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“A dependência química traz danos, riscos e prejuízos para a sociedade”, afirma pastor

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CANELA – Trabalhando para curar, unir e reformular famílias, o ‘Projeto Esperança e Paz’ apresenta uma luz no fim do túnel para dependentes químicos, que lutam todos os dias contra o vício.A reportagem do JI esteve no local para falar com os fundadores da instituição, que contaram um pouco da história do projeto e revelaram como funciona.

Sem fins lucrativos, o programa de recuperação de dependentes químicos foi iniciado no ano de 2014, pelos pastores Wagner Lopes e Paulo César Nascimento, juntamente a um grupo de voluntários. O Esperança e Paz têm uma proposta de internação por um período de nove meses, com quatro etapas, (adaptação, desintoxicação, interação familiar e ressocialização).

Neste período, o programa acolhe 26 pessoas de todas as idades, com exceção de quem precisa de cuidados médicos, como cadeirantes, indivíduos com problemas psiquiátricos, ou com outras comorbidades.A internação pode ser feita pelo próprio dependente, indo ao local, (rua Presidente João Goulart, 721, bairro Canelinha), ou entrando em contato por meio dos telefones (54) 9-9698.5186 e 3282-2043.

A idéia de criar o projeto partiu após o conhecimento dos pastores sobre o alto índice de pessoas com dependência química na cidade, e também sobre notícia de um crime cometido por dois jovens dependentes, que acabaram ateando fogo em uma residência e matando uma mulher. “Sentimos que o problema não é só do usuário, ou da família dele. A questão é que a dependência química traz danos, riscos e prejuízos para toda a sociedade. Não são todos que entram nesta parte da criminalidade, mas sabemos que, uma parte deles se desvincula do trabalho, estudos e família, naturalmente, vão ficar mais amigos de um traficante ou de um criminoso e entrando para a escola do crime”, expressa Paulo.

De acordo com o pastor Wagner, a recuperação acontece por meio de três pilares, o trabalho, que enobrece o homem, a disciplina e a espiritualidade. Geralmente, as pessoas chegam ao local ‘doentes’ fisicamente, psicologicamente e com o relacionamento abalado com a família, em busca de um recomeço. O interno não é obrigado a ficar os nove meses, tendo a total liberdade de se desvincular do programa quando bem entender. Do grupo, em média, dois abandonam imediatamente o vício e se recuperam.

Durante o tempo de internação os indivíduos residem no local, participam de atividades coletivas, como marcenaria, artesanato e cantos religiosos. Além disto, eles cozinham as próprias refeições e realizam a manutenção do local, como mais uma atividade de cooperação e vivência em grupo, sob o monitoramento dos voluntários do programa. O local tem dormitório, sala de estar, refeitório, cozinha e um salão de cultos, onde eles aprendem orações e ensinamentos religiosos. “Eles se envolvem, ocupam a mente com algo positivo, que é pro bem de todos aqui”, sublinha o pastor Paulo.

Leonardo Santos/JIH – Alan dando um trato no cabelo do Seu Oraci, xodó da turma de internos

Um dos internos é Alan da Silva, ele está no programa há dois meses e conta que o resultado, até o momento, é positivo. Antes de chegar ao projeto, Alan estava morando na rua. “Este lugar é muito bom, eles nos tratam bem e cuidam da gente”. O rapaz de 22 anos auxilia os outros participantes realizando cortes de cabelo, habilidade que, segundo ele, aprendeu no local. “Vi que os meninos precisavam de um corte e me voluntariei. Aqui vivemos pela obra do senhor”, contou.

Os produtos feitos na marcenaria, posteriormente, são comercializados, e o dinheiro utilizado para a sustentação do projeto. Durante a pandemia da Covid-19 as vendas têm aumentado. “A venda tem sido um dos meios que estamos conseguindo arrecadação, é um recurso. Não paga toda a despesa, mas ajuda”, destacam os pastores. Mensalmente, o gasto para manter o programa funcionando é de R$ 8 mil.

Para adquirir os produtos e ajudar a instituição, entre em contato pelo fone (54) 9-9698.5186 ou pelo email: pr[email protected]. Fotos dos artesanatos e produções podem ser vistos na página do Facebook do projeto, facebook.com/projetoesperancaepaz/.

Por conta da pandemia da Covid-19, os internos estão isolados, sem receber visitas e acatando a todas as normativas de higiene dos órgãos de saúde.

Texto: Leonardo Santos – [email protected]

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