente sofre todo dia, né? A gente lembra todo dia, a gente tem saudade todo dia, mas reviver vai ser muito difícil. Reviver o que aconteceu vai ser doloroso demais, a gente entende que é necessário, mas a gente também sente dor. E esse caso, se ficar se prostergando, é como se não tivesse um desfecho, como se a gente não tivesse um ponto final nessa história, sabe. E a gente quer muito que tenha um ponto final, que tenha uma resolução para que a gente possa entender que acabou, que a gente pode seguir a nossa vida. Não que a gente vá seguir normalmente, porque existe nós antes com a Vitória e nós agora sem ela. E a nossa vida jamais vai ser igual, jamais vai ser a mesma, sempre vai existir um vazio muito grande dentro de cada um de nós, mas a gente entende que a justiça sendo feita vai trazer um afago para os nossos corações, vai trazer um sentimento de que a vida dela não foi em vão aqui, sabe? Que a gente conseguiu fazer a justiça pela vida dela que foi tirada de nós”, finalizou.
Relembre o caso:

Vitória (foto acima) faleceu na madrugada do dia 29 de abril de 2021, vítima de um acidente na rua Agnel Alves de Oliveira, no bairro Carazal. O veículo era conduzido pelo namorado dela, que estava em alta velocidade e acabou perdendo o controle da direção, saindo da estrada, se chocando contra um poste de luz e capotando em um barranco até parar ao lado de uma residência (foto ao lado).
A gramadense foi arremessada para fora do veículo e morreu na hora devido a violência da colisão e gravidade dos ferimentos. O motorista foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado ao Hospital Arcanjo São Miguel.
Cinco meses após a tragédia, a Polícia Civil de Gramado (PC) concluiu a investigação do caso e verificou que um racha (corrida entre veículos) havia sido realizado naquela noite. Três pessoas foram indiciadas por homicídio culposo: o motorista do carro onde Vitória estava, 20 anos, e um casal que estava em outro veículo, também jovens, de 19 e 20 anos.
De acordo com a PC, as testemunhas ouvidas para a averiguação dos fatos confirmaram que os dois veículos ficaram alinhados para o racha e executaram manobras perigosas. A investigação também constatou que os jovens participaram de uma janta e que havia bebidas alcoólicas, compradas em um supermercado da cidade.
“Mãe, estou indo pra casa”
Esta foi a última mensagem que a jovem mandou para a mãe, Adriana, na noite de quarta-feira (28), às 23h26. Durante o dia a menina ficou fora, retornando para casa às 18h, para se arrumar e ir até a janta citada na investigação da PC.
O conteúdo da mensagem, segundo Adriana, continha um aviso de que a filha estava voltando para casa. O acidente ocorreu por volta da meia noite e o atestado de óbito informa que Vitória faleceu 00h01, na quinta (29), 35 minutos depois de enviar a mensagem à mãe.
A primeira pessoa da família que ficou sabendo do acidente foi Valdirene. A irmã mais velha recebeu uma ligação informando que a jovem e o rapaz estavam no Hospital Arcanjo São Miguel (HASM), após ocorrido. A chamada ocorreu perto da 1h.
“Eu nem ia atender. Pensei que era a Vitória se bobeando e vi que a pessoa insistiu. Quando eu ia atender recebi uma mensagem (do mesmo número), dizendo que ela tinha sofrido um acidente”, disse ela, acrescentando que, imediatamente, se dirigiu ao HASM na companhia de Adriana e Vanderlei. Valdirene contou que a morte da caçula foi confirmada por uma enfermeira encarregada do caso.
O velório de Vitória Gabriele Consoni teve a presença de centenas de familiares e amigos que cercaram o Cemitério São Lourenço, no bairro Floresta, para se despedir da jovem, na tarde daquela quinta (29).



