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Parque do Palácio preserva último remanescente dos Campos de Cima da Serra em Canela

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CANELA – Há cerca de um mês, após mediação da Prefeitura de Canela junto ao Governo do Rio Grande do Sul, a Assembleia Legislativa aprovou a doação do terreno onde está situado o Parque do Palácio ao Município de Canela. Novamente, a importância ambiental do local ficou em evidência. Para biólogos e outros estudiosos do tema, o principal motivo que faz o espaço de nove hectares ser tão especial é o fato de ser remanescente de dois ecossistemas frágeis – Mata de Araucárias e Campos de Cima da Serra – e possuir fauna silvestre e vegetação de regeneração lenta, que não se encontra mais em meio às cidades devido ao crescimento populacional.

O Parque do Palácio está localizado em uma porção do terreno que pertence ao Governo do Estado, em uma área total de 23 hectares, com um curso d’água que divide toda a extensão em duas partes. Na porção frontal, desde a Praça das Nações até o lago, está o Parque; e, na outra parte, o Palácio das Hortênsias – casa de veraneio do governador. De acordo com registros documentais e informações veiculadas pela imprensa canelense, após solicitações da comunidade, Secretaria de Meio Ambiente e intermediação do então secretário estadual de Turismo, Milton Zuanazzi, o terreno foi cedido à Canela para instalação de um parque urbano em 1999, em uma área de nove hectares.

De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo de Canela, após a cessão, foi desenvolvido projeto para transformar o terreno em um parque urbano, a fim de que a comunidade tivesse uma área para atividades físicas e de lazer. Com o tempo, ambientalistas passaram a observar a relevância ambiental daquele lugar, onde podem ser avistados animais raros e encontradas vegetações bastante sensíveis. “É o único parque linear urbano que existe em Canela e possui uma função biológica importantíssima de ser um reservatório e captar água da chuva, com potencial de impedir alagamentos como os que vimos no Rio Grande do Sul em 2024. Então, ter esse remanescente, um dos últimos núcleos dos Campos de Cima da Serra em zona urbana, é ter uma joia”, destaca o biólogo e secretário-adjunto de Meio Ambiente, Esthalin Moreira.

O secretário de Meio Ambiente e biólogo, Carlos Frozi, aponta, ainda, que a relevância do Parque do Palácio pode ser comparada ao Parque da Redenção, em Porto Alegre, devido à sua magnitude e por ser um refúgio em meio a um centro urbano. “Temos um centro urbano pulsante e um refúgio ainda ecologicamente equilibrado no centro da cidade. Poucas cidades têm essa possibilidade, e Canela é privilegiada”, garante.

Fauna no Parque do Palácio

Outro aspecto de grande relevância no Parque do Palácio é a presença da fauna. Ali podem ser encontrados animais ameaçados de extinção, como o papagaio-charão, a gralha-azul, o papagaio-de-peito-roxo (espécies importantes para a dispersão dos pinhões) e o grimpeiro. Há ainda registros de avistamento do puma (também conhecido como leão-baio), além de diversas espécies que utilizam a área tanto durante períodos migratórios quanto como corredor de passagem.

Um dos motivos apontados para essa movimentação de animais, principalmente de pássaros, no Parque, está nos dois ecossistemas que podem ser vistos – os Campos de Cima da Serra e a Mata de Araucárias.

“Temos espécies que ficam pelos capinzais, na parte mais baixa do relevo, como o coleiro”, destaca Frozi. “Também há aqueles pássaros maiores que ficam nas partes mais altas, nas árvores, como o tucano-de-bico-verde, e também os que estão totalmente associados à copa das Araucárias, como o grimpeiro”, complementa Esthalin.

Sala de aula em meio à natureza

O projeto de retomada do Parque do Palácio, que prevê áreas de lazer e prática esportiva, trilhas e mirantes, ciclovia, bicicletário, além de melhorias na iluminação do local e na segurança, também considera que o espaço poderá ser usado em ações de educação ambiental e até mesmo como sala de aula.

“Imagine uma aula de biologia em meio ao Parque, tendo à disposição dois ecossistemas e uma imensidão de plantas e animais. Os estudantes poderiam ver tudo de perto, a vida acontecendo. Seria um grande incentivo para o cuidado com o meio ambiente”, finaliza o secretário adjunto Esthalin.

A ideia é que o programa Ecocidadania, da Prefeitura de Canela, também possa desenvolver ações no Parque do Palácio, como estímulo à preservação do meio ambiente, e que as escolas possam promover excursões para que os estudantes conheçam a área, com as vegetações e os animais que podem ser observados nela.

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