REGIÃO – Depois de 16 anos à frente do Sindilojas Região das Hortênsias, Guido José Thiele se despediu da presidência da entidade durante cerimônia de posse da nova diretoria, realizada em Gramado, no Restaurante Carazal, segunda-feira à noite. Em discurso marcado por retrospectiva histórica e tom emocional, ele relembrou os principais desafios enfrentados desde 2010 e afirmou deixar o cargo com “sentimento de dever cumprido”.
Thiele, que agora assume como vice-presidente na gestão de Sandro Schmidt, destacou que iniciou a caminhada “com a convicção de trabalhar pelo coletivo, fortalecer o associativismo e dar voz ao empreendedor que diariamente abre sua empresa, gera empregos e movimenta a economia”.
Primeira crise antes mesmo da posse
O ex-presidente recordou que os desafios começaram antes mesmo de assumir oficialmente o cargo. Em 2010, a ausência de convenção coletiva impedia a abertura do comércio no feriado de Corpus Christi, gerando insegurança jurídica para lojistas.
“Foi ali que compreendi definitivamente o tamanho da responsabilidade. Presidir o sindicato não é ocupar um cargo, é assumir compromissos e tomar decisões difíceis em nome de toda a classe”, afirmou.
Segundo ele, a partir daquele episódio as negociações passaram a ser feitas com antecedência, garantindo maior segurança jurídica ao setor.
Ampliação territorial e pautas tributárias
Em sua gestão, o Sindilojas consolidou oficialmente sua base territorial, passando a representar sete municípios da região: Picada Café, Nova Petrópolis, Gramado, Canela, São Francisco de Paula, Cambará do Sul e Jaquirana.
Thiele também relembrou mobilizações em torno de temas tributários, como o debate sobre o ICMS de fronteira, que impactava diretamente a competitividade das empresas locais. “Foi necessário diálogo institucional e posicionamento firme na defesa do comércio regional”, destacou.
Pandemia e enchente: os momentos mais difíceis
Entre os períodos mais desafiadores, o ex-presidente citou a pandemia da Covid-19 como um divisor de águas para o setor.
“Foram dias de angústia, sem saber do amanhã. O sindicato precisou estar presente todos os dias, orientando empresários, interpretando decretos e dialogando com autoridades para preservar empresas e empregos”, relembrou.
Mais recentemente, a enchente de 2024 também foi apontada como um momento crítico. “Para mim, foi ainda pior que a pandemia, porque houve perdas efetivas”, afirmou, destacando a união da comunidade empresarial na superação das dificuldades.
Parcerias e fortalecimento institucional
Durante o discurso, Thiele fez questão de agradecer às parcerias firmadas ao longo da gestão, especialmente com a Fecomércio-RS, SESC, SENAC, Sebrae, CDL Porto Alegre, cooperativas de crédito e instituições de saúde, que ampliaram os serviços e benefícios oferecidos aos associados.
Ele ressaltou ainda que deixa a entidade com “boa reputação e sólida reserva financeira”, resultado, segundo ele, do trabalho conjunto das diretorias e colaboradores.
Gratidão e continuidade
Em tom pessoal, o ex-presidente agradeceu à família, especialmente à esposa e aos filhos, pelo apoio ao longo dos anos, reconhecendo as ausências impostas pela função.
Ao novo presidente, Sandro Schmidt, desejou sabedoria e união na condução da entidade. “Saio da presidência, mas permaneço com essa nova gestão no desenvolvimento da instituição e do comércio da região das Hortênsias”, afirmou.
Encerrando a fala, deixou uma reflexão: “Cargos passam, gestões se encerram, mas as instituições permanecem. O verdadeiro legado é aquilo que construímos juntos”.
Com a transição, Guido José Thiele passa a ocupar a vice-presidência da entidade, mantendo-se na diretoria do sindicato que liderou por mais de uma década e meia.
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