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“Se o governador não flexibilizar, algumas empresas vão fechar as portas”, diz Manoela da Costa

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REGIÃO – A esperança para que os protocolos de Bandeira Preta recebam flexibilizações a partir desta sexta-feira (9) para que os setores turístico e gastronômico voltem a funcionar ‘normalmente’ está sendo cultivada por algumas autoridades do trade. O Jornal Integração conversou com entidades e empresários do setor que temem pela não sobrevivência das empresas, caso não haja reabertura, e reforçaram que o turismo não é o responsável por disseminar o vírus da Covid-19.Os entrevistados também comentaram sobre o movimento do feriado de Páscoa em comparação com os outros anos.

“A expectativa é boa para que, na semana que vem, algumas regiões voltem à bandeira vermelha, com cogestão na laranja, o que nos permitiria voltar ao trabalho mais tranquilos e com mais liberdade. Estamos trabalhando em várias ações para tentar evoluir com algumas sugestões para o Modelo de Distanciamento Controlado do Estado. Dois colegas, de sindicatos do interior, conseguiram acesso ao governador por meio de uma live e ele sinalizou a possibilidade de flexibilização dos horários da gastronomia”, revelou Mauro Salles, presidente do Sindtur. Ele também falou que isso deve se confirmar a partir da próxima semana.

A presidente da Associação dos Parques Temáticos da Serra Gaúcha (Apasg), Manoela da Costa, lembrou da possibilidade da demissão em massa nos parques e disse que é fundamental a reabertura imediata para evitar desligamentos. “Estamos com uma expectativa muito grande para que o governo flexibilize. Nós estamos em um momento crítico, já anunciamos a possibilidade de demissão em massa, o que inclusive já começou. É fundamental que possamos abrir. Se o governador não flexibilizar, com certeza teremos algumas empresas fechando as portas”, relatou Manoela da Costa.

Beto Tomasini, empresário da gastronomia, pediu para que o governo dê atenção ao setor e sugeriu a expansão dos horários, afim de evitar o excesso de clientes para que não haja aglomerações. “O setor do turismo e da gastronomia, principalmente em Gramado, está parado há 40 dias, sem poder trabalhar ou vender. Está na hora do governador olhar melhor para o setor. A responsabilidade que eles estão colocando em cima de nós não é só nossa e, sim, das pessoas que não se cuidam. Nós temos toda a questão da higienização nos restaurantes. O horário, no meu ponto de vista, deveria ser melhor distribuído para que não se concentre um número excessivo de pessoas em um único período e que elas tenham liberdade para vir em outros momentos do dia e da noite”, propôs.

SEM FALSAS ESPERANÇAS – Felipe Andreis, presidente da Abrasel Hortênsias (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), pede para que as pessoas, mesmo com a expectativa de flexibilizações e reabertura dos setores, não criem falsas esperanças. Ele, juntamente com o Sindtur, a Agência Visão e a Apasg participaram de uma reunião com o secretário de Articulação e Apoio aos Municípios, Agostinho Meirelles e com o secretário de Turismo, Ronaldo Santini (ambos do Gabinete de Crise do Governo do Estado para o enfrentamento a pandemia).

As entidades apresentaram números em relação à contaminação, após as datas que as cidades receberam um número elevado de turistas. Os índices mostram que, em 21 dias após a movimentação nas festividades como o Natal, o contágio não avançou. “Eles ficaram de levar os pedidos de flexibilização para o gabinete e entenderam a situação, mas isso sempre chega no Gabinete de Crise e esbarra nas funções técnicas. Então, é importante que a gente não crie uma falsa expectativa. Já criamos duas ou três vezes pensando que o governo iria nos atender e não atendeu”, alertou Andreis.

70% da produção perdida

“Fé e esperança”. Assim definiu o empresário Valdir Cardoso, fundador da marca Florybal. “Temos que ter fé e esperança e nunca pensar negativo ou desistir”, resumiu em conversa com o JI, na manhã de quinta-feira (8), em relação ao período de mais de um ano de pandemia e ao fato de perder a segunda temporada de Páscoa consecutiva que, para o setor chocolateiro, é o mais importante do ano.

Confiante desde a virada do ano de que as coisas andariam para a normalidade, o empresário tinha recontratado todo o quadro desfeito a partir de março de 2020 quando a crise sanitária chegou ao Brasil. Porém, a nova onda do vírus e a bandeira preta instaurada há mais de um mês surpreenderam o empresário que teve de desmontar toda a equipe novamente, com mais de 200 demissões e a perda de cerca de 70% da produção, que terá de ser doada para não estragar.

“Estamos angustiados, acompanhando os fatos e aguardando por mais uns dias para que tudo melhore e a gente consiga manter o quadro. Mas, se não flexibilizar, não terá outro jeito a não ser demitir”, lamentou o empresário Mauricio Brock, diretor da Prawer, umas das marcas mais tradicionais do chocolate caseiro de Gramado e do Brasil.

Até esta semana, os cerca de 140 operários, das lojas e fábrica, estão sendo mantidos. Em comparação com o período pascoalino de 2020, a marca teve desempenho 15% melhor, puxado pela expansão de mercado promovido pela empresa. Mas a Região das Hortênsias segue sendo decisiva para a Prawer. “Se Gramado abrir, reage rápido”, acredita Brock.

Na avaliação de Maurício, é perfeitamente viável atender os consumidores respeitando os protocolos que impedem a proliferação do vírus. “Nossa expectativa é que libere um pouco o fluxo, pois com certeza não são as lojas que promovem a proliferação, já que todos os protocolos são religiosamente seguidos, tantos pelos clientes quanto pelos trabalhadores”, garantiu. “Nossa mensagem é de muita esperança, muita fé e torcer para que volte logo a normalidade e que a gente consiga voltar a se abraçar e levar a vida com saúde e paz”, finalizou.

OCUPAÇÃO HOTELEIRA – Mauro Salles revelou que o setor hoteleiro esteve abaixo da metade de ocupação. Em relação há anos anteriores à pandemia, o setor da hotelaria girava em torno de 90% da ocupação nesta época. “Para a hotelaria, o final de semana foi muito ruim, comparado com o período de Páscoa normal. Poucos hotéis conseguiram abrir e os que abriram tiveram ocupação baixa, girando em torno de 20% de média. Foi muito fraco. Não ajuda a salvar o buraco nas contas que as empresas estão enfrentando para pagar impostos, salário e custos de operação em geral. Não salva”, frisou Salles.

De acordo com Felipe Andreis, o final de semana deixou um gosto amargo, por conta do pensamento de ‘eu podia ter faturado um pouco mais’. “Eu vejo mais deste jeito: embora ninguém deixaria de abrir sabendo que faturaria pouco, eu vi como todos ficaram incomodados por poder abrir em um dia e não no outro. Começa surgir aquele papo: ‘será que o vírus só circula em um dia ou só no próximo?’, e assim por diante”, frisou ele.

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