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FOTOS: Do campo ao comando

Leonardo Santos

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CANELA – Com pouco mais de um mês no comando da 2ª Companhia da Brigada Militar de Canela, o capitão Montini retorna à cidade onde iniciou sua carreira na corporação há mais de duas décadas. Com um olhar atento aos desafios atuais da segurança pública, ele aposta na integração com a comunidade e com outros setores da sociedade para fortalecer o trabalho da polícia ostensiva. A reportagem o Jornal Integração foi até a sede da 2ª Companhia onde Montini cedeu entrevista exclusiva. 

Trajetória marcada pelo retorno às origens

Montini ingressou na Brigada Militar em 2003 e começou sua atuação operacional em Canela, em 2004. “Trabalhei aqui por seis ou sete anos. No final de 2010, fui aprovado no concurso de sargento e fui para Montenegro fazer o curso”, recorda. Desde então, passou por diversos postos e unidades, incluindo a PATRAM de Canela, o 4º Batalhão de Polícia de Choque em Caxias do Sul e, mais recentemente, o município de Esteio.

“Voltar a Canela torna a administração mais fácil, porque conheço a cidade, sei da realidade, sei dos anseios da comunidade”, afirma Montini.

Estrutura e funcionamento da Brigada na região

A companhia comandada por Montini é responsável pelo policiamento ostensivo em Canela, São Francisco de Paula e Cambará do Sul. O efetivo atua em regime de plantão, atendendo às chamadas do 190. Além disso, a Força Tática com base em Gramado e o Batalhão de Polícia de Choque de Caxias do Sul apoiam as operações locais.

“A Força Tática nos auxilia e o Batalhão de Choque é acionado em ocorrências mais graves. Eles são os que vemos geralmente em estádios ou grandes eventos, mas também atuam em outras situações que exigem reforço.”

Desafios à frente do comando

A alta demanda por policiamento e a escassez de efetivo são desafios persistentes. Além disso, o capitão cita a drogadição como uma das maiores preocupações.

“Tráfico de entorpecentes não é uma mazela local, é nacional. Mas enfrentamos com afinco. E temos que lembrar que isso não é só questão de polícia. A segurança pública depende da integração com assistência social, saúde e educação.”

Montini também destacou o número crescente de reclamações por perturbação do sossego: “Grande parte da população de Canela trabalha no turismo, que não tem horário. Então, estamos planejando operações específicas para coibir esse tipo de ocorrência”.

A importância da prevenção e dos projetos sociais

A Brigada Militar de Canela mantém projetos sociais com foco na prevenção. Um dos mais consolidados é o PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência), que atua com crianças de 10 a 11 anos.

“O soldado Jefferson desenvolve um excelente trabalho com as crianças. Elas passam a conhecer, desde cedo, os efeitos nocivos das drogas. É uma forma de prevenir e proteger não só a segurança pública, mas também a saúde e a assistência social.”

Outro programa importante é a Patrulha Maria da Penha, implementada em 2020. “Ela atua junto às mulheres que têm medidas protetivas determinadas pelo Judiciário. Os policiais fazem visitas regulares para acompanhar e garantir a segurança dessas vítimas”, explica Montini.

A questão do efetivo e o custo de vida

A dificuldade para manter policiais na região da Serra Gaúcha, segundo Montini, está diretamente ligada ao alto custo de vida. “Muitos ingressam na BM e são de outros estados. Mas acabam pedindo transferência porque o salário é o mesmo que receberiam em regiões com custo menor.”

Em busca de solução, ele revela conversas com o Executivo e o Legislativo municipal: “Estamos dialogando para a criação de um auxílio municipal que ajude a fixar esses profissionais aqui. Seria fundamental para mantermos um efetivo maior e um serviço melhor à população.”

Foto: Tiago Manique/JIH – Montini falou sobre projetos, saúde dos policiais e segurança pública

Segurança e responsabilidade na comunicação

Montini também fez um alerta importante sobre o compartilhamento de informações sobre barreiras policiais nas redes sociais. “Quando divulgam blitz em grupos de WhatsApp, estão atrapalhando nosso trabalho. A pessoa que ia passar por ali, muda o trajeto, e podemos perder uma prisão importante. E isso é crime previsto no Código Penal”, advertiu.

A carga emocional do trabalho policial

Ao ser questionado sobre os impactos emocionais da profissão, o capitão foi direto: “Somos humanos como qualquer outra pessoa. O policial tem que lidar com ocorrências marcantes, envolvendo crianças, idosos, tragédias. Com o tempo, a gente acaba introjetando isso como rotina, mas não deixa de afetar.”

Segundo ele, a Brigada conta com o programa Anjos, que oferece apoio psicológico aos policiais: “Sempre que alguém se envolve em uma ocorrência grave ou precisa de apoio, há esse suporte institucional. Isso ajuda a manter a saúde mental em dia.”

Um comando com raízes e propósito

Escolher retornar a Canela foi uma decisão pessoal de Montini. “Eu quis voltar. E estar aqui facilita muito o desempenho da nossa missão. Estou imbuído dela, com força de vontade para realizar um trabalho de excelência.”

Em mensagem final, ele reforçou a importância do trabalho dos colegas de farda: “A Brigada Militar é a única instituição do Estado em que o cidadão pode ligar a qualquer hora e ser atendido. São os policiais que estão 24 horas por dia nas ruas, todos os dias da semana. A comunidade pode esperar muito trabalho de nossa parte.”

Feira Canela + Verde movimentou Praça João Corrêa

CANELA – Apesar da chuva e do clima frio do final de semana, as ações ambientais da Feira Canela + Verde, promovida pela Secretaria do Meio Ambiente e Urbanismo de Canela, no último sábado, 21 de junho, movimentaram a Praça João Corrêa.

Conforme o biólogo Alékos Elefthérios, um dos organizadores do evento, apesar do clima, a comunidade prestigiou a feira, que teve todas as mudas de árvores nativas doadas. Nesta edição, houve doação de mudas e de adubo orgânico produzido pela Central de Recebimento de Resíduos de Poda – CRRP de Canela, localizada no Banhado Grande, para os professores da Escolinha de Futsal Jefe Machado – Projeto Ohana. A ação contou com o respaldo do biólogo, que realizou uma explicação sobre as espécies para os alunos.
“É muito importante este envolvimento da comunidade com as ações ambientais. E, através das ações da feira, vamos fortalecendo a conscientização da preservação do meio ambiente”, destaca.

Houve ainda a exposição de produtos dos agricultores locais e de artesanato, além da feira de adoção de animais do Centro Municipal de Proteção dos Animais de Canela (Cempra), onde foram adotados três cães e um cavalo.

A próxima edição acontecerá no dia 12 de julho, junto à Festa Colonial de Canela, na Praça João Corrêa.
“Queremos agradecer o apoio e parceria que a Secretaria de Turismo de Canela tem nos dado para a realização do evento”, finaliza Alékos.

ZÉ DO PASSARINHO – UMA VIDA DEDICADA À NATUREZA

Um dos colaboradores da Feira Canela + Verde é o pesquisador de diversidade biológica, especializado em agricultura orgânica, José Carlos Assumpção da Silva, 68 anos, conhecido popularmente em Canela como Zé do Passarinho. Ele cultiva 380 espécies de plantas, entre medicinais e frutíferas, em sua propriedade no bairro São Luiz. Grande parte de sua alimentação é tirada de hortas plantadas em sua residência: couve, alface, agrião, batata-doce, berinjela, entre outras hortaliças.

José Carlos possui um grande conhecimento sobre plantas medicinais e sabe da importância de cada espécie cultivada em seu terreno, como o jaborandi, que é um ótimo tônico capilar, e o ora-pro-nóbis, que possui inúmeros benefícios para a saúde. Há 15 anos, gera sustentabilidade reciclando todo o resíduo verde de poda dele e de alguns vizinhos, transformando-o em compostagem e adubo líquido para utilização no plantio de hortas, os quais distribui na Feirinha.
“Procuro reciclar tudo o que consigo; dessa forma colaboro com a preservação do meio ambiente”, destaca.

Além da paixão pela natureza, José Carlos possui outros talentos, como a arte de esculpir. Por ser apreciador da fauna, sempre realizou esculturas desse gênero, principalmente passarinhos, de onde originou-se seu apelido. Antes, os esculpia em madeira; atualmente, também em pedra.

Inmet emite alerta laranja para queda de temperatura em vários estados

PAÍS – O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta laranja para os estados do Rio Grande do Sul, Paraná, de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, parte de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Rondônia e São Paulo em razão das baixas temperaturas. O alerta laranja, que indica perigo, está em vigor até o fim de terça-feira (24). 

De acordo com o instituto, a previsão é de um declínio maior do que 5º C, com risco à saúde. O alerta abrange quase 2 mil municípios. O Inmet ressalta ainda que a frente fria deve provocar chuvas em áreas entre o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e o sul de Mato Grosso do Sul e a faixa sul de São Paulo.  

Neve 

A frente fria e a condição para chuva mantêm a expectativa de ocorrência de neve localizada nas áreas das serras gaúcha e catarinense, entre a noite desta segunda-feira (23) e a manhã de terça.

Fonte: Agência Brasil

Reputação de destinos turísticos é tema de capacitação gratuita em Gramado

GRAMADO – No dia 11 de julho, às 14h, a cidade de Gramado receberá uma capacitação gratuita voltada a profissionais do setor turístico. O encontro ocorrerá no Expogramado e abordará a importância da reputação como um dos principais ativos intangíveis de um destino turístico.

A atividade será conduzida por Lidiane Amorim, diretora de Produto e Pessoas da ANK Reputation. Com mais de 15 anos de experiência em gestão de marcas e reputação, Lidiane é doutora e mestre em Comunicação pela PUCRS e também possui formação complementar pela Universidad Complutense de Madrid.

Durante a capacitação, os participantes serão convidados a refletir sobre como a reputação influencia diretamente na atratividade, competitividade e percepção de valor de um destino. O conteúdo busca destacar a relevância de integrar esse conceito de forma estratégica ao posicionamento de marcas territoriais, especialmente em contextos turísticos.

As inscrições são gratuitas e já estão abertas. Os interessados podem se inscrever por meio do formulário online disponível no link:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfrtcKPunev499peR0G6i_0oYCkAQKZzg1kwRIoshV40We7Ag/viewform

A ação integra as iniciativas da Secretaria de Turismo de Gramado voltadas à qualificação e ao fortalecimento do trade local.  

Defesa Civil confirma quarta morte após chuvas no RS

ESTADO – A Defesa Civil do Rio Grande do Sul confirmou a quarta morte provocada pelas chuvas que atingem o estado desde a semana passada. O corpo de um homem, de 59 anos de idade, que estava desaparecido, foi localizado dentro de um veículo nas águas do Rio Dourado, em Aratiba.

A informação foi confirmada pela prefeitura da cidade e pelo Corpo de Bombeiros Militar. 

“As autoridades que estão apurando as circunstâncias do óbito consideram a possibilidade que o veículo tenha sido arrastado na quinta-feira (19), quando tentava cruzar uma ponte”, informou a chefe da Comunicação Social da Defesa Civil estadual, Sabrina Ribas.

De acordo com o boletim divulgado na manhã desta segunda-feira (23), ainda há uma pessoa desaparecida e 132 municípios já reportaram algum tipo de dano em decorrência dos temporais e enchentes. Desses, o município de Jaguari decretou estado de calamidade pública e outros 21 municípios estão em situação de emergência.

No período, 733 pessoas foram resgatadas e 139 animais também foram retirados das áreas de risco para a vida. Atualmente, 6.258 pessoas permanecem desalojadas.

Previsão

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmetro), uma frente fria atua sobre a Região Sul do país provocando mais chuvas entre o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e o sul do Mato Grosso do Sul e a faixa sul de São Paulo. Até a tarde desta terça-feira (24) há um alerta de perigo para ventos costeiros em grande parte do litoral riograndense, inclusive na região metropolitana de Porta Alegre.

A ocorrência de temporais deve voltar a ser registrada no Rio Grande do Sul e no Paraná e os termômetros devem cair ainda mais com condições de geada para toda a Região Sul, podendo se estender a algumas regiões do Mato Grosso do Sul e de São Paulo.

A previsão é que a massa fria começa a perder força gradativamente a partir de quarta-feira (25).

Rios que já atingiram a cota de inundação:

  • Uruguai (nos municípios de São Borja a Uruguaiana) – tendência de lenta elevação;
  • Ibirapuitã (Alegrete) – tendência de lento declínio, com níveis ainda em inundação nos próximos dias;
  • Ibicuí (Manoel Viana) – tendência de lento declínio, com níveis ainda em inundação nos próximos dias;
  • Jacuí (Cachoeira do Sul até o delta do Jacuí) – constante declínio em Cachoeira do Sul e estabilidade em São Jerônimo, assim como estabilidade na região das ilhas;
  • Ilhas da região metropolitana de Porto Alegre – tendência de estabilidade e de manter os níveis elevados nos próximos dias;
  • Caí (Montenegro) – tendência de declínio;
  • Sinos (Campo Bom e São Leopoldo) – tendência de estabilidade.

Ros em cota de alerta:

  • Caí (Nova Palmira, São Sebastião do Caí e Montenegro) – tendência de elevação em função das chuvas das últimas 24 horas;
  • Guaíba – tendência de estabilidade de manter os níveis elevados durante os próximos dias, não tem expectativa de atingir a cota de inundação do Cais Mauá ou Gasômetro;
  • Gravataí (Gravataí e Alvorada) – tendência de estabilidade mantendo os níveis elevados;
  • Taquari (Taquari) – tendência de estabilidade;
  • Paranhana (Taquara) – tendência entre declínio e estabilidade;
  • Santa Maria (Dom Pedrito) – tendência de lento declínio.

Rio em cota cota de atenção:

  • Taquari (Porto Mariante) – tendência de estabilidade;
  • Caí (Costa do Rio Cadeia) – tendência de estabilidade;
  • Santa Maria (Rosário do Sul) – tendência de estabilidade;
  • Quaraí – tendência de declínio.

Fonte: Agência Brasil

Temperaturas negativas, geada e possibilidade de chuva congelada: como deve ser a semana no RS

ESTADO – Após uma semana de muita chuva no Rio Grande do Sul, o estado deve ser atingido por uma queda brusca de temperatura a partir desta segunda-feira (23). O aviso de alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é válido até a noite de terça-feira (24).

De acordo com a Climatempo Meteorologia, uma frente fria deve provocar chuvas, ventos fortes e sensação de frio.

A massa de ar polar que avança sobre o RS também traz risco de geada generalizada, além de uma pequena possibilidade de neve em áreas de maior altitude.

Nesta segunda-feira

Durante a madrugada e a manhã, o tempo será instável em boa parte do estado. Estão previstos temporais isolados nas regiões Norte, Noroeste, Nordeste e na Serra, com possibilidade de raios.

Já na Região Metropolitana de Porto Alegre e na região Central, o tempo segue mais nublado, podendo ter chuviscos rápidos.

Na Serra Gaúcha, a segunda-feira começa com chuva forte e possibilidade de raios entre a madrugada e a manhã. Durante a tarde, a chuva se afasta, mas a chegada do ar frio será sentida de forma intensa. As temperaturas devem despencar, e o frio se manterá ao longo da semana.

Cambará do Sul, Vacaria, Bom Jesus e São Francisco de Paula estão entre as cidades que devem registrar temperaturas próximas ou abaixo de 0 °C no fim do dia. Nessas áreas mais altas da Serra, há uma baixa chance de neve ou outros fenômenos como chuva congelada e chuva congelante, segundo a Climatempo.

Previsão para a semana

A tendência para terça (24) e quarta-feira (25) é de tempo firme em todo o estado, com céu claro e temperaturas ainda mais baixas, o que aumenta o risco de geadas generalizadas.

As regiões com maior probabilidade de formação de geada são: Serra, Noroeste, Centro, Sudoeste e Nordeste do RS.

A presença da massa de ar polar sobre o estado mantém o frio rigoroso e a sensação térmica negativa em muitas cidades.

Fonte: G1

Defesa Civil Nacional vistoria áreas em Gramado

GRAMADO – Representantes da Administração Municipal de Gramado, liderados pelo prefeito Nestor Tissot e pelo vice-prefeito Luia Barbacovi, receberam na manhã deste domingo (22), uma visita institucional do secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Wolnei Wolff Barreiros. A vinda para Gramado teve como objetivo realizar uma vistoria técnica em áreas atingidas pelas chuvas de 2024, nas quais o município possui projetos cadastrados junto ao Governo Federal para a captação de recursos.

A comitiva esteve na obra de ligação entre os bairros Piratini e Prinstrop – que será retomada, visitou o bairro Piratini (regiões sul e norte), conferiu a atual situação da Rua Gil que abrange a área da Rua Emílio Leobet e acompanhou o andamento da obra de contenção da encosta do bairro Três Pinheiros. “Estamos empenhados para aportar recursos e resolver os problemas destas comunidades. São soluções de engenharia complexas, mas vamos garantir a segurança destes moradores e a volta da normalidade no menor tempo possível”, comentou o secretário Wolnei Wolff. “Agradecemos a atenção do Governo Federal, temos urgências e tenho certeza que esta vistoria presencial será fundamental para dar agilidade nos processos”, avalia o prefeito Nestor Tissot.

Também estiveram presentes nas vistorias o Dep. Estadual Joel Wilhelm, o secretário de Governança de Gramado, Germano Junges, o secretário Adjunto da pasta, Anderson Menezes, o secretário Municipal de Obras, Willian Camillo, a coordenadora da Defesa Civil de Gramado, Juliana Fisch, além dos engenheiros Luiz Bressani e Eduardo Simões, da empresa BSE Engenharia, que são especialistas em geotecnia.

Imunidade de ITBI na integralização de capital

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Coluna publicada no dia 20/06

Por Phillip Handow Krauspenhar – Advogado tributarista

É difícil imaginar algo mais contraditório do que o Estado criar um benefício fiscal e, logo em seguida, tentar restringi-lo pela porta dos fundos. Mas é exatamente isso que vem ocorrendo com a imunidade do ITBI nas operações de integralização de capital social com bens imóveis — especialmente no caso de holdings imobiliárias.

A Constituição é clara: não incide ITBI quando o bem imóvel é utilizado para integralizar o capital social de pessoa jurídica (art. 156, §2º, I da CF/88). É uma imunidade objetiva, com respaldo no princípio da livre iniciativa e da função social da empresa. O objetivo sempre foi facilitar a formação e o fortalecimento de sociedades, fomentando o empreendedorismo e a economia formal.

Mas como já virou tradição no Brasil, o que é dado com uma mão, o Fisco tenta tirar com a outra.

O problema começa quando os municípios — sedentos por arrecadação — passaram a interpretar que a imunidade não se aplica se a empresa que recebe o imóvel tiver como “atividade preponderante” a gestão ou a exploração imobiliária. E mais: em alguns casos, passaram a exigir ITBI sobre qualquer valor que supere o capital social integralizado, ainda que esse “excedente” decorra apenas de uma avaliação contábil ou atualização patrimonial. Ora, onde está escrito isso na Constituição?

Agora o Supremo Tribunal Federal (STF) promete colocar ordem nessa bagunça. Em repercussão geral (Tema 1.243), a Corte vai decidir se há ou não limite para a imunidade do ITBI nas operações de integralização, e se pode haver incidência sobre valores “excedentes” transformados em reserva de capital. O pano de fundo é claro: até onde vai o poder do município de tributar sem afrontar a lógica e a segurança jurídica?

Enquanto o STF não decide, o contribuinte vive uma verdadeira loteria fiscal. A mesma operação que é reconhecida como imune em um município pode ser tributada em outro. É como jogar um jogo em que as regras mudam conforme o humor do adversário — e o contribuinte sempre perde.

Resta-nos torcer para que o STF cumpra seu papel de guardião da Constituição e proteja o contribuinte das armadilhas criadas por interpretações criativas que só visam arrecadar mais, sem se preocupar com a legalidade.

Se a Constituição garante imunidade, então que se respeite. O contribuinte não pode ser culpado pela criatividade arrecadatória dos fiscos municipais.

A ONU vai bem, obrigado!

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Coluna publicada no dia 20/06.

Guilherme Dettmer Drago. Sócio de Reimann & Drago Advogados Associados. Professor Universitário.

A fumaça das explosões ainda sobe no céu de Gaza, os tratores blindados avançando nas planícies ucranianas e os satélites registrando drones iranianos ziguezagueando sobre  Israel!

E a ONU? Bem, a ONU redige! Redige muito! Redige comunicados, resoluções, apelos e notas de repúdio! Há décadas, é mais conhecida por suas declarações do que por seus atos — e, sejamos justos, que belas declarações!

Se fosse pelo vocabulário pacificador, o planeta já teria sido canonizado.

Desde 1945, a Organização das Nações Unidas nos promete que jamais viveremos outra grande guerra. E de fato, ao menos a III Guerra Mundial não foi oficialmente declarada.

O que temos é um festival de pequenos apocalipses, guerras por procuração, operações “especiais” e bombardeios com hora marcada. O espetáculo da barbárie segue em cartaz, e a ONU assiste da plateia VIP, emitindo alertas humanitários entre um café e outro em Genebra e Nova Iorque.

Quando a Rússia resolveu brincar de Império e adentrou a Ucrânia com tanques e bandeiras de nostalgia soviética, muitos olharam para Nova Iorque esperando algo mais do que indignação polida.

Mas o Conselho de Segurança é uma espécie de clube em que cada grande potência tem direito de calar as outras — o tal “poder de veto” que transforma qualquer tentativa de ação em pantomima. O agressor, vejam só, tem a chave do cadeado. É como pedir a um lobo para votar sobre o direito de ovelhas existirem.

E o que dizer de Irã e Israel? Um eterno duelo de sombras, foguetes e comunicados. De tempos em tempos, a ONU pede “moderação”. Sim, moderação! E o mais surpreendente é que ainda há quem se impressione com a ineficácia da instituição — como se sua inutilidade já não fosse uma tradição.

O internacionalista Hans Morgenthau, um dos pais do realismo nas relações internacionais, já dizia que “a política internacional é uma luta constante por poder”. A ONU, nesse contexto, parece uma trupe de teatro experimental tentando atuar no Coliseu romano.

Sua boa vontade é genuína, mas irrelevante. Seu idealismo é bonito, mas desarmado. E suas reuniões são longas, muito longas — o que talvez explique por que tantas crises terminam antes de qualquer resolução prática.

No fim das contas, talvez a ONU funcione melhor como espelho moral do que como ferramenta política. Uma espécie de confessionário diplomático, onde os Estados vão lavar as mãos e dizer, entre uma hipocrisia e outra, que “estão profundamente preocupados”. Mas preocupação não estanca sangue, e solidariedade não derruba drones. A paz, ao que tudo indica, continua sendo negociada por fora — nas sombras, nos arsenais, nos gabinetes que não usam bandeira azul.

Mas vamos reconhecer: se o mundo acabar amanhã, haverá um último comunicado da ONU pedindo calma, equilíbrio e diálogo. Provavelmente em PDF. Com selo institucional. E tradução simultânea.

Grandes empreendimentos e quais as contrapartidas?

Coluna publicada no dia 20/06.

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Quando se anuncia a chegada de um grande empreendimento em Canela ou Gramado, a cena costuma se repetir: discursos otimistas, cortes de fita simbólicos, holofotes da imprensa e promessas de geração de empregos que, em teoria, trarão progresso para a região. Os números são lançados ao ar — “serão geradas 100 vagas diretas!” — e a empolgação toma conta. Mas, passado o impacto inicial, é hora de olhar com mais cautela para o que realmente fica para a comunidade.

Geração de empregos

A promessa de geração de empregos, muitas vezes, não se cumpre como anunciado. Na prática, costuma-se ver um número bem menor de vagas efetivamente criadas. Em alguns casos, não chega nem a 60% do que foi prometido. Além disso, muitas dessas vagas são temporárias, com baixos salários ou condições de trabalho que não refletem o entusiasmo inicial.

E as contrapartidas?

Mas o ponto dessa discussão está nas contrapartidas— ou às vezes, na ausência delas. Os impactos de um empreendimento de grande porte em uma cidade como Canela ou Gramado são diversos: aumento na circulação de veículos, maior pressão sobre a infraestrutura urbana, crescimento da demanda por moradia, saúde e educação. E o que se recebe em troca? Um pequeno espaço verde revitalizado? Uma praça mantida? Um ponto de ônibus reformado?

Compensações de verdade

Essas compensações, em muitos casos, são paliativas. Não dialogam com o real impacto que o empreendimento traz. Uma comunidade que acolhe um projeto grandioso deveria, no mínimo, ter assegurada uma contrapartida igualmente significativa: investimentos em habitação popular, ampliação da rede de saúde, construção de escolas, melhoria da mobilidade urbana, reforço da infraestrutura básica. Medidas que efetivamente melhorem a vida dos moradores.

Poder Público e os empreendimentos

É preciso repensar de aplaudir toda novidade como se fosse uma dádiva. O desenvolvimento econômico é necessário, e empreendimentos podem, e devem, fazer parte disso. Mas não pode ser um processo passivo, onde o Poder Público apenas autoriza e celebra. A administração municipal precisa ser firme ao negociar com investidores. Precisa exigir, de forma transparente e estratégica, que os ganhos privados também se revertam em ganhos públicos. A comunidade também tem seu papel: cobrar, fiscalizar, participar dos debates, perguntar quais são as reais contrapartidas, como estão sendo aplicadas e quem está sendo beneficiado. Só assim deixaremos de ser meros espectadores do “progresso” para nos tornarmos protagonistas de um desenvolvimento mais justo, equilibrado e sustentável.

Informações sobre contrapartidas

Buscando este link acima citado quero citar aqui uma solicitação de informações sobre contrapartidas para implantação da terceira pista na entrada de Canela. O Pedido de Informações partiu do vereador Nene Abreu (MDB), ao secretário de Meio Ambiente, Carlos Frozi, referente aos Termos de Compromisso e contrapartidas firmadas entre o Município de Canela e empreendedores privados para a implantação da terceira pista de acesso à cidade, no que diz referência ao empreendimento de três empresas e suas devidas contrapartidas.

Câmara de Vereadores de Canela/Divulgação

Quais os locais?

A solicitação abrange especificamente os trechos da avenida Don Luiz Guanella e ruas Danton Corrêa da Silva e Rodolfo Schlieper, em frente ao Parque do Palácio e na sequência da pista, que são locais que concentram crescente fluxo de veículos e onde já se observa a presença de empreendimentos em operação ou em fase final de execução.

De acordo com Nene Abreu, a iniciativa busca garantir a transparência dos atos públicos e colaborar para que obras consideradas fundamentais para que a mobilidade urbana avance com mais agilidade.

Mobilidade urbana

O vereador pontuou preocupação com os constantes problemas enfrentados pela comunidade de Canela no trânsito, especialmente nos horários de pico e nos acessos principais da cidade. Segundo ele, a mobilidade urbana tem se tornado um desafio cada vez maior, impactando diretamente a qualidade de vida da população e o desenvolvimento do município.

Frase do vereador

“O trânsito em Canela precisa de soluções urgentes. A entrada da cidade, por exemplo, já não comporta mais o volume de veículos, e isso afeta moradores, trabalhadores e turistas todos os dias”.

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