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Audiência Pública mostra reprovação aos pedágios

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Tiago Manique

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GRAMADO – A Audiência Pública realizada na manhã desta terça-feira, em Gramado, reuniu prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, lideranças regionais e representantes do governo do Estado para discutir a proposta de concessão das rodovias do Bloco 1. O encontro foi marcado por críticas contundentes ao modelo apresentado e por momentos de tensão entre público e autoridades estaduais.

Entre as manifestações, o deputado Joel Wilhelm (PP), que faz parte da base aliada do governo Eduardo Leite, abriu o debate com críticas diretas ao projeto defendido pelo secretário de Estado da Reconstrução, Pedro Capeluppi que apresentou o cronograma do plano de concessão.

Tarifas e impacto econômico

Joel afirmou que a audiência pública deve ser um instrumento para ouvir a população e considerar a realidade regional. Ele reforçou que a Região das Hortênsias tem “posição totalmente contrária” ao modelo proposto, destacando impactos econômicos e sociais.

Um dos pontos centrais de sua crítica diz respeito ao custo dos pedágios. O deputado argumentou que um turista vindo da Região Metropolitana, hoje pagando pouco ou nada em tarifas, poderia gastar até R$ 69 por dia caso utilize a ERS-010, trecho que aparece no projeto com três pórticos de cobrança.

“Isso vai prejudicar o turismo de Gramado e Canela, porque as pessoas vão deixar de vir devido ao alto custo. Vai aumentar o custo do transporte e da logística como um todo”, afirmou.

Ele também lembrou que milhares de trabalhadores de cidades próximas dependem diariamente das rodovias para chegar a Gramado, Canela e São Francisco de Paula, o que elevaria drasticamente seus custos de deslocamento.

Joel ainda criticou o fato de que usuários da ERS-239 e ERS-115 arcariam com investimentos e manutenção na ERS-118, onde, segundo ele, não haveria pórticos nos trechos mais movimentados. “Não é justo que Sinos e Hortênsias paguem pela manutenção e obras na 118. Isso está errado.”

Deputado estadual Joel Wilhelm – Foto: João Pedro Boch/JIH

Governo defende concessão e apresenta números

O secretário Pedro Capeluppi fez uma apresentação detalhada sobre o projeto, defendendo a necessidade de concessões diante do histórico de limitações do investimento público direto no setor rodoviário brasileiro. Segundo Capeluppi, o Bloco 1 prevê: R$ 6,4 bilhões em investimentos totais; R$ 4,87 bilhões nos primeiros dez anos; 213 km de duplicações; 300 km de acostamentos; implantação da ERS-100 como corredor estratégico e melhorias constantes, incluindo socorro mecânico e médico.

Capeluppi afirmou que é preciso comparar o custo do pedágio com o custo de manter rodovias em condições ruins, o que, segundo estudos citados, eleva em até 50% o custo do transporte no Estado.

“Não conseguimos calcular o quanto custa para a sociedade ter rodovias em péssimas condições. Isso eleva o custo Brasil e afeta a competitividade do Rio Grande do Sul”. O secretário também pediu respeito e tranquilidade ao público, já que parte dos presentes reagiu com críticas durante sua explanação.

Vereadores reforçam oposição ao modelo

Além das manifestações estaduais e regionais, vereadores da região também se posicionaram contra o modelo atual da concessão proposta. Representando a Câmara de Vereadores de Gramado, o presidente do legislativo Ike Koetz (PP), afirmou ser totalmente contrário ao formato apresentado pelo governo estadual. Koetz reforçou que a região não é contrária ao desenvolvimento, mas entende que o modelo deveria ser reconsiderado.

Presidente da Câmara de Vereadores Ike Koetz – Foto: João Pedro Boch/JIH

“Total contrariedade a esse modelo de concessão. Não somos contra desenvolvimento, sabemos da necessidade de infraestrutura, mas ao atual modelo somos contrários, ainda mais quando existem alternativas. Entendemos que é necessário primeiro apresentar a obra e depois fazer a concessão”, afirmou.

O vereador lembrou ainda o momento de retomada econômica e ressaltou que diversas entidades locais também se manifestaram contra os valores propostos. “Temos diversas manifestações de entidades contrárias a este modelo, que precisa ser revisto.” O vereador de Canela Lucas Dias (PSDB), mencionou a falta de confiança no governo estadual quanto à gestão de rodovias, lembrando que, desde a implantação dos pedágios em 1998, diversas promessas não foram cumpridas.

Vereador de Canela Lucas Dias – Foto: João Pedro Boch/JIH

“Concordo com o secretário quando diz que o Estado tem total incapacidade de gerir suas estradas. Desde 98, com pedágios, não temos estradas boas. Escutamos várias promessas, mas nada me convence de que agora vai acontecer”, discursou. Ele criticou especificamente o pedágio previsto para a ERS-466 (Estrada do Caracol), alertando para impactos diretos no cotidiano da população local. “É um pedágio que vai dividir a estrada entre o bairro e o Centro. Pais vão ter que pagar para levar e buscar os filhos na escola. É inadmissível aceitar isso”, destacou.

Clima tenso e expectativa por mudanças

A audiência foi permeada por momentos de tensão, especialmente durante falas técnicas e interrupções do público. Ainda assim, representantes do governo garantiram que todas as manifestações serão registradas e analisadas antes da conclusão do edital.

A expectativa das lideranças regionais é que o projeto seja amplamente revisado, especialmente no que diz respeito aos valores das tarifas, ao número de pórticos e à distribuição dos investimentos.

O governo, por sua vez, reforça que considera a concessão estratégica para o futuro da infraestrutura do Rio Grande do Sul. Na tarde desta terça-feira (18), foi a vez da Audiência Pública ocorrer em Taquara, na Faccat.

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