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Quem foi Josué Guimarães? Conheça a história do escritor que inspira a Feira do Livro e escolheu Canela como seu refúgio

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CANELA – A Feira do Livro de Canela, que chega a sua 24ª edição em 2025, traz em seu nome o escritor e jornalista Josué Guimarães, que apesar de ser natural da cidade de São Jerônimo (RS) e ter feito carreira internacional, escolheu o solo canelense como seu refúgio nos momentos de descanso. Junto com a esposa Nydia Guimarães, Josué dedicou a vida à produção literária. Após seu falecimento em 1986, sua companheira se dedicou a proteger o acervo deixado por ele, gerando um vasto legado cultural para a cidade.

Josué Guimarães nasceu em 1921 na região carbonífera gaúcha. Aos 49 anos, começou a se dedicar às obras de ficção. O primeiro trabalho foi a coletânea de contos “Os Ladrões”, publicada em 1970. Ao longo de 16 anos, chegou à marca de 25 livros escritos.

Entre os títulos de maior destaque de Josué, estão as obras:

“A Ferro e Fogo” (1972) – narra a história da colonização alemã no Rio Grande do Sul;

“Os Tambores Silencioso” (1977) – em forma de sátira retrata a Era Vargas;

 “Camilo Mortágua” (1980) – relata a trajetória de uma família da oligarquia rural gaúcha, do início do século 20 até a derrocada, em 1964.

O autor jeronimense também se dedicou aos textos infantis. Na relação de títulos constam “A casa das quatro luas” – (1979), “Era uma vez um reino encantado” – (1980), “A onça que perdeu as pintas” – (1981) e “O avião que não sabia voar” – (1984), entre outros. Infelizmente, sua produção literária foi interrompida em 1986, quando faleceu vítima de um câncer no intestino. Três anos antes, sua casa na cidade de Canela havia ficado pronta e era o refúgio onde o escritor descansava.

Apaixonado pela cidade

A casa onde Josué Guimarães passou os períodos de veraneio nos últimos anos de vida ficou pronta em 1983. Estava localizada no condomínio Laje de Pedra. Conforme relatos dos filhos, Adriana e Rodrigo, ele era apaixonado por Canela, circulava pelas ruas, comprava no comércio local, e estava integrado à comunidade.

Após sua morte, a esposa Nydia Guimarães se mudou para a cidade. Com ela, veio a herança literária do autor, assim como o incentivo para a proteção da cultura local, através da instalação da Fundação Cultural de Canela, em 1989. A instituição, inclusive, foi responsável pela organização de eventos como o Sonho de Natal (que está na sua 38ª edição em 2025 e no qual a 24ª Feira do Livro está inserida); e ações como o Clube do Livro e o Cine Clube.

Antes de falecer em 2012, Nydia chegou a ver a homenagem feita à Josué Guimarães, quando a Prefeitura de Canela decidiu dar seu nome à Feira do Livro. “É um orgulho para nossa cidade ter o legado cultural de Josué e Nydia Guimarães. Ele com suas obras literárias que retratam com tantos detalhes a história, as características e a política gaúcha e brasileira; e ela, com seu vasto conhecimento cultural, que ajudou a estabelecer em Canela um forte cenário de valorização do que é local, da nossa cultura e do nosso povo. Então, homenagear Josué Guimarães com a nossa Feira do Livro é uma forma de preservar seu nome e legado para a posteridade”, destaca a diretora do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal, Sabrina Sá.

Jornalismo e vida política

Além da escrita literária e jornalística, em que o senso crítico e o compromisso social sempre estiveram presentes, ele esteve envolvido com o meio político, chegando a ser vereador em Porto Alegre, em 1951. Já estabelecido no Rio de Janeiro e atuando como jornalista, teve passagem por diferentes jornais e revistas, viajando para a China e a União Soviética em 1952 como o primeiro correspondente do jornal Última Hora a cobrir a situação política desses países pelo veículo carioca. Na década de 1950, chegou a ser cronista da Folha da Tarde; em 1957 foi contratada por Assis Chateaubriand para reformar jornais como o Diário da Noite e o Diários Associados; em 1961, entrou para a Agência Nacional, sendo demitido em 1964. Após o golpe deste ano, passou a ser perseguido em função de suas colocações políticas e, na década de 1970, se exilou em Portugal, onde fundou seu próprio jornal, o “Chaimite”, e cobriu a Revolução dos Cravos. Nos anos de 1980, Josué Guimarães voltou ao Brasil e se tornou cronista sobre opinião pública nacional da Folha de São Paulo – cuja sucursal gaúcha tinha sua direção. Como cronista, se consagrou com análises muito críticas e irônicas.

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