Novo quebra-molas

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Coluna publicada no dia 23/10.

Leonardo Santos

Quem circula por Canela já deve ter percebido: lá na frente da revenda Hodscar, na Avenida João Pessoa, surgiu um novo quebra-molas. Alguns reclamam, outros gostam, tem gente que nem se importa. Mas pra mim, o que vale é pensar no sentido disso tudo. Quantos desses pontos realmente melhoram a segurança e quantos apenas quebram a fluidez do trânsito?

O caso do quebra-molas da Havan é curioso. Ele faz sentido porque protege quem desce do ônibus e precisa atravessar de um lado a outro. A presença de uma faixa de segurança em cima reforça isso. Mas será que precisa ser assim, com esse excesso de obstáculos espalhados pela cidade? Dá pra perceber que a intenção é boa, mas o efeito às vezes é mais visual do que prático.

Em Canela, já tivemos experiência com os quebra-molas de plástico. Uma porcaria, pra ser sincero. Com alguns meses, já ficavam afundados, se deformavam, e no fim mais atrapalhavam do que ajudavam. Em Gramado também tem, e o problema se repete. Não é apenas questão de instalar e esquecer. O que muda o trânsito não é o quebra-molas em si, é a forma como as pessoas dirigem.

Minha visão é clara: não sou contra, mas sou contra o excesso. Não pode ser aquela história de “ah, tem um problema, vamos colocar um quebra-molas; ah, tem outro, outro quebra-molas”. É preciso equilíbrio. Educar para reduzir a velocidade, para ter consciência do espaço urbano, e pensar em soluções inteligentes.

Outros pontos

Agora, indo para a frente do da Taqi, a lógica se repete, mas com outro tipo de questionamento. Existe ali um quebra-molas que, na prática, parece não fazer diferença real. Pequeno, quase despercebido, e ainda por cima bem abaixo de um pardal eletrônico de fiscalização. Ele até tem uma faixa de segurança, mas ninguém realmente para ali. A sensação é que virou mais um detalhe visual do que uma medida efetiva de segurança.

E o que vemos na Avenida das Hortênsias é emblemático: são 17 faixas de segurança entre Gramado e Canela, mas nenhuma oferece segurança real. Uma rodovia de alta velocidade não é lugar de faixas de pedestre. Motoristas que passam rápido simplesmente não param, e isso pode causar mais dano do que ajuda. A função dessas faixas, na verdade, é indicar o melhor lugar para atravessar, e só isso.

Ontem, um ouvinte do Chimarrão de Atualidades comentou que, do Mercado Dia até o Serrano, são 15 faixas e 7 quebra-molas. E agora tem mais um. Sério mesmo, todos esses obstáculos são necessários? Um motorista que acabou de passar por um quebra-molas vai estar tão rápido assim que um novo quebra-molas fará diferença? Não estou defendendo imprudência, mas parece que a solução imediata para qualquer problema virou colocar obstáculo no meio da rua.

Semáforos inteligentes

Minha proposta é simples: semáforos acionados pelo pedestre. Funciona assim: o pedestre quer atravessar, aperta o botão, o carro para, e ele atravessa. Assim, o trânsito não fica parado o tempo todo, e a segurança é garantida. Essa lógica poderia ser aplicada na frente da Havan e em outros pontos estratégicos, como os da frente da Taqui, onde os quebra-molas são pequenos e quase inúteis.

O que precisamos perceber é que o trânsito é uma questão de consciência. É saber reduzir a velocidade, respeitar o espaço do outro, perceber os riscos. Quebra-molas são ferramentas, não soluções milagrosas. Eles só fazem sentido quando usados de forma estratégica, com acompanhamento e reflexão sobre o que realmente protege e organiza o trânsito.

Reflexão

A grande discussão é: queremos uma cidade cheia de obstáculos ou queremos cidadãos conscientes? Dentro da cidade, especialmente em Canela e Gramado, o excesso de quebra-molas não deixa a cidade mais segura, apenas mais irregular, mais lenta, e visualmente menos agradável. Mas em rodovias como a Avenida das Hortênsias, soluções como semáforos acionados pelo pedestre podem fazer sentido.

Então a pergunta que fica é: será que não é mais uma questão de consciência do que de estrutura física? Será que não podemos ensinar, educar, orientar, em vez de simplesmente colocar obstáculos? Eu sou da ideia de que sim. Que o quebra-molas seja uma ferramenta pontual, bem pensada, não banalizada. Que ajude de verdade quem precisa atravessar com segurança e não apenas sirva de enfeite ou de justificativa para reduzir velocidade de forma artificial.

1 COMENTÁRIO

  1. Estes mesmos quebra molas deixa o trânsito congestionado, provocando filas. A impressão que se vê é que os gestores fazem questão de ver filas, tumultos, congestionamentos e motoristas irritados pela falta de fluides. O mesmo acontece na manutenção das vias em vésperas de movimento nas cidades . Um absurdo isso. Acho que cada motorista tem a consciência de respeitar . No caso o turista está passeando até aí tudo certo; mas e quem está trabalhando como fica? Os gestores precisam analisar melhor essas decisões.

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