REGIÃO – A partir de hoje quarta-feira (1º), inicia a colheita, transporte e comercialização do pinhão. Ontem, terça-feira (31), encerrou o “período de defeso”, como é chamado popularmente, estabelecido por lei estadual.
O objetivo desta restrição é garantir o amadurecimento das sementes do pinheiro (Araucária) e, com isso, a reprodução da espécie, a alimentação de animais silvestres e os benefícios socioeconômicos do extrativismo do pinhão.
Quanto madura, a pinha de araucária se abre e libera as sementes (pinhões), o que faz com que parte delas caia no chão e beneficie muitos animais que se alimentam do pinhão. “Isso é fundamental para muitas espécies silvestres, especialmente porque no inverno a oferta de alimento diminui nas florestas de Araucárias”, explica Augusto Mussi Alvim, diretor do Instituto do Meio Ambiente.
A maturação das sementes de araucária, espécie ameaçada de extinção, é essencial para a sua dispersão. Algumas aves, como a gralha-azul, e roedores, como a cutia, escondem as sementes com o objetivo de estocar alimento. Parte dessas sementes são esquecidas e dão origem a novas árvores. A restrição sobre o início da coleta do pinhão, portanto, busca garantir que as pinhas não sejam colhidas verdes, o que impede que esse processo natural ocorra.
A partir desta data, esta guloseima tão apreciada, principalmente quando se aproxima o frio, está liberado para fazer parte da alimentação dos gaúchos. Seja assado na chapa do fogão a lenha, cozido ou uma paçoca com bacon e linguiça, independente da forma de fazer, o consumidor já tem que ficar atento quanto a procura e preço.
Para este ano, a expectativa é de quebra de safra. A previsão é da presidente da Associação dos Pinhãozeiro de Gramado (Assecope), Rosangela Bernardo da Silva. Segundo ela a redução na produção deve atingir a marca de 60%, em relação ao ano passado. “Foram 10 toneladas colhidas, agora neste ano a previsão é de 4 toneladas ou até menos”, declarou.
Com isso o preço dever ter uma elevação. Mas somente a partir desta semana para prever um valor a ser comercializado por quilo. Segundo Rose, ano passado o preço médio vendido no pacote de dois quilos foi de R$ 25, sendo R$ 12,50, por quilo. “Não temos como ainda prever, somente a partir do dia primeiro [amanhã]”, pontuou.
QUEDA NORMAL
A safra de pinhão tem apresentado variações significativas nos últimos anos, um fenômeno que especialistas e produtores atribuem tanto às condições climáticas quanto ao próprio ciclo produtivo da araucária. “Após um ano de colheita abundante, é comum que a produção diminua nos períodos seguintes, refletindo o desgaste natural da árvore e a alternância típica desse tipo de espécie”, explicou Rosangela.
De acordo com a produtora, o calor excessivo durante a fase de formação das pinhas pode comprometer o desenvolvimento adequado das sementes. Quando as temperaturas ficam acima do ideal, a araucária tende a sofrer estresse, o que impacta diretamente na quantidade e na qualidade do pinhão produzido.
“O histórico recente de uma safra muito intensa também influencia os anos seguintes. Quando a árvore produz em grande quantidade, ela utiliza uma parcela significativa de seus recursos nutricionais. Como consequência, nos ciclos posteriores, há uma redução natural na produção, enquanto a planta se recupera”, explicou a produtora.
Esse não é incomum. Assim como ocorre com outras espécies, a araucária alterna períodos de alta e baixa produtividade. Em alguns casos, podem ocorrer até três anos consecutivos de safras reduzidas após um período de abundância. Rosangela afirma que é possível prever a próxima safra observando os sinais da própria árvore. “A presença de pequenas pinhas em formação indica uma colheita promissora no ano seguinte. Por outro lado, a ausência dessas estruturas já sinaliza um período de baixa produção futura”, finalizou.










