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Dono de construtora é preso suspeito de fraudes que superam os R$ 6,4 milhões

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CANELA – A Polícia Civil (PC), deflagrou na manhã de hoje, quinta-feira (11), grande operação para desarticular sofisticada rede criminosa investigada pelas práticas de fraudes imobiliárias, estelionato e crimes contra o sistema financeiro e a administração da justiça.

A ação mobilizou 70 policiais civis e resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e bloqueio de bens, abrangendo diversas cidades da região.

A investigação, que se estendeu por um longo período, revelou um complexo esquema liderado pelo proprietário de uma construtora de Canela, que, com o auxílio de associados, incluindo advogados, é investigado por supostamente lesar inúmeras vítimas.

Os fatos apurados, conforme informado pelo delegado Vladimir Medeiros, da Delegacia de Polícia, responsável pelas investigações, indicam que a construtora operava por meio de múltiplas pessoas jurídicas, formalmente distintas, mas geridas sob a mesma liderança, com o intuito de desviar pagamentos, ocultar patrimônio e frustrar execuções judiciais.

O modus operandi criminoso investigado consistia em quatro fases principais:

Inicialmente, eram oferecidos empreendimentos imobiliários com preços atrativos e marketing diversificado, visando captar grande número de interessados. Posteriormente, as obras eram iniciadas, mas invariavelmente paralisadas, com os valores arrecadados sendo desviados para a aquisição de novos terrenos, perpetuando o ciclo fraudulento.

Na terceira fase, as vítimas eram evitadas, ameaçadas e coagidas a não buscarem seus direitos, permitindo que os recursos fossem apropriados.

Por fim, através de assessoria jurídica, a empresa realizava a negativação indevida de clientes em órgãos de proteção ao crédito, mesmo os adimplentes, e comercializava títulos de crédito supostamente falsos a bancos digitais, além de confeccionar distratos com a cobrança de multas por rescisão, alegando inadimplência dos clientes.

As práticas ilícitas sob apuração incluem atrasos injustificados e abandono sistemático de obras, inclusive de prédios públicos de serviços essenciais. Também foram constatadas vendas de imóveis em duplicidade ou sem a devida regularização, publicidade enganosa com a falsificação de documentos, e a criação de títulos de crédito falsos para gerar negativações indevidas.

Clientes que tentavam questionar as irregularidades eram submetidos a táticas de intimidação e ameaças, havendo, ainda, evidências de esbulho possessório em terrenos vizinhos.

A investigação aponta, ainda, para a possível tentativa de recuperação judicial fraudulenta, visando blindar o patrimônio dos envolvidos.

Prejuízos financeiros superam o valor de 6,4 milhões de reais

Este valor, no entanto, representa uma estimativa mínima dos danos patrimoniais, sem contabilizar os inúmeros prejuízos não monetários, como danos morais, perda de posse e os impactos à administração da justiça, ao erário e à própria comunidade.

A estimativa considera valores relacionados a vendas sob investigação, abandono de obras, negativações indevidas de clientes e não pagamento a fornecedores. No âmbito da operação, foi preso preventivamente o proprietário da construtora, considerado o principal suspeito do esquema. A Polícia Civil não revelou, mas conforme apurado pela reportagem do Jornal Integração, trata-se de Márcio Colombo, proprietário da empresa MWC Construtora.

Foram realizadas , ainda, 14 buscas e apreensões em endereços residenciais e comerciais nas cidades de Canela, Gramado, São Francisco de Paula e Capão da Canoa.

Dentre os alvos dos mandados de busca e apreensão, estava também escritório de advocacia, uma vez que profissionais do direito são investigados por suposta participação em condutas questionáveis, como a apresentação de documentos adulterados em juízo e a atuação em processos que envolviam vendas em duplicidade, buscando revogar liminares protetivas a clientes.

Buscas junto a residências de advogados também foram realizadas pela Polícia Civil de Canela durante a operação policial. Adicionalmente, foram decretados o arresto de todos os bens imóveis registrados em nome do proprietário da construtora, de sua companheira e das empresas a eles vinculadas, bem como o sequestro de veículos, incluindo um automóvel de luxo, visando garantir a reparação dos danos às vítimas e evitar a dissipação de bens provenientes da atividade criminosa.

O delegado Vladimir Medeiros ressaltou a importância da operação e o empenho dos policiais. “Esta é uma importante investigação que é resultado de ocorrências policiais registradas na Delegacia de Polícia de Canela, bem como denúncias encaminhadas ao órgão policial nos últimos anos, dando conta de diversos golpes possivelmente praticados pela construtora. A operação de hoje reforça o compromisso da Polícia Civil em combater a criminalidade organizada, especialmente aquela que afeta diretamente o patrimônio e a confiança dos nossos cidadãos.

Conforme o delegado, a Polícia Civil de Canela segue com as investigações para identificar outros possíveis envolvidos e a extensão total dos prejuízos causados pelo esquema, visando ao esclarecimento integral dos fatos e responsabilização efetiva pelas práticas apuradas.

Fotos: Polícia Civil de Canela/Divulgação

7 COMENTÁRIOS

  1. Estou com um problema jurídico contra uma empresa construtora de Canela, com mesmo modus operantis, gostaria de maiores informações, quem é essa empresa?
    Acaso é construtora Kinast casas, ?
    Aguardo retorno

  2. Fomos lesados pela MWC Construtora, compramos uma casa em um condomínio residencial em julho de 2022 (Residencial Vista do Lago), quitamos em 2023 e até hoje a obra não iniciou.
    Fizemos contatos presenciais e por telefone e com o Márcio Colombo sem êxito.
    Após a matéria do esquema da operação Columbus, fizemos um boletim de ocorrência e seguiremos com processo judicial.

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