GRAMADO – A professora, educadora e rotariana Regina Bervanger foi a primeira a ser homenageada pelo Dia da Migrante. Natural de Cerro Largo, na região das Missões, Regina chegou a Gramado há quase quatro décadas trazendo, como ela mesma definiu em seu pronunciamento, “muito mais do que pertences pessoais”. Trouxe esperança, disposição para trabalhar, vontade de aprender e o desejo de construir uma nova história.
A cerimônia lotou o plenário da Câmara de Vereadores, reunindo familiares, amigos, colegas de profissão, companheiros do Rotary Club e admiradores de sua trajetória. Em um discurso marcado pela emoção e pela gratidão, Regina relembrou suas origens e a coragem necessária para deixar para trás parte de sua vida e recomeçar em uma nova cidade.
“Cheguei a Gramado trazendo na bagagem esperança, disposição para trabalhar e o desejo de construir uma história. Como tantos migrantes, deixei para trás parte da minha vida, mas carreguei a coragem necessária para recomeçar”, afirmou.
Ao longo de sua trajetória em Gramado, Regina dedicou sua vida à educação. Atuou como professora e gestora na rede municipal de ensino, contribuindo para a formação de inúmeras gerações de gramadenses. Atualmente, exerce a função de coordenadora da Universidade Unopar, onde continua acompanhando a formação de novos profissionais. Em sua fala, destacou a alegria de reencontrar antigos alunos buscando qualificação profissional e reafirmou sua convicção de que a educação é uma das mais poderosas ferramentas de transformação social.
“Encontrei na formação de pessoas um propósito que dá sentido à minha caminhada. Cada aluno, cada colega e cada desafio enfrentado contribuíram para moldar a profissional e a pessoa que sou hoje”, declarou.
Além da atuação na educação, Regina também construiu uma forte história de voluntariado por meio do Rotary Club. Segundo ela, foi na entidade que encontrou mais uma forma de servir à comunidade, aprendendo diariamente sobre solidariedade, empatia e compromisso com o bem comum. Durante a homenagem, fez questão de dividir o reconhecimento com todos aqueles que deixaram suas cidades de origem para construir uma nova vida em Gramado.
“Recebo esta homenagem não apenas em meu nome, mas em nome de todos os migrantes que chegaram a esta cidade trazendo sonhos, trabalho, dedicação e vontade de contribuir para o desenvolvimento da comunidade”, disse. Em uma das passagens mais emocionantes do pronunciamento, Regina definiu o significado de ser migrante. “Ser migrante é aprender a transformar a saudade em força, desafios em oportunidades e diferenças em riqueza cultural. É descobrir que podemos pertencer a mais de um lugar sem deixar de honrar as nossas origens.”
Ao encerrar sua manifestação, agradeceu à família, aos amigos, colegas de profissão, companheiros do Rotary e à comunidade gramadense, destacando que Gramado deixou de ser apenas a cidade que a acolheu para se tornar seu verdadeiro lar. “Hoje sinto que uma parte de mim pertence para sempre a esta comunidade. Minha gratidão mais profunda à cidade que me acolheu e me permitiu construir uma vida plena”, concluiu, sob aplausos do público que lotou o plenário.

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