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Um ano de saudades

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GRAMADO – Querida por todos, iluminada, carismática e amorosa. Vitória Consoni se foi muito cedo, aos 19 anos, mas deixou uma mensagem para todos que tiveram o prazer de fazer parte da vida dela. A jovem faleceu em um acidente trágico no dia 29 de abril de 2021, no bairro Carazal. Ela era conhecida por compartilhar amor, empatia e compaixão, independente do laço que possuía com as pessoas.

O Jornal Integração visitou a residência da família, no bairro Dutra, onde Vitória morava, para contar a história da menina de personalidade forte e decidida, que sonhava em casar, ter quatro filhos e morar em um sítio. A mãe Adriana, o pai Vanderlei e as irmãs Bárbara e Valdirene, que conversaram com a reportagem, carregam com muito carinho a lembrança de Vi, como era carinhosamente chamada.

Vitória (centro da foto ao lado dos pais) realizou o ensaio quatro dias antes de falecer com a família

“Ela era a nossa boneca. Como eu e a Val somos mais velhas, tínhamos aquele zelo. Fazíamos tudo por ela, a família toda, tudo que a Vi queria nós corríamos atrás. Esse amor que ela transmitia, era muito do que éramos em casa. Sempre demonstramos muito amor, se tínhamos que brigar, brigávamos. Desde criança, foi muito iluminada, tinha um sorriso carismático e lindo, aquilo ali já cativava as pessoas. Ela era só amor, todos que conheciam já gostavam dela”, contou Bárbara.

“Vitória nunca foi apegada a nada aqui”

A família acredita que a jovem nasceu com o propósito de deixar um legado, uma mensagem. Bárbara destacou que a irmã nunca foi apegada a bens materiais e mantinha uma vida simples.

“Ela ainda não tinha escolhido algo (para seguir como profissão), por isso que achamos que ela veio para mudar algo. O propósito de Deus era muito maior por ter levado ela, porque a Vitória nunca foi apegada a nada aqui, nenhum bem material. Não tinha isso, ela era muito livre”, descreveu Bárbara. “A Vitória não parecia desse mundo. Ela era tranquila até demais, diferente de todos nós aqui em casa. Sem apego, o pouco estava bom. As vezes, eu que chegava nela e falava: Vitória! Está na hora de comprar um tênis, né? Ela nunca foi de exigir nada”, completou Adriana.

Valdirene e Bárbara também ressaltaram a relação que Vitória tinha com os sobrinhos e afilhados, citando que ela tratava-os como filhos.

“A relação dela com os nossos filhos era de mãe. Todos os dias eles estavam com ela, podia ligar 23h e pedir para Valentina, (filha de Bárbara e sobrinha de Vitória) para ir dormir com ela. E a Valentina não dorme com ninguém, nem com a minha mãe, com a minha sogra. Só dormia com a Vi fora de casa, e chegava aqui tinha que ser com a Vitória, na cama da Vitória. Ela era muito mãe deles também”, lembraram.

Os familiares contaram que a parte mais difícil, após a perda, é sentar à mesa para as refeições sem a presença de Vitória. Segundo Bárbara, o período destinado a refeição é sagrado para a família, pois é o momento onde todos se reúnem para rir, conversar e fazer planos.

“As vezes estamos entretidas, fazendo comida, no dia a dia, e lembramos que ela não está mais aqui. E daí bate aquela tristeza, sentimento de perda, da falta dela. A parte mais difícil para nós foi na hora de comer. A nossa família tem a refeição como momento muito importante, para sentar, comer junto. A gente sempre pensa no que vai fazer de comida, então essa parte foi a mais difícil e ainda é. Ela gostava muito de comer e cozinhar. Todo dia é uma dor, não temos como dizer se vai amenizar ou não. Foi algo que foi arrancado de nós, um pedaço do nosso coração. Todos os dias eu falo: ‘Deus, eu estou aceitando a tua vontade’. Entender, talvez, somente quando nos encontrarmos de novo”, pontuou ela.
Conforme revelado à reportagem, nas primeiras duas semanas depois da tragédia, Adriana perdeu dez quilos, enquanto que Valdirene e Bárbara perderam sete.

Ligação com a mãe

Adriana relatou que, à noite e pela manhã, tinha o costume de abrir a porta do quarto da filha, chegar perto e verificar a respiração. Segundo ela, o instinto materno fez com que a ação se tornasse rotineira. A recíproca era verdadeira. Quando a mãe passava mal ou precisava de ajuda, Vitória era a primeira a ‘socorrer’.

Atualmente, o quarto não existe mais. Dona Adriana explicou que a porta fazia a lembrança de que Vitória havia falecido e sequer estaria no quarto quando ela adentrasse ao cômodo.

“Eu até tirei a porta dali. Era muito difícil acordar de manhã e olhar para aquela porta. Todos os dias de manhã, eu levantava e abria para ver se ela estava dormindo, se estava bem. Toda a madrugada que eu acordava para ir ao banheiro ou se escutava um barulho, fazia a mesma coisa. Eu cansei de dar susto nela por parar do ladinho só para ver se estava respirando. Ela acordava e perguntava: Mãe? O que esta fazendo? Então, isso era em todos os dias. A gente era muito ligada, às vezes eu passava mal e o Vanderlei não via, mas a Vi sempre percebia e levantava pra ver se eu estava bem e perguntava: Mãe, como tu está? Precisa de um remédio? Ela estava sempre atenta comigo, não era só eu com ela. Toda noite ela dava boa noite para eu e o Vanderlei, dava um beijo em cada um e dizia: Te amo, mãe! Te amo, pai!”, sublinhou.

A tragédia

Vitória (foto) faleceu na madrugada do dia 29 de abril de 2021, vítima de um acidente fatal na rua Agnel Alves de Oliveira, no bairro Carazal. O veículo era conduzido pelo namorado dela, que estava em alta velocidade e acabou perdendo o controle da direção, saindo da estrada, se chocando contra um poste de luz e capotando em um barranco até parar ao lado de uma residência.

A gramadense foi arremessada para fora do veículo e morreu na hora devido a violência da colisão e gravidade dos ferimentos. O motorista foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado ao Hospital Arcanjo São Miguel.

Cinco meses após a tragédia, a Polícia Civil de Gramado (PC) concluiu a investigação do caso e verificou que um racha (corrida entre veículos) havia sido realizado naquela noite. Três pessoas foram indiciadas por homicídio culposo: o motorista do carro onde Vitória estava, 20 anos, e um casal que estava em outro veículo, também jovens, de 19 e 20 anos.

De acordo com a PC, as testemunhas ouvidas para a averiguação dos fatos confirmaram que os dois veículos ficaram alinhados para o racha e executaram manobras perigosas. A investigação também constatou que os jovens participaram de uma janta e que havia bebidas alcoólicas, compradas em um supermercado da cidade.

O inquérito foi concluído pela Polícia e está nas mãos do Ministério Público. Caso seja oferecida denúncia, o caso seguirá para o judiciário.
Sobre o caso, a família de Vitória foi objetiva ao comentar. “Deus vai fazer o que é o certo”.

“Mãe, estou indo pra casa”

Esta foi a última mensagem que a jovem mandou para a mãe, na noite de quarta-feira (28), às 23h26. Durante o dia a menina ficou fora, retornando para casa às 18h, para se arrumar e ir até a janta citada na investigação da PC.

O conteúdo da mensagem, segundo Adriana, continha um aviso de que a filha estava voltando para casa. O acidente ocorreu por volta da meia noite e o atestado de óbito informa que Vitória faleceu 00h01, na quinta (29), 35 minutos depois de enviar a mensagem à mãe.
A primeira pessoa da família que ficou sabendo do acidente foi Valdirene. A irmã mais velha recebeu uma ligação informando que a jovem e o rapaz estavam no Hospital Arcanjo São Miguel (HASM), após ocorrido. A chamada ocorreu perto da 1h.

“Eu nem ia atender. Pensei que era a Vitória se bobeando e vi que a pessoa insistiu. Quando eu ia atender recebi uma mensagem (do mesmo número), dizendo que ela tinha sofrido um acidente”, disse ela, acrescentando que, imediatamente, se dirigiu ao HASM na companhia de Adriana e Vanderlei. Valdirene contou que a morte da caçula foi confirmada por uma enfermeira encarregada do caso.

O velório de Vitória Gabriele Consoni teve a presença de centenas de familiares e amigos que cercaram o Cemitério São Lourenço, no bairro Floresta, para se despedir da jovem, na tarde daquela quinta (29).

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