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Surto de Covid em residencial de idosos provoca nove mortes

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GRAMADO – Os números de óbitos por Covid-19 tiveram um aumento significativo na cidade nos últimos dias por conta de um surto da doença dentro do Santa Ana Residencial Geriátrico, cujo proprietário é o vereador e médico Dr. Ubiratã Alves de Oliveira. Na segunda-feira, durante a sessão na Câmara de Vereadores, Ubiratã ocupou a tribuna para se pronunciar sobre o surto que afetou seu residencial. Esta foi a primeira manifestação pública como proprietário sobre o surto.

“Fomos vitimados pela pandemia da Covid-19. Infelizmente a pandemia chegou aos lares de idosos. Estamos muito consternados com tudo que vem acontecendo. Minha família e eu fizemos os testes e estamos negativados. No residencial estamos adotando medidas desde o dia 11 de março, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou pandemia mundial, logo afastamos dois colaboradores que também atuavam no Hospital São Miguel para que a gente não tivesse possibilidade de transmissão”, explicou.

O local funciona há oito anos e as fiscalizações, desde a abertura, são rígidas e frequentes. “Eu, como médico e proprietário, não atendo mais, nem frequento mais o hospital por causa da pandemia. Há oito anos somos fiscalizados pelo Ministério Público e em momento algum tivemos apontamentos. A Secretaria da Saúde nos visita com frequência, e em momento algum fomos apontados com qualquer tipo de irregularidade”, ponderou.

Sobre a possibilidade de algum dos seus colaboradores ter trazido a doença, Ubiratã rechaçou: “Fizemos um pacto de fidelidade com nossos colaboradores desde o início, ou seja, qualquer um que tivesse qualquer sintoma gripal, que não fosse trabalhar, que nos avisassem e que procurasse a tenda. E ao longo desses meses não tivemos nenhum colaborador que tenha diagnóstico positivo. Para proteger, suspendemos todos os serviços essenciais que ocorriam na clínica desde o início da pandemia.As visitas presenciais também foram suspensas. Diariamente temos planilhas que são preenchidas por cada colaborador para monitorar o quadro clínico de cada um”.

Ubiratã não sabe explicar como o vírus afetou seu residencial. “Até final de agosto nenhum idoso teve sintoma gripal ou febre. Tínhamos 30idosos no nosso residencial, grande parte deles com quase cem anos. 89 anos é a média de idade dos nossos idosos, e muitos deles com comorbidades graves e severas, com muitas enfermidades.Fizemos desinfecção, testagens, adotamos todas as medidas protocolares, mas infelizmente fomos vitimados por um inimigo invisível e traiçoeiro. O surto chegou no início de setembro e nos primeiros sintomas que percebemos começamos a levar nossos pacientes para o Hospital.Estamos consternados e solidários com as famílias dos cinco idosos que perdemos. Temos mais três em estado grave na UTI do São Miguel e hoje temos 19 vovôs e vovós no residencial se recuperando bem”, descreveu.

O pronunciamento ocorreu na segunda-feira de noite, quando o residencial já tinha perdido cinco idosos para o coronavírus. Até ontem no final da tarde, mais quatro pacientes que estavam internados vieram a óbito no Hospital São Miguel, totalizando nove.

Ele salientou que durante o surto alguns colaboradores também acabaram testando positivo para a doença, mas todos estão bem. “Tivemos alguns colaboradores que também positivaram, mas nenhum deles precisou ser hospitalizado. Fizeram isolamento e estão todos sem sintomas, prestes a retornarem às atividades”, contou.

AGRADECIMENTO E ALERTA – O surto abateu a família proprietária do residencial. O discurso de Ubiratã foi sob emoção e perplexidade com os efeitos da doença. “Tenho recebido muito apoio da minha família, dos colaboradores, dos amigos e colegas aqui da Câmara. Recebi inúmeras mensagens da comunidade gramadense de fé e solidariedade com o que estamos enfrentando. É uma doença devastadora. Grave. Desde março fizemos tudo que foi orientado, mas infelizmente é um inimigo invisível. Eu tenho 34 anos de profissão como médico e nunca presenciei algo tão terrível (…).Os nossos idosos não foram pro hospital com sofrimento respiratório, muitos deles chegaram caminhando e mesmo com o grande empenho dos profissionais, não foi possível ter êxito na recuperação de todos”, finalizou.

1000 CASOS CONFIRMADOS– Com as mortes causadas por este surto, Gramado chegou a 21 vítimas pelo novo coronavírus. De acordo com o boletim epidemiológico do Centro de Operações de Emergências,nesta quinta-feira, divulgado às 17h, a cidade contabilizava 1000 casos confirmados desde o início da pandemia, destes, 941 já se curaram da doença e 38 pacientes ainda lutam contra o vírus. Nove deles estão internados no Hospital São Miguel, sendo cinco na UTI.

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