Desabafo emocionado

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A fala do vereador Paulo Tomasini (PSDB) na sessão de segunda-feira (6), é perturbadora. Ao que colocou, em 2019, quando do seu afastamento judicial da Secretaria do Meio Ambiente e das funções públicas, tratou-se de uma artimanha que envolvia o Promotor de Justiça do Município, Paulo Vieira, e o próprio Jackson Müller para que este último assumisse seu lugar. Tomasini usou seu tempo do Grande Expediente, 8 minutos, para falar do assunto e disse que seria necessário voltar ao tema centenas de vezes. “E eu vou estar aqui, nesta tribuna, para falar de tudo o que está acontecendo. Quero dizer para você o quanto é ruim tu ser denunciado, uma denúncia totalmente falsa”. E acrescentou que Deus é justo, e esta mesma denúncia falsa o proporcionou voltar à Câmara de Vereadores como suplente do Alfredo Schaffer, que foi indicado para assumir a Secretaria após o afastamento de Jackson. Em sua época como secretário, Tomasini chegou a contratar a empresa de Jackson Müller para prestar serviços ao Meio Ambiente, ao que disse não ter nenhuma queixa: “Mas acho que depois sim, ele sentiu que ali a terra era fértil para fazer o que fez”. Demonstrando muito sentimento e convicção, só parou de falar quando a sineta avisou o esgotamento do tempo.

Café com o amigo

Tomasini se referia ao promotor como “amigo” e em nenhum momento citou seu nome. Disse que na época contratou Jackson para um serviço e ele acabou fazendo um diagnóstico da Secretaria para “levar ao amigo”, onde deveria ter tomando “um café com o amigo” e ter dito: “olha, eu tenho um diagnóstico da Secretaria”, que acabou sendo entregue na Promotoria para embasar as denúncias da época (2019), contra o então secretário Paulo Tomasini. “Um diagnóstico falso, que ele me denuncia, pede meu afastamento, e o Juiz aceita, e eu só consigo reverter isso lá em Porto Alegre, e eu nunca tinha sido ouvido e nunca fui ouvido até hoje sobre o meu processo”.

Armadilha (…), de pistola na cintura

“Então eu quero que Canela nunca mais caia numas armadilhas assim (…). Então é muito triste quando tu pega uma pessoa, que vem para dentro de um órgão público, que visivelmente quer o teu lugar (…). Então é triste tu ver que numa cidade tu tem um secretário que se diz amigo do Homem Forte (gesticula com o indicador mostrando ao Ministério Público que fica logo do outro lado da rua, quase frente a frente com a Câmara de Vereadores), que vem para dentro de uma Prefeitura, onde tem aqui uma série de cidadãos canelenses trabalhando honestamente. O cara vem para dentro de pistola na cintura, com uma espada afiada, chamada Ministério Público, intimidando as pessoas, que intimidou eu, eu não porque eu não tenho medo, mas intimidou muitos dos meus colegas, intimidou inclusive o Executivo Municipal, que ficou engessado diante de tantas ameaças, diante de tantas ameaças (repetiu), foi a cada momento ‘olha, tem que dar um jeito porque o homem está de olho no fulano e no beltrano’”.

Reuniões para criar dificuldades

“Um absurdo o que aconteceu no nosso município! Eu vou me defender, mas não vou deixar a comunidade esquecer o que aconteceu. Porque, infelizmente, esta pessoa veio para cá, assumiu uma Secretaria, eu sei de que maneira. Eu sei de que maneira (repetiu). E até concordei porque o prefeito não tinha outra alternativa, tamanha a articulação e a sacanagem que foi feita. E criou um constrangimento generalizado aos empresários da nossa cidade, que nós vamos levar alguns meses para superar isso e ter de novo a confiança dos investidores do nosso município”.

Disse também que levou algum “calor”, que chegou a ir cinco vezes por semana fazer reunião com o Promotor e que este queria fazer reuniões com os servidores da pasta (Secretaria do Meio Ambiente), mas que ele não permitiu, mas que após isso, com o outro secretário (Jackson Müller), estas reuniões eram frequentes com o Promotor. “Qual é o objetivo de o Ministério Público fazer reunião com os funcionários do Meio Ambiente? Para auxiliá-los? Não! Para intimidar! Para criar dificuldades para o amigo vender facilidade! Este foi o objetivo (repetiu)! Criar dificuldade, amedrontar, para o amigo vender facilidade!”.

Ninguém merece

“Esta é uma realidade que aconteceu no nosso município”. Disse que não sabe até quando vai ficar como vereador mas espera que seja até o final, pois quer relembrar muitas vezes este e outros assuntos. “Porque ninguém merece, prefeito não merece, secretários não merecem, vereadores não merecem, comunidade de Canela não merece, passar pelo que nós estamos passando, hoje destruído perante a mídia municipal, estadual e até federal perante o que aconteceu agora, e eu vou estar nesta tribuna para falar tudo isso”. 

“Não converso com réu”

A coluna consultou o promotor Paulo Vieira, mas ele prefere não se manifestar oficialmente a respeito da fala de Tomasini. Por telefone disse que não conversa com réu e que não tem nada contra a pessoa do vereador e que atua sempre dentro da legalidade e do que preconiza sua função de representante do Ministério Público.

O futuro da Caritas

Paulo Vieira se manifestou ao colunista sobre a Caritas. Disse que acompanha “estupefato” os acontecimentos que julgou excessivamente midiáticos e que muitas biografias estão sendo manchadas desnecessária e injustamente. “Quem vai ajuntar todas essas penas?”, questionou, sobre a honra dessas pessoas envolvidas inocentemente e que jamais a recuperarão totalmente, pois até o momento, segundo disse, não há nenhuma denúncia entregue ao Judiciário, de toda a operação “que daqui a pouco chega à centésima fase”, ironizou. Vieira comentou que inclusive um documento que é para servir como prova, que está juntado no inquérito, é falso. Segundo ele, a Polícia Civil juntou uma folha de pagamento falsa, como se um dos investigados, afastado da Secretaria do Meio Ambiente, recebesse mais de R$ 10 mil por mês, quando na verdade recebe um pouco mais do que três mil mensais.

Emília presidente

A sessão de segunda-feira à noite confirmou a eleição da vereadora Emília Fulcher (Republicanos) na presidência da Câmara até o final deste ano. É justo já que desde o início deste troca-troca em razão da Caritas ela sempre respondeu à altura como vice assumindo quando chamada.

O Voto de Minerva – Fototoo

No programa de segunda-feira conversei com os vereadores Jefferson de Oliveira (com dois efes) e Jerônimo Terra Rolim. Muito produtivo o debate. Em que pese muitas vezes parece ser oposição por oposição, Rolim embasa muito bem suas falas e tem muita facilidade em montar suas teses. É defensor ferrenho da criação da CPI da Caritas. Jefferson Oliveira, em que pese seja governista, se mostra independente e muito bem articulado. Para surpresa do ‘mediador’, ao finalzinho da conversa declarou que naquela noite, a eleição da presidente da Câmara poderia não ser tão certa como parecia. Havia uma rusga com o seu partido, o MDB, mas que durante o dia se consertou e no final Emilia Fulcher foi eleita por unanimidade.

Na próxima segunda-feira mais uma debate interessante, não perca!

A incrível obra 

Uma lástima o que está ocorrendo na Felisberto Soares, local predileto do turista, no caminho da magnífica e única Catedral. Fui lá conferir esta semana. É impossível acreditar que não seja possível o mínimo de planejamento, já que feita com o dinheiro do IPTU que pagamos, conforme dito na placa. Vejamos o relato de um empresário ontem à tarde: “Precisamos de um auxílio… A obra da calçada aqui em frente está muito mal planejada. Os turistas estão precisando caminhar no barro… Estou precisando disponibilizar vaga de estacionamento para meus vizinhos do prédio ao lado, pois não tem acesso à garagem há praticamente duas semanas… Já compramos inclusive material para a obra não parar em frente a nossa entrada… Dois dias úteis de sol e ninguém apareceu”.

Já faz um ano. Ontem, quinta-feira, dia 9, completou um ano desde o início dos trabalhos na Felisberto Soares. Quando a Prefeitura divulgou o início da obra, um ano atrás, a previsão de conclusão era o final do ano passado. Naquela ocasião, inclusive, a Prefeitura destacou que “a obra será executada procurando impactar minimamente no fluxo dos turistas e moradores, em especial no acesso aos estabelecimentos comerciais localizados no trecho”.

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