CANELA – Uma novidade chamou a atenção de moradores e visitantes do Parque do Lago, em Canela, nos últimos dias: a instalação de novos equipamentos no espelho d’água. Embora muitos tenham identificado os dispositivos como chafarizes decorativos, a função principal é ambiental. Tratam-se de aeradores, instalados para melhorar a qualidade da água e combater o mau odor.
Nesta semana, em entrevista ao Jornal Integração, o biólogo e diretor de Meio Ambiente da Prefeitura de Canela, Alékos Elefthérios Dinas de Siqueira, biólogo e diretor de Meio Ambiente de Canela, explicou que os equipamentos estão em fase de testes e fazem parte de um conjunto de ações para revitalização do lago.
Oxigenação para combater bactérias e odores
Segundo o biólogo, o Parque do Lago encontra-se em condição anóxica, ou seja, com baixa concentração de oxigênio, devido ao grande aporte de efluentes cloacais, resultado da ausência histórica de rede de esgoto em parte da região. A ampliação da rede já está sendo implementada pela Aegea/Corsan.
Os aeradores funcionam captando água das camadas mais profundas do lago, lançando-a para a superfície para promover a oxigenação e devolvendo-a ao corpo hídrico. O objetivo é favorecer a proliferação de bactérias aeróbias (que utilizam oxigênio) e reduzir a ação das bactérias anaeróbias, responsáveis pela liberação de gases com odor desagradável.
“Quando aumentamos o oxigênio na água, favorecemos as bactérias ‘boas’, que competem com as ‘ruins’. Isso reduz os odores e melhora a qualidade da água como um todo”, explicou Alékos. Apesar de possuírem iluminação em LED, que agrega valor estético ao parque durante a noite, a principal finalidade dos equipamentos é ambiental.
Projeto prevê quatro aeradores
Atualmente, dois aeradores estão em funcionamento em fase de testes. O projeto prevê a instalação de quatro equipamentos, posicionados na parte mais ao fundo do lago, onde há maior concentração de efluentes e menor oxigenação.
Além dos aeradores, a revitalização do Parque do Lago inclui outras etapas já planejadas:
Limpeza do lago, realizada no ano passado;
Instalação de comporta no vertedouro, para permitir o controle do nível da água, especialmente antes de grandes chuvas, evitando alagamentos no entorno;
Implantação de ilhas flutuantes filtrantes, que ajudarão na depuração da água;
Criação de jardins laterais com vegetação ornamental e filtrante, que além de contribuir para a qualidade da água, irão florescer em diferentes épocas do ano, reforçando o potencial turístico do espaço.
De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, as três primeiras etapas já estão acordadas e com prazos definidos para implementação. As demais dependem de ajustes técnicos e organização administrativa para execução.
Benefícios à fauna local
Mesmo enfrentando problemas ambientais, o lago mantém biodiversidade ativa. Durante a limpeza realizada no ano passado, a equipe técnica monitorou os trabalhos para preservar a fauna existente.
Segundo Alékos, foram resgatados cerca de 50 peixes da espécie bagre presos na vegetação, além de rãs e sapos. Ovos de aves identificados na área foram preservados, e muitos já resultaram em filhotes que hoje podem ser vistos no parque. O lago também abriga espécies como quero-quero, marrecos e até cágados.
A melhoria na qualidade da água tende a beneficiar diretamente os peixes, que, por sua vez, sustenta parte das aves que frequentam o local. As futuras ilhas flutuantes também servirão como pontos de descanso e abrigo para as espécies. “O lago já tem vida, apesar das dificuldades. Com essas melhorias, a qualidade ambiental vai refletir diretamente na fauna”, destacou o biólogo.
Responsabilidade coletiva
O diretor de Meio Ambiente reforçou que o problema do lago não é resultado apenas de omissão histórico do poder público, mas também de questões estruturais e da necessidade de adesão da população à rede de esgoto.
Com a expansão da rede, será fundamental que os moradores façam as ligações corretas, reduzindo o lançamento de efluentes no lago. “Não é apenas um desleixo do poder público. É uma questão da sociedade. A população precisa contribuir”, ressaltou.
Potencial ambiental e turístico
A gestão municipal aposta na recuperação ambiental do Parque do Lago como forma de unir preservação e turismo. A proposta é transformar o espaço em referência tanto pela qualidade ambiental quanto pelo paisagismo, sem perder o foco na saúde pública e na preservação das espécies.
“O lago tem enorme potencial turístico, mas antes de tudo ele pertence à população. Cuidar dele é responsabilidade de todos”, concluiu Alékos. As próximas etapas da revitalização devem ser anunciadas conforme o avanço das obras e dos testes técnicos.
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