Rapaz faleceu no dia 18 de dezembro em um trágico acidente na ERS-235, em Linha Araripe
CANELA – Saudades, aperto no coração e angústia tomaram conta dos últimos 30 dias da família de Diego Mateus de Oliveira, morto em um acidente na Linha Araripe, no mês passado. O dia 18 de dezembro nunca será esquecido pelos pais e irmãos do jovem de 24 anos que perdeu a vida em uma fatalidade, quando retornava de Nova Petrópolis com destino à Canela, voltando para casa.
Os familiares lembram de Diego com carinho, principalmente, pela representatividade que cultivava com as pessoas por meio de humildade, parceria e pureza. “O Diego era uma pessoa sensacional. Ele era a mesma pessoa na rua e dentro de casa, uma pessoa do bem que não gostava de maldade, Eu nunca vi de cara feia, reclamar ou brigar com alguém. Tinha um coração puro e verdadeiro. Ele sempre vai ser nosso menino de ouro, um anjo que veio para nos ensinar”, relatou a irmã mais velha, Andressa.
Aficionado por carros, o rapaz tinha o sonho de participar de eventos automotivos, o que, em algumas oportunidades, ocorreu. “Ele gostava muito e queria participar de eventos com carros. Sempre quis expor o dele e conseguiu ir a alguns. Infelizmente não conseguiu realizar por completo esse sonho”, continuou.
Diego era conhecido por ser um incentivador de sonhos e companheiro dos irmãos e amigos. Os pais Fabiano e Luciana tinham no filho uma figura de respeito, exemplo e orgulho. “Ficava feliz com as conquistas dos outros e sempre estava incentivando, não tinha inveja, pelo contrário, ficava super alegre. Não tem explicação acontecer isso com uma pessoa tão boa, coração puro, filho obediente, irmão carinhoso, tio atencioso e um amigo único. As coisas não custavam nada para ele. Meu irmão tinha um respeito enorme com os outros, não só com a família, que o Diego gostava de ver sempre reunida”, destacou.
Ele era tio de duas crianças: Ana Clara e Pedro Henrique, de dois e sete anos, respectivamente, filhos de Andressa. Ela lembra que o irmão era ‘exemplar’ e mantinha uma relação forte com os sobrinhos. “Não é porque ele se foi, mas eu nunca vou conhecer uma pessoa com o coração que ele tinha. Ele era um tio exemplar, sempre perguntava, procurava, agradava e brincava com as crianças, até quando chegava cansado. Ele era parceiro, um amigo”, descreveu.
“A nossa alegria foi junto com ele”
Andressa revelou que a família atravessa um momento difícil e que a alegria foi embora quando o irmão faleceu. Segundo ela, os pais passam por tratamento para enfrentar a perda.
“Está sendo muito difícil. Meus pais estão fazendo acompanhamento, tomando remédios. Ele levou um pedaço, a nossa alegria foi junto com ele. A nossa dor é horrível, tentamos achar forças em Deus, perguntando o motivo. São dias terríveis, é uma dor que corrói. Pensamos que o tempo ameniza, mas não é verdade. Estamos tentando ser fortes, ficarmos unidos, mas falta alguém na mesa, nas reuniões de família, nas missas. O lugar dele jamais será preenchido”, lamentou.
“A batalha é árdua porque ele era maravilhoso”. A frase da irmã resume a imagem que Diego deixou aos que tiveram o privilégio de dividir momentos com ele. O menino de ouro será sempre lembrado, seja por sua empatia, simplicidade, sorriso contagiante ou capacidade de alegrar todos nos ambientes que frequentava.
“Acredito que quem conheceu o Diego sabe do que eu estou falando. Ele tinha 24 anos, mas possuía um coração de criança, não via maldade nas pessoas. Tinha orgulho da nossa família, do que a gente conquistava e nós, também, temos muito dele e agradecemos por ele ter vindo para nós. Sem dúvida a melhor pessoa que conheci na vida”, disse ela com a voz embargada.
Além de Andressa, Diego tinha outros três irmãos: Anderson, Andriele e Vitória. Ele trabalhava com serviços de obras juntamente ao pai.
O que aconteceu no dia 18 de dezembro?
Conforme Andressa, as informações sobre o que ocorreu são escassas. Na ocasião, a família ficou sem saber o motivo que levou Diego para Nova Petrópolis. O rapaz estava em Gramado com a irmã mais nova, a namorada e uma amiga. Por volta das 4h, ele dirigiu até Canela para deixar todos em casa, no bairro Canelinha. Primeiro teria deixado a irmã e a namorada e, em seguida, levaria a amiga, que reside próximo ao Aeródromo, em Canela.
“Na vinda, ele disse que ia levar uma amiga em casa, mas não sabemos por que ele foi até Nova Petrópolis. Ele não saía sem permissão, sempre saía com os irmãos, não era de sair sem nós, nunca saiu assim e nunca tinha ido até Nova. Foi para um lugar desconhecido”, relatou.
A ida até a cidade vizinha pegou os familiares de surpresa, Andressa ficou sabendo do acidente quando já estava no trabalho. Após a tragédia, foi revelado que a viagem teria ocorrido, supostamente, para levar a amiga até uma tia que reside em Nova Petrópolis. “Eu quis acreditar que não era ele. Porque ele nunca tinha comentado de Nova, nunca foi pra lá, seria a última cidade que ele procuraria. É tudo muito vago, não temos certeza de nada”, comentou.
Ela publicou nas redes sociais uma carta de despedida para Diego no dia 20 de dezembro, dois dias após o acidente. A mensagem diz que: “Ainda não consigo acreditar que tu se foi, meu amigo (…). Domingo (dia do acidente), na volta, tu falava que eu seria para sempre tua cunhada, desde sempre me apoiou, dizendo que eu era uma pessoa muito boa. Isso está doendo tanto. Se pudesse voltar no tempo, nunca iríamos tão longe de casa para conversar (…) Me perdoa, eu estava do teu lado e não consegui ajudar”, escreveu.
Polícia Civil investiga o caso
A Polícia Civil instaurou um inquérito e trabalha para apurar as circunstâncias do acidente. De acordo com delegado Fábio Idalgo, titular da delegacia de Nova Petrópolis, a equipe policial investiga as condições do guard rail. Exames toxicológicos de Diego foram pedidos para atestar o estado que ele estava no momento do acidente.










Conhecia este menino “de vista”. Nunca conversamos além de um “oi” , “tudo bem”?… Mas acredito em cada palavra que a irmã descrevera sobre ele. Inspirava respeito no modo como ele se portava. No dia do acidente, estávamos na casa de minha irmã. Quando meu namorado mostrou a foto dele ( esta da reportagem) . Ficamos todos em silêncio. Primeiro a gente pensa na mãe! Depois, cada um dos presentes relatavam coisas boas sobre ele. Não consigo me colocar no lugar de um familiar. Deve ser uma dor insuportável. Mas o consolo é de ele ter deixado o maior exemplo de humildade e respeito para quem o conheceu.