Encerrada a eleição presidencial, é natural que cada um de nós procure entender o recado das urnas. Proponho outra reflexão, mais próxima de casa: a meu ver, o Brasil escolheu a esquerda, em boa medida, porque ainda não conhece a direita que dá certo. E um bom exemplo dela está aqui, em Gramado.
Começo pelo que mais importa às famílias: a educação dos nossos filhos. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgado pelo Ministério da Educação em agosto deste ano, a rede municipal de Gramado alcançou nota 6,6 nos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano. A meta era 6,0, e a média brasileira também ficou em 6,0. Nos anos finais, do 6º ao 9º ano, a rede atingiu a meta de 5,5, enquanto a média nacional foi de 5,0. Para quem não acompanha esses índices, vale a tradução: nossas crianças aprendem mais do que a média das crianças brasileiras, e a escola pública municipal cumpre aquilo a que se propôs.
Na saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) mostra em Gramado a sua melhor face, que é a do cuidado próximo de casa. Segundo dados do Ministério da Saúde (DATASUS), a cobertura da atenção básica no Município é de 100%. Isso significa que todo morador está vinculado a uma equipe de saúde responsável por acompanhá-lo, da vacina ao pré-natal, do controle da pressão ao atendimento odontológico. Em maio, foi inaugurada a nova Unidade Básica de Saúde do Bairro Carniel, com mais de 700 metros quadrados, sala de vacinas, auditório para atividades coletivas e alguns milhões investidos somente em equipamentos, além do aumento da infraestrutura e serviços no hospital, como a hemodiálise, por exemplo, que em breve poupará pacientes renais de viagens diárias a outras cidades.
O terceiro pilar é o empreendedorismo, que talvez seja o traço mais marcante da nossa gente. Gramado tem 5.471 microempreendedores individuais ativos, segundo a Receita Federal, o equivalente a 131 MEIs para cada mil habitantes, uma das maiores proporções da região. Somente em 2025, foram abertas 557 empresas no Município. O resultado aparece na riqueza produzida: de acordo com o IBGE, o Produto Interno Bruto por habitante de Gramado é de R$ 88,8 mil, cerca de 49% superior à média do Rio Grande do Sul, de R$ 59,7 mil.
Boa parte dessa riqueza vem do turismo, construído ao longo de décadas por empresários, trabalhadores e gestores públicos que acreditaram na vocação da cidade. Segundo o Observatório do Turismo de Gramado, a média mensal de empregos formais nos setores de hospedagem, alimentação e agenciamento cresceu 3,5% em 2025. Apenas de janeiro a outubro do ano passado, recebemos 76,3 mil visitantes estrangeiros, vindos de 71 países.
O que esses números têm em comum? Todos nascem de uma mesma convicção: a de que o poder público deve cuidar bem do essencial, como a escola, a unidade de saúde e a segurança jurídica, e abrir espaço para que as pessoas trabalhem, empreendam e prosperem. Não se trata de Estado ausente, mas de Estado eficiente. Não se trata de distribuir benefícios às vésperas da eleição, mas de criar condições para que o cidadão não dependa deles.
Não pretendo, com isso, dizer que Gramado não tem desafios. Tem, e são muitos, como em qualquer cidade que cresce. Tampouco desconsidero que realidades diferentes exigem respostas diferentes, e que o Brasil é um país de enormes desigualdades regionais. Mas penso que o eleitor brasileiro, sobretudo aquele que vive longe daqui, raramente tem a oportunidade de ver de perto uma gestão que une responsabilidade com o dinheiro público, serviços que funcionam e liberdade para empreender.
Talvez esteja aí uma lição para quem pretende disputar as próximas eleições. Discursos convencem por algumas semanas; resultados convencem por gerações. Se a direita quer conquistar a confiança do País, precisa mostrar, com números e com serviços prestados, aquilo que já faz bem nos municípios que governa. Gramado é uma vitrine. Cabe a nós, gramadenses, abrir a janela e deixar o Brasil olhar.
Mariana Melara Reis (Advogada)








