InícioSaúdeGramado e CanelaOUTUBRO ROSA: sempre uma história de superação

OUTUBRO ROSA: sempre uma história de superação

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“Nati, você está com câncer de mama”, relata, “me desesperei, gritei, chorei, pois infelizmente nessa hora a gente não se lembra de quem se curou, só lembra-se do artista ou conhecido que faleceu”.

“Olá, tudo bem? Eu sou do …”, nem terminei de falar e a resposta foi: “como vai ser? Eu topo”. Assim começou a conversa quando procurei Natiele Brando Dias, 34 anos, e Odenizete Maia França, 38 anos. Elas fazem parte do grupo que enfrenta o câncer de mama. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a doença tem cura, mas precisa ser tratada no estágio inicial de preferência, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.

Para quem não vive a realidade na própria pele, é inacreditável a força dessas mulheres. Natiele descobriu o tumor em 2018, na época atuava como professora de séries iniciais, em Três Coroas. Odenizete, administradora, descobriu este ano. Cada uma está em um estágio diferente da doença, mas possuem uma história singular.

O câncer marca a vida de uma pessoa e sua família, não tendo mais como viver sem lembrar-se das sequelas. Porém, a vontade de seguir fez com que ambas queiram aproveitar ao máximo cada momento, não tendo espaço para desanimo ou pouca vontade. Uma delas descreve que sente uma força sobrenatural.

PANDEMIA – A crise pandêmica por causa da Covid se tornou mais um obstáculo. Natiele afirma que se cuidou bastante, mas acabou contraindo o vírus. “Tive sintomas fracos e fiquei em isolamento. Foi tudo tranquilo”. Odenizete também foi acometida pela doença e precisou ser internada. “Na terceira fase de quimioterapia fiquei mal e achei que era consequência do tratamento. Quando tive falta de ar e não conseguia caminhar, foi que percebi que podia ser Covid. Fiquei seis dias internada na UTI, em Caxias do Sul. Fui muito bem atendida. Depois a ambulância me trouxe para o Hospital de Canela, ficando mais quatro dias internada”, relata Odenizete, que ficou com algumas sequelas como falta de paladar, esquecimento, bolhas e metade do pulmão comprometido, além de ter que tomar remédio para não dar trombose nas pernas. “Com tudo isso, eu não morri. Acho que não era hora. É muito difícil. Os medicamentos da Covid judiam muito a gente”, observa.

O CÂNCER – Natiele descobriu o câncer ainda na fase inicial e não precisou fazer cirurgia. Passou por quase todas as etapas e já está com o cabelo comprido novamente. “Até então fiz oito químio, duas vermelhas, aquela que cai todo o cabelo, e o restante branca. Agora, estou na fase que preciso tomar remédio por cinco anos. Para mim, o câncer não é uma sentença de morte como muitos imaginam. Deus está comigo e eu vou vencer”, afirma.

Como uma característica das mulheres que estão na mesma situação, Natiele deixa um recado. “Então, quem recebeu este diagnóstico: sinta-se abraçada por mim, não é fácil, mas tem cura, abrace essa causa e enfrente com todas as forças. Faça regularmente a mamografia, pois é o principal exame para detectar o câncer de mama em estágio inicial, quando o nódulo é pequeno e que ainda não é palpável. O importante é nunca deixar o câncer tomar conta de você! Juntas, somos mais fortes!”, afirma.

MOMENTOS DIFÍCEIS PARA NATIELE

“Eu sou professora e fui erguer uma caminha na escola e senti um caroço no meu peito. Pensei que não era nada sério, mas resolvi averiguar. Não é fácil fazer a mamografia pelo SUS. Optei por fazer o exame no particular. Descobri que já tinha água no pulmão. Em seguida fui para o Hospital Pompéia em Caxias. Na primeira químio já começou a cair todo o meu cabelo. Foi horrível. Parece que uma parte de seu corpo está se desmanchando. Tive que buscar ajuda com uma psicóloga. Não tenho filhos e acabei tirando os ovários. Inicialmente fiquei chateada. Faz parte, e sei que posso adotar uma criança. Além de todas as sequelas, também perdi um dente e fiquei bem inchada. Hoje sei que a doença é muito mais do que o cabelo. Atualmente, só vou ao Pompéia a cada três meses e tomo remédios”.

Natiele Brando Dias trabalhava em uma escola de educação infantil no ano de 2018, como professora concursada no município de Três Coroas. Foi durante o trabalho que percebeu que havia algo errado. “Quando passei a mão, me desesperei, porque nunca tinha sentido antes. No dia seguinte procurei um clínico geral que me passou uma ultra da mama, aí começa aquela corrida contra o tempo e a pior notícia é dada: ‘Nati, você está com câncer de mama’, me desesperei, gritei, chorei, porque infelizmente nessa hora a gente não se lembra de quem se curou, só lembra-se do artista ou conhecido que faleceu”.

“A família foi meu porto seguro, não saíam um minuto se quer do meu lado durante todo tratamento, sem o apoio deles seria bem mais difícil. E Deus, minha fé nele sempre foi maior que tudo. Quando recebia aqueles diagnósticos terríveis, pensava: Deus, tu tá aqui comigo me ajudando a enfrentar”.

MOMENTOS DIFÍCEIS PARA ODENIZETE

“Descobri o câncer em dezembro de 2020. Eu tenho duas filhas, sou divorciada e atualmente moro longe dos meus familiares. Vim morar em Canela e sempre precisei trabalhar. Fiz a eco e já tive de forma rápida o encaminhamento. Quando o médico me disse que eu tinha um câncer maligno, pensei, meu Deus. Eu fui sozinha. Pensei que seria tranquilo. Mas não. Não é tão fácil assim. Minha família sempre esteve do meu lado, mesmo de longe. Outro momento foi quando tive que tirar todo meu seio. Já o cabelo, quando começa a cair no ralo, aí cai a ficha. O desafio é se curar. Percebo que uma palavra já pode dar força. Além de cair todos os pelos do corpo, também temos manchas na unha e na pele, enjôos, obturação dos dentes caem, inchaço devido ao corticóide”, descreve.

Programação alusiva ao Outubro Rosa

GRAMADO – O gabinete da Primeira Dama, as Damas de Caridade e a Liga do Combate ao Câncer promovem uma caminhada pelo Outubro Rosa, que ocorrerá neste sábado (16).A programação terá início às 9h, com saída do Ginásio Perinão em direção à Villa Berti. No local, acontecerão diversas atividades como bate-papo com ginecologista e workshop. Em caso de chuva, não haverá a caminhada, mas o restante da programação acontecerá normalmente. Será obrigatório o uso de máscaras. Veja programação completa na página 15.

CANELA – Desde o ano passado até o momento, nove mulheres tiveram diagnóstico confirmado e 49 foram encaminhadas para exames de mastologia. O município disponibiliza transporte para o tratamento em hospitais, que são referência no Estado e na Região. Além de medicação e realização de exames. Entre as ações realizadas está à iluminação especial na cor rosa da Igreja de Pedra e uma ação surpresa para algumas mulheres como reconhecimento por ser exemplo de força e perseverança.

LIGA FEMININA DE COMBATE AO CANCER DE GRAMADO

Mais de 100 pessoas, com diversos tipos de enfermidade, recebem atendimento da Liga. O trabalho é voluntário e o atendimento ocorre nas terças-feiras, das 13h30 às 17h30, na Rua Leopoldo Rosenfel, 818, junto ao Centro de Cultura de Gramado – Casa Rosa da Liga. A Liga tem um custo mensal de manutenção de aproximadamente R$ 15 mil. As verbas são adquiridas com a realização de chás, jantares, vendas de camisetas, sombrinhas e doações. Também recebem verba pública, a partir de emendas impositivas dos vereadores.

CHÁ SOLIDÁRIO: dia 11 de novembro, das 17h às 19h, no Gran Fiestas (Rua Prefeito Waldemar Frederico Weber, 1815, Mato Queimado – Gramado). Valor R$ 50 reais.

COMO PREVENIR O CÂNCER DE MAMA?

A prevenção do câncer de mama começa com o autoexame, que a própria mulher deve fazer mensalmente a partir dos 20 anos de idade, apalpando as mamas. Ele deve ser feito entre o quarto e o sexto dia, depois do fim do fluxo menstrual. As mulheres que não menstruam devem escolher uma data para fazer a avaliação.

É importante ficar atenta a sinais e sintomas como:

Nódulos palpáveis na mama ou região das axilas;

Alterações na pele que recobre o local do nódulo;

Região da mama com aspecto parecido a uma casca de laranja;

Saída de secreção.

Além do autoexame, é importante que mulheres acima de 50 anos realizem a mamografia de rastreamento, mesmo sem perceber nenhum sinal ou sintoma. Esse é o único exame que permite descobrir o tumor em sua fase inicial, em que a probabilidade de cura em 95%.

Alguns hábitos também ajudam a reduzir os fatores de risco para o câncer de mama em até 28%: Praticar exercícios físicos; Alimentar-se de forma saudável; Manter o peso corporal adequado; Evitar o consumo de bebidas alcoólicas; Amamentar; Usar hormônios sintéticos apenas com prescrição médica.

Texto: Lucas Brito | [email protected]

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