GRAMADO – O cuidado com os animais vai muito além de oferecer alimento e abrigo. Envolve responsabilidade, atenção à saúde, prevenção de doenças e, principalmente, compromisso com uma vida inteira. Em Gramado, o Programa Posse Responsável desenvolve uma série de ações voltadas à proteção de cães e gatos, tanto no atendimento de ocorrências quanto na conscientização da comunidade.
Em entrevista ao Jornal Integração, durante visita ao Abrigo Municipal de Cães, a responsável pelo programa, Laura de Rossi, apresentou um panorama dos trabalhos realizados pela Prefeitura e destacou números expressivos. Somente neste ano, aproximadamente 750 denúncias de maus-tratos, abandono e situações relacionadas à posse responsável foram atendidas no município.
Além disso, foram realizados cerca de 800 atendimentos veterinários, incluindo procedimentos de castração e outros cuidados com os animais acolhidos ou resgatados. Segundo Laura, desde julho até outubro, aproximadamente 800 animais também passaram pelo procedimento de castração. Outro dado positivo é que a fila de espera para o serviço está zerada, permitindo agendamentos de uma semana para outra ou, no máximo, em 15 dias.
Castração para combater o abandono
Laura ressalta que a castração é uma das principais ferramentas para evitar a reprodução descontrolada e, consequentemente, o abandono de animais.
“Eu acho que a questão da não castração é um dos principais fatores de abandono, porque aí acontece de a cadela ou a gata ter filhotes e, para muitas pessoas, é mais fácil abandonar do que cuidar”, alerta.
Atualmente, aproximadamente 20 animais, entre cães e gatos, aguardam na fila para recolhimento. A responsável também chama a atenção para o aumento dos abandonos, especialmente nas divisas de Gramado com outros municípios.
A capacidade de acolhimento, entretanto, chegou ao limite. O abrigo municipal conta atualmente com aproximadamente 104 cães, enquanto os espaços de hospedagem e as clínicas veterinárias conveniadas também enfrentam lotação.
“Infelizmente, a gente não está mais dando conta de recolher. Estamos lotados, tanto no abrigo como nas outras hotelarias e clínicas de atendimento veterinário”, explica Laura.
Nesses casos, os animais recebem os cuidados necessários, incluindo castração e atendimento veterinário, mas podem retornar ao local de origem como animais comunitários, justamente pela falta de espaço para acolhimento permanente.

Maus-tratos é negligência
Outro ponto destacado é a importância de compreender que maus-tratos não se resumem à agressão física. A falta de alimentação, água, abrigo adequado, a permanência em correntes curtas e a negligência com a saúde também configuram situações de violência contra os animais.
“Maus-tratos não é só agredir o animal, não dar água, não dar comida, não ter uma casinha ou deixar em corrente curta. Maus-tratos também é ser negligente com o atendimento veterinário”, enfatiza Laura.
A responsável reforça que adotar ou comprar um animal representa um compromisso permanente, que inclui não apenas carinho e atenção, mas também responsabilidade financeira para garantir alimentação, vacinação e atendimento veterinário durante toda a vida do animal.
Denúncias podem resultar em responsabilização criminal
O município mantém parceria com a Polícia Civil, a Polícia Ambiental e a Brigada Militar para apurar ocorrências de abandono e maus-tratos. Laura orienta que, ao presenciar uma situação, a comunidade registre um protocolo no Fala Cidadão, da Prefeitura, e também faça um boletim de ocorrência.
“Esse boletim de ocorrência nos ajuda muito, porque conseguimos trabalhar em conjunto com a Polícia. Eles têm recursos maiores que os nossos e conseguem rastrear a pessoa, que acaba respondendo legalmente”, explica.
Segundo ela, alguns casos de animais resgatados em situações de maus-tratos já chegaram ao Judiciário, com realização de audiências e aplicação de medidas aos responsáveis.
Doenças exigem atenção dos tutores
A veterinária Simone Batista também alertou para doenças que exigem atenção especial dos tutores de cães e gatos.
Entre as zoonoses, a esporotricose, que afeta principalmente os felinos, é uma das preocupações. A doença é causada por um fungo e pode ser transmitida aos seres humanos. A veterinária também destacou a leishmaniose, que passou a registrar ocorrências em Gramado.
Conforme Simone, os casos identificados no município até o momento são de animais que vieram de outras cidades ou estados. Atualmente, seis cães estão sendo monitorados. A utilização de coleiras de proteção contra o mosquito transmissor é uma das medidas preventivas recomendadas.
Para os cães, Simone destaca a parvovirose e a cinomose, doenças graves que podem levar à morte ou deixar sequelas. A vacinação é fundamental para a prevenção. Já entre os gatos, a veterinária chama a atenção para a FeLV (leucemia felina), que possui vacina, e a FIV (imunodeficiência felina), para a qual não há vacina disponível no Brasil.
Como solicitar castração e denunciar
Os moradores de Gramado interessados em castrar seus animais podem entrar em contato com o Programa Posse Responsável pelo WhatsApp (54) 98402.0423. Após o primeiro contato, é encaminhada uma ficha para preenchimento e são solicitados documentos de identificação e foto do cartão SUS físico.
O agendamento ocorre, normalmente, em até 15 dias. O transporte do animal até a clínica conveniada é de responsabilidade do tutor.
O programa também divulga animais resgatados e disponibiliza informações sobre adoção por meio das redes sociais, no Instagram, pelo perfil Posse Responsável Gramado RS: @posse_responsavel_gramado_rs.









