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Misturar lixo orgânico com lixo seco é um dos maiores problemas da atualidade

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CANELA – O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5 de junho, incentivou uma vasta programação voltada à educação ambiental e conscientização social ao longo de toda essa semana. Neste ano, a temática do poder público é o Planejamento Urbano e a Sustentabilidade Ambiental.

E dentro desta pauta sustentável, o Jornal Integração visitou a Unidade de Separação, Triagem e Transbordo de Resíduos para mostrar o que acontece com o lixo produzido na casa de cada cidadão. A visita foi transmitida ao vivo pelas redes sociais do JI e guiada pelo biólogo e secretário de Meio Ambiente, Jackson Müller, e pelo proprietário da empresa Serra e Mar, Rodrigo Jungs.

Hoje, a cidade produz em média 950 toneladas de lixo por mês (cerca de 30 toneladas por dia). E aproximadamente 10% é separado e encaminhado para a reciclagem. Este índice, embora apresente melhora com relação aos últimos anos, possui margem para ser ampliado, desde que a população esteja envolvida e crie o hábito de separar os resíduos em casa, deixando os restos de comida, frutas e verduras em sacolinhas separadas dos resíduos secos (plástico, latinhas, vidro e outros).

“É muito importante que a comunidade compreenda essa relação do que acontece em casa, com a coleta, com o processamento e com o destino final do seu lixo. Que compreenda as dificuldades que nós enfrentamos quando o morador deixa de fazer a separação em casa. Esse é um dos maiores problemas que estamos vivendo hoje, porque a capacidade de triagem cai na medida que esse material chega aqui sujo pela mistura da comida com o papel, com o plástico ou com o vidro”, observa Jackson.

O secretário também explica o conceito do que é considerado resíduo e o que é lixo. “É importante diferenciar uma coisa da outra. O conceito atual de resíduo é aquilo que pode ser reutilizado, reciclado e reaproveitado. E o lixo é aquilo que não tem mais o que fazer. Então a população precisa nos ajudar separando os materiais e colocando no dia correto da coleta”, reitera.

“Precisamos que a comunidade volte a acreditar na coleta seletiva”

A empresa responsável pela coleta e destinação do lixo possui uma equipe 35 pessoas e cinco caminhões que percorrem a cidade fazendo a coleta de segunda a sábado. Tudo que é recolhido na rua é levado para a Unidade de Separação e Triagem onde existem mais 13 funcionários responsáveis pela triagem.

Nesta semana, na segunda-feira, a equipe da Serra e Mar, com apoio da Secretaria do Meio Ambiente, fez um teste gravitacional e quantitativo para verificar a quantidade e o tipo de lixo recolhido. Segunda-feira é o dia da coleta do lixo orgânico e, conforme Rodrigo, cerca de 28% a 30% era de fato orgânico, o resto era resíduo seletivo misturado. “No dia da coleta orgânica, maioria do lixo deveria ser orgânico”, observa.

“Hoje (terça-feira) é o dia da coleta seletiva. E o que a gente está vendo é cinza, sobra de comida misturada com o papel, com plástico. Essa mistura não é possível manter deste jeito pra agregar valor ao material reciclável. É necessária a conscientização do cidadão. Essa mistura é prejudicial para uma cidade sustentável. Não há porque um cidadão, no século 21, fazer a mistura da comida, com os materiais que são passiveis de gerar trabalho e renda”, complementa Jackson.

“Este é um dos maiores problemas ambientais da atualidade. Nós precisamos que a comunidade volte a acreditar na coleta seletiva, que observe o calendário regular, colocando o lixo seco apenas nas terças e quintas, sem misturar com o orgânico da segunda, quarta e sexta. Chegando aqui separado, é metade do nosso trabalho. Mas chegando aqui misturado, vai gerar uma montanha de rejeitos que terá um custo enorme pra ser levado para São Leopoldo”, incentiva.

LIÇÃO ESCOLAR – “A criança não é o nosso problema, o problema é o adulto teimoso que faz isso aqui. A criança recebe as orientações na escola do professor e tenta reproduzir em casa, mas quando ela chega em casa e o pai e a mãe misturam tudo e dizem que isso não é importante, temos um conflito entre o trabalho do professor e a orientação inadequada que a família dá. Então, pai e mãe, separem o lixo em casa, ouça seu filho”, conclama o secretário.

“Só queremos que se separe o lixo seco do orgânico para diminuir essa montanha de lixo que temos aqui. E isso precisa ser feito todos os dias. A participação do cidadão é fundamental para isso dar certo”, sublinha.

Lixo misturado custa caro para o poder público

A mudança de empresa que faz o serviço de limpeza urbana provocou uma oscilação no índice de resíduo destinado ao reaproveitamento. Em 2019 a média de destinação correta era de 5% de todo resíduo produzido. Em novembro de 2019, por conta do fim do contrato com a antiga empresa, foi efetivado um contrato emergencial com a Serra e Mar e durante um ano e dois meses o serviço de triagem ficou suspenso.

A partir de janeiro deste ano, quando a Serra e Mar venceu a licitação e passou a vigorar um contrato efetivo de quatro anos, a triagem foi retomada e o reaproveitamento está beirando os 10%, havendo margem para ser ampliado.

“Até 30% do que se produz de lixo é possível destinar ao mercado de reciclagem. É papel, é plástico, sucata ferrosa, vidro, cobre, alumínio. Cinquenta e poucos por cento é matéria orgânica que também pode ser aproveitada.A sustentabilidade está o esforço de melhorar o desempenho e a eficiência da separação e da triagem daquilo que tem mercado, aproveitar o material orgânico pra transformar em adubo e só levar para o aterro aquilo que não tem tecnologia para reutilizar”, esclarece Jackson.

“O ideal é isso, se conseguirmos reciclar 30% e se aproveitarmos 50% em orgânico vai sobrar uma quantidade muito pequena que em pouco tempo, com as tecnologias que estão surgindo, não vamos mais precisar mandar para o aterro. Essa é a cidade sustentável. Podemos resolver tudo aqui, sem mandar nosso problema para os outros. Hoje estamos mandando lixo lá para São Leopoldo e pagando caro demais para isso porque está misturado”, pontua.

Conforme o secretário, a nova licitação proporcionou economia de valores para os cofres públicos. “Tínhamos um custo em 2019, de cerca de R$ 500 mil por mês para cuidar disso tudo. A nova licitação nos permitiu atualizar valores para menos. Hoje, o nosso custo de coleta, processamento, tratamento e destino final gira em torno de R$ 370 mil a R$ 420 mil em média”, informou o secretário.

Descarte irregular nas estradas do interior

Levar resíduo industrial, de construção ou de outras origens para largar em estradas do interior é um crime ambiental passível de multa pesada. “Esse é um problema recorrente muito grave em Canela. Os bairros são atendidos pelo serviço de limpeza pública ao menos três vezes por semana, não há uma justificativa para o cidadão pegar o seu lixo, botar dentro do seu carro e largar longe de casa. O que ele quer com isso? A questão cultural de fazer descartes pelas estradas é um comportamento cultural desnecessário”, opina Jackson.

“Estamos melhorando e ampliando a oferta desse serviço para que o cidadão não precise descartar de forma regular o seu resíduo. Mas claro que isso também é um componente educativo. Largar o lixo pelas estradas vai resolver o problema dessa pessoa? Não vai, além de criar um problema para um monte de gente. É preciso ter consciência.Quem for pego fazendo isso vai ser multado, pode ter o veículo recolhido por estar causando um dano ambiental e ainda vai ter que limpar a sujeira que fez”, avisa o secretário.

Texto: Fernando Gusen – [email protected]

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